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Pensando em Jesus (II)


Realmente me impressionei com o que vi no cenáculo. Pensando em Jesus que se movia com tamanho amor, na madrugada de Sexta-feira Santa saí às ruas dessa cidade. Movia-me com a força de quem se dirigia ao caminho da crucificação e do morro onde Jesus foi grudado a marteladas com pregos numa cruz. Peguei um ônibus e me dirigi aos terminais, aqui denominados pelo povo de currais. Em várias cenas vi Jesus ser crucificado. Uma mãe carregava ao colo uma criança chorando de fome. Noutro terminal um homem matou a tiros uma pobre mulher, crucificada e morta a balas. Muitos seres humanos transitavam bêbados pelas ruas. Troquei de ônibus e fui até a um bairro pobre. Estranho, assisti o prefeito daqui dizer, noutra oportunidade, que Goiânia não tem favelas. Mas vi muita pobreza: crianças misturadas a cães doentes e sardentos. Vi muita pobreza e vi Jesus condenado novamente. Peguei outro ônibus e fui ao Hospital das Clínicas. Meu Deus, quanta gente gravemente doente, abandonada, velhos sem ninguém por eles. E vi Jesus novamente crucificado. Passei o dia com eles e com os guardas. Senti o valor do amor ensinado por Jesus. À noite fui a um prostíbulo. Lá conheci mulheres sofridas e escorraçadas, por isso na prostituição violente e involuntária. Convresei com algumas delas e ouvi histórias dramáticas e cortantes. Uma, estuprada pelo próprio pai, na idade de 6 anos, revelou em lágrimas o estupro da crucificação. Outra contou que foi expulsa de casa pelo pai porque, com 8 anos, cortou os panos de um sofá da sala de sua casa . Outra foi colocada naquela casa por um político. Ouvi muitos fatos, mas todos diziam que aquelas irmãs não estão lá por prazer ou com alegria. Pelo contrário. Algumas pessoas me perguntaram quem eu era e o que fazia. Disse sinceramente que sou Bispo. Muitos debocharam de mim. Mas um homem de apelido Jesus, em virtude seus cabelos e barbas longas e brancas, me revelou que era filósofo, com doutorado na Europa. Disse-me que estranhava muito a presença de um bispo naquele lugar. Falee-lhe que eu é que estranhava que um filósofo estive ali, afinal, eu era seguidor de quem amava as prostitutas. Mas construímos gostosa reflexão e análise de toda aquela situação “humana”, até que comecei uma crise asmática por causa de tanto cigarro, drogas e bebidas a circular entre os presentes. Levantei e dirigi-me a outro ônibus e fui a um prédio onde trabalhavam alguns trabalhadores. Manifestei-lhes a vontade de conversar com eles e conhecer um pouco de sua realidade. Apesar de acharem um pouco estranho, removeram resistências e sentamos para conversar. Compartilharam comigo café preto e pães velhos, feitos por suas mulheres. Contaram muitas de suas lutas. Quanto sofrimento e injustiças, meus irmãos sofrem. Saí com a impressão de que Jesus era novamente crucificado em cada uma de suas histórias, nas condições de seus trabalhos e salários.

Enfim, vi degradação humana, vi Jesus traído, negado e crucificado no povo. Mas vi Jesus dizer novamente: ´”ninguém tem maior amor do que o meu ... amem-se uns aos outros como eu amei vocês”.

Dom Orvandil: Bispo cabano, farrapo e quilombola.

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