Novo endereço

Este blog mora em outro endereço. Acesse +Cartas e Reflexões Proféticas e divulgue, por gentileza!

Pesquisar este blog

quarta-feira

O Wellinton, o bullying e o desrespeito



Querida Professora Leila D’Angelo

Assisti emocionado a tua entrevista dada à Jornalista Patrícia Poeta, no domingo à noite, 10/04/2011,  como parte do  programa Fantástico da TV Globo. 

Confesso, querida colega, que me senti na tua pele e no teu coração no momento em que rodou a entrevista. Quando choraste lágrimas de horror, de espanto, pelo massacre que foste obrigada a assistir, e de saudade de teus alunos mortos e feridos, eu também chorei quase convulsivamente. Pensei o quanto nossa missão é arriscada e desprotegida. De repente alguém desponta de fora da sala de aula ou levanta-se armado com qualquer coisa e pode nos ferir e matar, como acontece seguidamente. Mas vi em tua imagem, na fala tranqüila e séria o quanto de heroísmo há na missão dos/as educadores/as. Vi coragem e disposição de luta e dedicação profissional em ti, sem a menor idéia de desistir, mesmo que seja difícil retornar ao lugar onde o sangue das crianças foi derramado sob as balas assassinas e suicidas. 

Leila, representas o que há de melhor em nosso povo e nos/as trabalhadores/as. Todos os dias nossos/as heróis/heroínas enfrentam riscos tremendos para agir enquanto profissionais  e trabalhadores/as, sem jamais pensar em desistir. Tua entrevista, que roda pela internet, é verdadeiro testemunho de fé na vida e na educação, sem falar no gigantesco amor às pessoas que educas. Tenho orgulho de ti e da profissão que nós dois abraçamos, verdadeira missão de construir pessoas, mesmo em meio das tragédias. Na tua entrevista educas nossa fé e nossa consciência, além de mostrares o enorme valor e beleza das mulheres trabalhadoras e mestras. Consigo imaginar o quanto és solicitada nesses dias de tanta dor, mas de enorme senso de solidariedade. É assim mesmo, companheira, os heróis não sentem suas próprias dores, porque jogam-se na luta pelos outros, pelo próximo, sem tempo para "fricotes" burgueses. Nas aulas de filosofia, de sociologia e nas palestras que faço reflito com meus alunos sobre a solidariedade, como semente das transformações de nossas relações injustas nessa sociedade de minorias privilegiadas e de maiorias em desgraça. Vi em ti exemplo de trabalho construtor de seres humanos e de enorme generosidade com teus alunos e seus familiares. Parabéns, minha irmã.

Outra coisa que se debate muito e que cresce com essa tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira aí de Realengo, no Rio de Janeiro, é o problema do bulliyng. Algumas informações dão conta de que o Wellinton, o assassino das 12 crianças e dele mesmo, seria abusado por colegas na mesma escola. Daqui não temos informações precisas sobre isso. Porém, devemos debater e impedirmos  esse problema, importado de sociedades violentas, como a estadunidense, por exemplo, de se desenvolver entre nós. Minha filhinha de 11 anos, minha amadinha Gracielli Schiavo Barbosa, me contou que é fã da cantora Demi Lovato. A Gracielli me dá todas as informações sobre essa moça de apenas 18 anos de idade e já detentora de enorme sucesso como cantora. Porém, ainda adolescente foi vítima de violento assédio escolar, ao ponto de refugiar-se em casa e receber educação em sua própria residência, espantada com as perseguições de seus colegas, invejosos de seu talento e vitórias na condição de artista. Além de fã de Lovato, minha filha é tremendamente solidária com ela.  

O que justifica crianças e adolescentes serem tão violentos e desumanos com colegas, seja sob que pretexto for? Uma das suspeitas que tenho sobre possível causa desse mal é a inconsciência sobre o respeito ao outro. Ora, os grupos que defendem os direitos humanos, os movimentos sociais, a educação, pastorais etc trabalham tanto o conceito do respeito ao outro, ao diferente, reconhecendo em todas as pessoas potenciais humanos e capacidades de crescer e se desenvolver. Percebe-se que famílias que trabalham essa consciência em suas crianças, adolescentes e jovens, as escolas que o fazem também, não só desarmam essa bomba, como enriquecem a generosidade e solidariedade nos educandos e nos seus familiares. Porém, penso, o problema do desrespeito - do bullyng, do assédio escolar - deve ser trabalhado mais deliberada e profundamente. Recordo aqui o que escrevi em outras oportunidades nesse blog sobre um projeto construído e proposto por minha querida professora Lízia Leão, de Rio Verde-Go. Ela criou um projeto prático intitulado “Gentileza gera gentileza”, que envolve porfessores/as e alunos/as. Com gestos práticos e debates ela pretende desenvolver na COOPEN COE - www.coopen.com.br - sua escola, a dimensão humana da gentileza nos alunos e na cidade. Penso que valeria a pena ligar para ela e buscar informações de como as coisas acontecem lá em termos desse maravilhoso projeto. Por convite dela e de sua escola, onde é coordenadora pedagógica, realizei um curso com o corpo docente daquela instituição sobre esse projeto. Noutras palavras, há que se tomar iniciativas positivas em favor do enfrentamento do problema do bullyng, que tem como uma de suas fontes a falta de cultivo de valores como a gentileza e do respeito ao próximo, ao outro, ao diferente. As escolas são maravilhosos espaços e ferramentas para essas iniciativas, embora não os únicos.

Agradeço pelo bem que fazes aí em Realengo, querida colega Leila. Daqui desse Centro Oeste levanto a bandeira da paz em favor de tua força e de tua vocação para o bem e para a justiça. Deus te abençoe, minha amada e heroína colega.

As 10 postagens mais acessadas

Postagens antigas

Seguidores deste blog

Curta e compartilhe

 
Desenvolvido por MeteoraDesign.Blogspot.com | Contato