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CONTRADIÇÕES: OS TRABALHADORES, OS CAPITALISTAS E OS MARGINAIS



Querida amiga Dona Adair Maia de Macedo

Outro dia escrevi aqui uma mensagem dedicada ao nosso querido amigo e colega Juan, jovem trabalhador de nossa Faculdade Delta. O que escrevi foi pouco em relação à vida dele, tão jovem, de passado tão intenso e, sem dúvidas,  de futuro brilhante. Admiro o Juan, de verdade. Como se diz lá no meu Rio Grande: é um guri bom e de valor. O guasca promete!

Há dias que tenho a senhora em mente. A senhora desperta admiração em mim. Volta e  meia chego mais cedo, antes das aulas, para batermos papo e saber o que a senhora pensa.  Há alguns dias a senhora me deixou com muito dó, que me fez perder a paciência e “brigar” com a senhora.   Quando busquei sua mão direita para o educado cumprimento a encontrei enormemente ferida e dolorida. Ao lhe perguntar o que fazia no trabalho daquele jeito a senhora me respondeu que não podia abandonar o posto porque a Faculdade precisava de seu trabalho. Argumentei que precisa mesmo, mas não com a senhora doente e com dor, correndo riscos de comprometer aquela mão. Procurei a direção e trouxe um dos diretores para ver sua situação. Ele tomou imediata iniciativa para seu tratamento e cuidado com sua saúde. Após duas semanas a encontrei feliz, com a mão recuperada e ainda com o atestado médico para não perder os dias parados,  em tratamento. Que bom.

Pois bem, minha amiga Nair, domingo será o dia dos trabalhadores. A senhora sabe por que a existência desse dia? 

O 1º de maio foi escolhido em 1989 num congresso da Internacional Socialista, em Paris, em homenagem  à greve geral que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores protestaram contra as sub-condições de trabalho, a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Os patrões reagiram e  reprimiram o movimento de maneira dura e desumana: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalhador. 

Nos séculos XVIII e XIX situações desumanas foram impostas aos trabalhadores europeus e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalhos pesados por até 17 horas diárias levavam os trabalhadores a graves problemas de saúde. Nem férias, feriados, descansos semanais e aposentadorias existiam.  

No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas de presos. Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.  A justiça, a serviço dos capitalistas e patrões, julgou e condenou os líderes August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O disfarce e simulação de julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro.  Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão. 

Para senhora ver, dona Nair, os capitalistas historicamente sempre trataram mal os trabalhadores. Sempre enriqueceram em cima do sacrifício dos que produzem, aos custos da perda de  sua saúde, de sua energia e de sua vida para enriquecer os vivaldinos da classe dominante. 

É necessário que os trabalhadores reajam organizando-se em sindicatos e agendando lutas contra as condições más de salário e de trabalho. Não adianta esperar pela boa vontade de quem enriquece em cima do trabalho alheio. Para esses é bom explorar os trabalhadores. Por que mudariam expontaneamente?

Quando um marginal assalta um trabalhador o chama de vagabundo e o trata mal. Os marginais invertem as coisas. Assim são os capitalistas e imperialistas: vivem às custas da exploração dos trabalhadores e os tratam como marginais e  vagabundos. Na verdade, vagabundos são os burgueses que não trabalham nem fazem nada pelo desenvolvimento e pela distribuição de riquezas e de justiça social. 

Merecem reconhecimento e apoio os movimentos sociais e as centrais sindicais que comemoram o dia do trabalhador nesse domingo e porque agendam atividades unitárias em favor da diminuição de horas semanais de trabalho, sem redução salarial, por mais salários, pela eliminação do fator previdenciário e por mais conquistas qualificadoras das vidas dos trabalhadores. 

A luta continua, minha amiga. A luta continua. Precisamos lutar por mais direitos e não só trabalhar cegamente.Abraços com votos de consciência e força na luta.

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