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quinta-feira

O messianismo ilusório de Marina Silva: linguagem equívoca






Querida amiga Cleuza Stábile

Honro-me com tua amizade. És evangélica de uma denominação cristã pentecostal. Tua amizade me diz que és de mente aberta e reflexiva, capaz de pensar a realidade de modo crítico e racional, sem fanatismos e fundamentalismos. 

Ontem me perguntaste qual é minha análise sobre essa mulher, referindo-te à missionária evangélica pentecostal Marina Silva. Pedi que lesses meu comentário introdutório de ontem aqui no blog referente ao artigo de Lino Bocchini (clica aqui). Tua reação depois de lê-lo foi imediata: “não votarei nessa mulher”!

Como escrevi antes, a participação do público opinando sobre política através das redes sociais é bastante expressiva. O ruim é que isso acontece de modo surrealista e humorista, girando charges, comentários pejorativos e até ofensivos às pessoas dos candidatos. Esse tipo de manifestação é carente de conteúdo e de exame que colabore para a compreensão da realidade aparentemente nebulosa dessa conjuntura de propaganda eleitoral para o governo federal, coisa séria e que implica nos destinos do País para as próximas gerações. Claro, reconheço que há coisas boas nas redes sociais, sobretudo indicativos de textos que debatem com profundidade os problemas e programas dos candidatos. Isso é positivo.

A missionária pentecostal Marina Silva claramente se apresenta com discurso messiânico propondo “nova política”, ao estilo da surrada terceira via. No caso, a proposta de Marina é muito mais limitada porque pensa em caminho entre o PT eleito pela direita como ameaça aos privilégios da arcaica política de negócios que usa o Estado como aparelho para vender os bens públicos e esmagar nosso povo. Em nome disso mente sobre corrupção e medo do avanço democrático na possibilidade de eliminar a distância entre a democracia representativa e a participativa, que faria o povo sujeito real de construção de soluções aos problemas sociais. A mídia desse capitalismo arcaico chama os investimentos sociais de corrupção e de uso indevido dos impostos, que ela mesma não gosta de pagar. Marina quer um terceira via entre uma proposta centralizadora e outra insuficiente.

Por que sua postura é messiânica? Porque ela se move por postulado teológico despido de historicidade e de uma fé “inabalável” no transcendente transacidental, que não se relaciona momento algum com o Jesus “nazerizado”, palestino, histórico e rebelde contra a opressão vivenciada no final da antiguidade e início da era cristã no Oriente Médio. O Jesus que foi crucificado por motivos do jogo político entre o poderoso e avassalador império romano - a cruz era usada para punir com suplício os sediciosos que ousassem afrontar os deuses romanos nas pessoas dos Césares – não relevante no pensamento messiânico de Marina. As lutas populares na busca de justiça social, como atores da construção de relações sociais justas, também não são consideradas por esse tipo de messianismo. A essência da ideia por trás desse messianismo é de puro individualismo à espera de respostas celestiais dadas a indivíduos escolhidos, sem comunidade e sem povo.

O  messianismo assumido pela candidata Marina Silva despreza a “encarnação” da fé, a história a que o amor ao próximo remete a lutar por “um novo céu e uma nova terra” onde impere a equidade entre irmãos, mesmo com o derramamento de sangue dos mártires e dos pobres, não faz parte do itinerário indicado por seu discurso. Sua candidatura carrega o timbre da índole dos privilegiados eleitos, quando Deus a teria escolhido para viver, ao custo da morte de Eduardo Campos no acidente do misterioso avião caído em Santos no dia 13 de agosto. Isso é claro quando Marina afirmou que Deus a preservou da morte para a missão que desempenharia como candidata e supostamente como Presidente da República. 

Portanto, o pressuposto teológico de Marina é apenas invólucro da mais perversa ideologia dominante. Sua tentação é fazer do Estado, que constitucionalmente é laico, um Estado teocrático, com as características conservadoras e favorecedoras da concentração de privilégios. 

A análise história da terceira via mostra que esta sempre desembocou na direita, na verdade desde a organização de suas táticas e estratégicas, muitas vezes as mais cruéis e fascistas. Assim aconteceu no Chile com o golpe dado por Augusto Pinochet, que contou com o apoio da social democracia cristã para massacrar os direitos do povo, cancelando sangrentamente a democracia conquistada pelos chilenos com a eleição de Salvador Allende. Aqui no Brasil os sociais cristãos sempre colaboraram com a ditadura e depois se aliaram ao massacre do Estado e dos direitos sociais com Fernando Henrique Cardoso. Inclusive as candidaturas de nanicos, tanto à Presidência como aos governos de Estado, são eivadas de pregações privatistas, como no caso do desonesto pastor Everaldo, que em flagrante desrespeito patriótico e à classe trabalhadora, propõe a venda da maior conquista política e econômica brasileira, a Petrobras. Aqui em Goiás o candidato social cristão, Vanderlan Cardoso, um direitista também evangélico, é messiânico do empresariado, vendo no nefasto mercado a salvação de todas as mazelas. E é mesmo, só que dos endinheirados e concentradores do poder econômico, radicalmente ressentidos e odiosos aos trabalhadores, os legítimos produtores de riquezas. 

O messianismo “marinista” é uma esquizofrenia aventureira, porque totalmente hipócrita ao afirmar a boa vontade de banqueiros e defensores dos interesses dos mesmos que fragilizaram o Brasil durante Fernando Collor e FHC. Não digo que a missionária pentecostal Marina Silva seja pessoalmente hipócrita. Porém, sua proposta é ilusória e irrealista. A menos que os gestores de sua política econômica, que pregam a supremacia dos bancos e dos poderosos agricultores e industriais, já testados na pornografia geradora de desemprego e de miséria no Brasil, se converteram em santos homens e santas mulheres totalmente revestidos da justiça do reino dos céus, que enxuga as lágrimas dos desesperados e dá pão aos pobres.

Entre os que analisam a falida terceira via alinho o competente intelectual Tarso Genro, atual governador do RS. Genro acerta ao afirmar que atualmente as campanhas eleitorais e políticas no Brasil são pautadas e geridas pelos bancos e pela mídia. Principalmente por esta. Estes atores desprezam os partidos, os direitos dos trabalhadores e os movimentos sociais, nucleando como fundamentais os interesses dominantes e exploradores das riquezas. 

Na organização do plano de governo da missionária pentecostal Marina Silva não se vê trabalhadores, não se percebe lideranças das centrais sindicais, dos sem terra, dos indígenas, dos negros, das mulheres, nada. A mídia arrogante mostra a banqueira Neca Setúbal, os economistas amantes de FHC, o trapalhão e traidor Roberto Freire, aliado de FHC e de Geraldo Alckmin e outros atores do inferno. 

Que terceira via e que messianismo é esse que conta somente com a direita? Ou será que a missionária imagina que se eleita, no governo, imporá a vontade celestial, orando em língua estranha e que os abutres se converterão, que as muralhas de Jericó cairão, que em nada os malfeitores influenciarão, mas que se ajoelharão em oração e obediência aos ditames da missão messiânica representada por ela?

Temos que debater patrioticamente todas as questões que envolvem nosso País. Isso é patriotismo.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.
Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano, na luta realista e crítica.




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