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quinta-feira

Leonardo Boff analisa serenamente a bolha neoliberal Marina Silva





Querida amiga Professora Sandra Chaves

Compartilho aqui nesta “+Carta...” minha criativa experiência de viajar contigo ontem à linda cidade de Caldas Novas, aqui de Goiás. 

Viajamos a trabalho. Tu na condição de diretora do Instituto ConsciênciaGo e eu na de professor e palestrante para falar sobre ética a trabalhadores e profissionais. 

A experiência de falar num salão auditório a um grupo sedento de conhecimento, inclusive sobre a conjuntura aí posta nestas eleições, sempre é muito boa e revigorante.  As pessoas procuram conhecer os programas dos candidatos, principalmente os das candidatas Dilma e Marina.  No intervalo, no espaço onde quase perdi o café, fui cercado por enorme número de jovens interessados em debater serenamente as propostas de uma e de outra. Que ótima essa motivação de um público ausente dos partidos, mas interessado nos destinos do Brasil!

Nosso diálogo numa viagem que começou às 5h e 30m foi de riqueza imensurável, também, minha amiga. Conversamos sobre as preocupações nacionais mais amplas e profundas, sobre educação, fundamentalismo, religião, ecumenismo e política. Nossa viagem aprofundou minha admiração e fraternidade contigo, sempre de modo parceiro e crítico, sem bajulação degradante, mas de relacionamento respeitoso e contribuitivo de um para com o outro. 

Pois bem, vivemos momento crítico no Brasil – sob-risco de avançarmos ou de cairmos num tenebroso abismo – prenhe de possibilidades de construção da consciência cidadã e responsável. 

A riqueza de uma conjuntura como a que vivemos nesta campanha eleitoral, de profundo acirramento e confronto de projetos, é do debate que ilumina a consciência que devemos construir com justiça sobre nossa realidade. Claro, há confusão entre os conceitos de debater com paixão e o de ofender raivosamente os que pensam diferentemente, usando apelidos depreciativos que ofendem os que discordam de nossas suposições. Penso que desta postura devemos nos afastar. Elas não ajudam em nada. São fratricidas. 

No campo do debate saudável, embora apaixonado, encontramos com pessoas extremamente sérias e comprometidas com o Brasil e com a luta por justiça social. Uma destas é o ilibado intelectual brasileiro, o teólogo, filósofo, professor universitário, escritor e líder formador de lideranças sociais, o conhecido Leonardo Boff. 

Deparei-me nesta manhã com uma linda entrevista que Boff deu ao blog Viomundo, que realmente vale a pena conferir e tomar como preciosa ferramenta teórica e prática de interpretação de nossa realidade. 

Leonardo Boff conhece a pastora pentecostal Marina Silva, desde a juventude dela. Foi seu professor de teologia no Acre. Em 2010 chegou a cometer o pecado de apoiá-la como candidata a presidenta, do qual se arrepende amargamente – ele o confessa na entrevista. 

Gosto de Leonardo Boff e estudo seus livros. Já conversei com ele via telefone quando ambos éramos jovens. Elaborei trabalhos acadêmicos a partir de seus estudos e o cito seguidamente. Trata-se um intelectual profundo, mas com o dom de ser humilde na aprendizagem com o povo e com a realidade, que considera superiores a ele, como convém a pessoas intelectualmente honradas. 

As opções éticas, teóricas e ideológicas falam muito de quem são as pessoas. Boff foi violentamente perseguido pelos papas João Paulo II e Bento XVI porque sua opção sempre foi pelos pobres, contra a pobreza e as injustiças. Enquanto optou pelo povo aqueles papas se rebaixavam ao capitalismo internacional e à sua doutrina neoliberal.   Quando o cardeal Eugênio Salles, preposto do Vaticano de direita no Rio de Janeiro, apoiador da ditadura assassina, implantou uma comissão inquisitorial para “investigar” nosso teólogo, no dia agendado Boff tinha uma palestra marcada a prostitutas em Belo Horizonte. Sem dúvidas, o aliado dos injustiçados preferiu viajar e palestrar a pessoas que buscavam alternativas e sabedoria para se libertar da exploração do se submeter a perguntas inquisitoriais modelo William Bonner e Patrícia Poeta. Quando barbaramente pressionado pelo Vaticano para abandonar a teologia dos pobres e injustiçados, sob pena de ser expulso do sacerdócio, não titubeou em, segundo ele, evoluir para o estado laico, como mesmo gosta de dizer, mas continuar a luta pela justiça na defesa da cidadania dos povos ameaçados pelo capitalismo e pelo neoliberalismo predatório da humanidade e do ambiente planetário.  De certa forma, sua escolha se parece com a que fez o padre colombiano Camilo de Oliveira Torres quando saiu do sacerdócio para lutar por nova sociedade na Colômbia e na América Latina. Este pelo caminho da guerrilha aquele pelos meios pacíficos.

Leonardo Boff tem competência teórica, ética, política e histórica para analisar nosso dilema atual, acalorado com os projetos encarnados pela Presidenta Dilma e a pastora fundamentalista Marina Silva. 

Nosso teólogo não vacila ao afirmar que a pastora Marina é fundamentalista, neoliberal, antiecologista e adepta dos opulentos, negando todos os valores da juventude que a projetaram para ser uma esperança para o Brasil e para o mundo. Para ele, Marina comete grave erro – eu diria crime – ao defender a independência do Banco Central. Essa tese joga no coloco do nefasto sistema financeiro o poder de determinar a política econômica de privilégios dos poderosos bancos nacionais e, sobretudo, multinacionais. 

Enfim, a entrevista é instigante para os que amam o Brasil e nos faz sentir que estas eleições nos posicionam em face dos seguintes riscos na eleição da pastora fundamentalista Marina Silva: 1. De que sua eleição se dê com a gigantesca manipulação da direita neoliberal, antinacional, opulenta, subserviente dos Estados Unidos, geradora de desemprego, de miséria e de exclusão social. A pastora, portanto, com seu rosto de santa e de quem vive em permanente estado de flutuação espiritual à espera do paraíso sem história, é risco para o Brasil e para toda a América Latina. Enquanto ela lê equivocadamente a Bíblia até para escolher sua equipe de direita o Brasil corre o risco de ser jogado no inferno. Enquanto Silas Malafaia é o seu anjo programa de governo da autoclassificada santa candidata é o diabo para o povo brasileiro. 2. De que a sua eleição ser movimento cego e emotivo às urnas, engrossado por uma massa manipulada, analfabeta política, arrogante e confusa ao pensar que mudança é a mesma coisa que a troca de uma presidenta por outra, sem perceber as armadilhas jogadas nesse escuro processo. E são muitas. Essa massa, muita parecida com a que escolheu Barrabás para a liberdade e Jesus para ser crucificado, aliena-se pela opressão agressiva promovida pela classe dominante, aquela dos 1% dos mais ricos, ausenta-se da sabedoria e da consciência política. Essa massa manobrável e manada é usada como ferramenta de apertar os botões das urnas e consagrar o suicídio do Brasil. 

Simples conversas e reflexões mais instrumentadas ajudariam a entender essa circunstância para ajudar na escolha justa, como a que tive no intervalo do lanche ontem Caldas Novas. A leitura honesta e rica como a desta entrevista de Boff assessora fantasticamente nossa mente.  

Sugiro que acesses o blog  Viomundo (clica aqui)  para ler a entrevista inteira de Leonardo Boff. O momento é crucial.
 

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.
Dom Orvandil: bispo, cabo, farrapo e republicano, fiel ao Brasil.






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