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Sete motivos pelos quais Marina Silva não representa a "nova política"

quarta-feira, 27 de agosto de 2014


Se a sua intenção este ano é votar em uma "nova forma de fazer política", leia este texto antes de encarar a urna eletrônica 
Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva,
a candidata e seu vice, Beto Albuquerque

 Caros e caras amigos e amigas, que muito me honram e alegram ao acessar diariamente +Cartas e Reflexões Proféticas, vivemos em pleno contexto de campanha eleitoral, já quase na reta final. 

Muitos contatam comigo me pedindo para refletir sobre os 3 principais candidatos a Presidente. Aécio analisei aqui em carta ao Frei Antonio ontem, logo abaixo (clique aqui). Muitos me perguntam sobre a missionária evangélica Marina Silva. Sinceramente não confio nesta candidata e não é por preconceito e irresponsabilidade. 

A análise que Lino Bocchini faz em Carta Capital é iluminadora. O ponto 3 dos 7 de sua reflexão é crucial e me angustiam. Normalmente cristãos da corrente teológica de Marina são "honestistas" de máscara difícil de perscrutar até onde vai a honestidade de sua crença e onde começa a base de areia e falsa da construção de seu discurso. O que é certo é que os dois fundamentos convivem em torno de interesses pelo poder e, principalmente, pelo fascínio econômico, que muito inspira esse modelo ideológico neoliberal, enfático no pastor neoliberal, oportunista e desonesto, Everaldo.

O ponto 3 mostra a missionária pentecostal Marina, ex-integrante das comunidades eclesiais de base católicas romanas, onde a candidata construiu incipiente consciência social, totalmente cercada agora por urubus  graúdos, acostumados a matar corpos sadios para comer carniças, privatistas que são da era Fernando Henrique Cardoso. Os tais urubus já atuaram no governo  Collor de Mello, pressionando- a adotar a política de sabotagem das poupanças e contas dos brasileiros. A missionária discursa sobre a tal "nova política" que, como tudo em seu universo discursivo, não tem definição clara. Seu grupo constrói uma lógica difícil de assimilar como coerente. Como pode o novo, que denomina de "nova política", consolidar-se com velhas raposas trazidas de galinheiros onde causaram danos ainda não superados, quando sua ganância avançou sobre o patrimônio público nacional para vendê-lo e roubá-lo de nosso povo? Que "nova política" é essa com os mesmos da era carcomida de Collor e de FHC? A missionária Marina é manipulada por uma das maiores banqueiras sanguessugas de nosso País, que lhe dá ordens desde tirar os óculos à política econômica de rapina como a de privatizar ainda mais o nosso Banco Central do Brasil, entregando-o para o assassino mercado financeiro.

Com a missionária pentecostal Marina corremos riscos de eleger Collor e  Jânio Quadros, deste vez de saia e falando uma língua estranha. Noutras palavras, com ela e os velhos atores, agora mascarados com a roupagem de "nova política", o Brasil novamente entrará numa aventura e num festival de molecagem. 

Perdoem-me os meus amigos e minhas amigas evangélicos pentecostais que me leem todos os dias, mas só pelo fato da irmã Marina ser evangélica e missionária pentecostal não significa santidade nem honestidade. Como diz um amigo meu assembleiano convicto: ser evangélico não significa nada. Acho que naquele momento, ao dizer essa frase na sala de sua empresa, pensava nas palavras atribuídas a Jesus  de que "pelos frutos os conhecereis".



 Desculpem, mas não posso me calar em face dos riscos que corremos, isso se Marina não tiver o registro de sua candidatura impugnado antes da eleição por não explicar o caso do avião que matou o candidato Eduardo Campos, cercado de mistérios enrolados com laranjas e negócios duvidosos.

Sei que as pessoas de bom senso pesquisarão e refletirão muito antes de imaginar que Marina seja enviada messiânica para salvar magicamente o Brasil dos 500 anos de opressão e saques, mas as que são fanáticas, dogmáticas e fechadas não pensam e são turronas donas da verdade. Essas não acessam esse blog.   

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz, totalmente a perigo. 

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano, disposto a todas as lutas para defender o Brasil.

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É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede -- e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.

3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.

4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.

5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.

6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.

7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.

Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.

Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.

Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.

De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

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