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segunda-feira

Aqui somos puro coração

 

Prezado ex-aluno e amigo Pastor João Alves

Aqui no Brasil somos extremamente quentes na solidariedade e na amizade que nos impulsiona na relação com as pessoas. Quando amigos “ultrapassamos” os limites e nos tornamos rapidamente em familiares de nossos conhecidos. Chegamos a dizer que os amigos nós escolhemos e por eles somos escolhidos enquanto os parentes nos são impostos pela vida, com quem nem sempre alimentamos afetos profundos. Ao sofrermos encontramos facilmente consolo em nossas amizades e sempre prontos a compartilhar solidariedade com quem nos “amistamos”. Aqui a religiosidade é alimento para enraizarmos a cordialidade entre nós, numa comunhão sempre intensa. Nossas festas são curtições estridentes porque sinalizamos fortemente o que sentimos uns pelos outros. Nos velórios de nossos amigos sofremos intensa e honestamente a morte de quem palmilhou as estradas existenciais conosco. 

Talvez o sentimento de cordialidade enraíze-se em nossas quatros vertentes humanas (antropológicas), como hipotetiza  Miguel Reale: a indígena, a africana, a portuguesa e a judaica, profundamente arraigadas em nossa formação histórico cultural. Aperfeiçoamos e ampliamos o que recebemos de nossos antepassados e projetamos uma civilização esperança para a humanidade inteira.

Particularmente sofro muito de saudade, sentimento esse cuja palavra só existe em nosso português. Sinto saudade de meus amados familiares gaúchos e de meus mais queridos amigos dos Pampas sulinos. Mas agora meu sofrimento se amplia e se configura em tristeza em virtude de um padre de minha comunidade transferir-se a trabalho para outra capital brasileira, dentro de minha diocese. Ele é um intelectual e trabalhará numa grande universidade. Tenho-o como meu amigo e filho. Sei da oportunidade que ele terá para crescer e o apoio em seu empreendimento. Mas quem diz que meu coração aceita parar de doer e de minha cara se recuse a acolher as lágrimas de despedida? É assim mesmo, diz minha consciência. Mesmo que ele venha semanalmente para rever familiares e atender a comunidade pela qual é responsável, sinto antecipada saudade. Ele é meu amigo. Ajudou a cuidar de mim quando passei por cirurgia. Sou-lhe ouvido e ombros quando ele precisa abrir seu coração. Somos brasileiros. Nossos corações explodem em afetos. 

Assim somos nós no Brasil. A cordialidade é forte combustível para a luta na construção de uma grande sociedade ardentemente cordial, onde não haja espaço para a violência contra o outro, para uns poucos safados viverem a custa do trabalho e do sacrifício da maioria. 

Diferentes são os Estados Unidos. O caso acontecido no Cinema Aurora no Colorado, onde entrou James Holmes super armado atirando para todas as direções, jorrando sangue de várias pessoas, não é fortuito nem casual. É, isto sim, representativo do que é aquela nação grande em poderio militar, político e econômico, mas raquítica em solidariedade e coração. Os governos daquele país nem titubeiam em sair pelo mundo a instalar o terror bélico e a força poderosa de suas armas para derrubar governos legítimos, destruir povos e culturas milenares. Nem mesmo no interior de suas fronteiras os governos, corporações empresariais e bancárias têm compaixão de seu povo. Portanto, James Holmes, por mais louco que seja não é caso isolado. É produto de sua “cultura” social. Sua civilização foi construída sobre a matança de indígenas e de negros. Nos Estados Unidos ninguém se importa com ninguém. Diferente de nós no Brasil o povo estadunidense não é cordial nem seus membros cultivam a amizade entre seus membros.

Morris Berman, num livro cuja resenha Paulo Nogueira faz, dá bem essa ideia que acabei de descrever. Muitos pequenos burgueses brasileiros elegem os Estados Unidos como modelo e referência de seus devaneios consumistas e esquecem que o processo é inverso: a cultura humana brasileira é a referência e a matriz modelar a ser seguida. Porém, temos que cultivar essa matriz e não descurá-la e empobrecê-la. 

Sugiro-te, querido amigo João Alves, que leias abaixo a resenha do Paulo Nogueira . É de arrepiar.

Abraços críticos e fraternos.



POR QUE OS ESTADOS UNIDOS FRACASSARAM by ADMIN

 
 – Outras Palavras
Livro aponta as principais ilusões norteamericanas e como sua soberba e política externa gereram tanta crise, tanto ao mundo quanto a si
Por Paulo Nogueira, em seu blog
Morris Berman, 67 anos, é um acadêmico americano que vale a pena conhecer.
Acabo de ler “Por Que os Estados Unidos Fracassaram”, dele. A primeira coisa que me ocorre é: tomara que alguma editora brasileira se interesse por este pequeno – 196 páginas — grande livro.
A questão do título é respondida amplamente. Você fecha o livro com uma compreensão clara sobre o que levou os americanos a um declínio tão dramático.
O argumento inicial de Berman diz tudo. Uma sociedade em que os fundamentos são a busca de status e a aquisição de objetos não pode funcionar.
Berman cita um episódio que viu na televisão. Uma mulher desabou com o rosto no chão em um hospital em Nova York. Ela ficou tal como caiu por uma hora inteira, sob indiferença geral, até que finalmente alguém se movimentou. A mulher já estava morta.
“O psicoterapeuta Douglas LaBier, de Washington, tem um nome para esse tipo de comportamento, que ele afirma ser comuníssimo nos Estados Unidos: síndrome da falta de solidariedade”, diz Berman. “Basicamente, é um termo elegante para designar quem não dá a mínima para ninguém senão para si próprio. LaBier sustenta que solidariedade é uma emoção natural, mas logo cedo perdida pelos americanos porque nossa sociedade dá foco nas coisas materiais e evita reflexão interior.”
Berman afirma que você sente no ar um “autismo hostil” nas relações entre as pessoas nos Estados Unidos. “Isso se manifesta numa espécie de ausência de alma, algo de que a capital Washington é um exemplo perfeito. Se você quer ter um amigo na cidade, como Harry Truman disse, então compre um cachorro.”
Berman
Berman
O americano médio, diz ele, acredita no “mito” da mobilidade social. Berman nota que as estatísticas mostram que a imensa maioria das pessoas nos Estados Unidos morrem na classe em que nasceram. Ainda assim, elas acham que um dia vão ser Bill Gates. Têm essa “alucinação”, em vez de achar um absurdo que alguém possa ter mais de 60 bilhões de dólares, como Bill Gates.
“Estamos assistindo ao suicídio de uma nação”, diz Berman. “Um país cujo propósito é encorajar seus cidadãos a acumular mercadorias no maior volume possível, ou exportar ‘democracia’ à base de bombas, é um navio prestes a afundar. Nossa política externa gerou o 11 de Setembro, obra de pessoas que detestavam o que os Estados Unidos estavam fazendo com os países delas. A nossa política (econômica) interna criou a crise mundial de 2008.”
A soberba americana é sublinhada por Berman  em várias situações. Ele cita, por exemplo, uma declaração de George W Bush de 1988: “Nunca peço desculpas por algo que os Estados Unidos tenham feito. Não me importam os fatos.” Essa fala foi feita pouco depois que um navio de guerra americano derrubou por alegado engano um avião iraniano com 290 pessoas a bordo, 66 delas crianças. Não houve sobreviventes.
Berman evoca também a Guerra do Vietnã. “Como entender que, depois de termos matado 3 milhões de camponeses vietnamitas e torturado dezenas de milhares, o povo americano ficasse mais incomodado com os protestos antiguerra do que com aquilo que nosso exército estava fazendo? É uma ironia que, depois de tudo, os reais selvagens sejamos – nós.”
Você pode perguntar: como alguém que tem uma visão tão crítica – e tão justificada – de seu país pode viver nele?
A resposta é que Berman desistiu dos Estados Unidos. Ele vive hoje no México, que segundo ele é visceralmente diferente do paraíso do narcotráfico pintado pela mídia americana — pela qual ele não tem a menor admiração. “Mudei para o México porque acreditava que ainda encontraria lá elementos de uma cultura tradicional, e acertei”, diz ele. “Só lamento não ter feito isso há vinte anos. Há uma decência humana no México que não existe nos Estados Unidos.
Tradução: Vila Vudu

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