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quinta-feira

Eu me preocupo Miro, também...




Prezado Altamiro Borges (Miro)

Sempre acompanhei teus escritos e preocupações no combate pela democratização da imprensa no País, contra a ditadura do PIG (Partido da Imprensa Golpista), a favor da justiça social e dos direitos humanos. Passei a admirar-te ainda mais desde que palestraste em um congresso  de professores e funcionários de instituições do ensino particular em Campo Grande – MS, promovido pelo SINPRO de MS e de MT.  És mobilizado por grande conhecimento, sabedoria política e capacidade de comunicação. Cada vez que leio teus textos em teu e em muitos outros blogs me ilumino na compreensão da realidade. Sou-te muito agradecido.

Relativamente a tua análise referente à presença de Antonio Palocci no Governo Dilma concordo plenamente com tuas preocupações e também minhas. Aliás, num encontro com o Presidente Lula e com a então candidata Dilma, aqui em Goiânia no ano passado, com a participação de Antonio Palocci, sem que este fosse apresentado, permanecendo ao lado de Lula e de Dilma, calado subversivamente, angustiado comentei com algumas pessoas que Palocci se comportava como braço silencioso de direita no comando da campanha e que eu temia que o mesmo se desse com sua condução à linha de frente de futuro governo. Não deu outra, meu companheiro. Antonio Palocci representa a direita neoliberal atrasada, conservadora e injusta, como cunha do pernicioso mercado comandado pelas elites nacional e internacional. Nós, dos movimentos sociais e o Governo Dilma, nosso produto, temos que prestar a atenção para esse grave problema. Nada é por acaso.

Recomendo aos e às meus/minhas queridos/as blogueiros/as que leiam o artigo do Miro, que reproduzo abaixo. Abraços.

Por Altamiro Borges (http://altamiroborges.blogspot.com)

A decisão da presidenta Dilma Rousseff de promover um corte cirúrgico de 50 bilhões no Orçamento da União confirma que os tecnocratas neoliberais estão com a bola toda no início do novo governo. Eles já bombardearam a proposta de aumento real do salário mínimo, aplaudiram a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros e, agora, festejam os cortes nos gastos púbicos. Tudo bem ao gosto das elites rentistas e para delírio da mídia do capital, que agora decidiu bajular a nova presidenta.

Na justificativa para o corte dos gastos, o ministro Guido Mantega, tão duro contra o sindicalismo na questão do salário mínimo, mostrou-se dócil diante do “deus-mercado”. Sem meias palavras, ele afirmou: “Nós estaremos revertendo todos os estímulos que fizemos para a economia brasileira entre 2009 e 2010... Nós já estamos retirando esses incentivos e agora falta uma parte deles que estão sendo retirados do Orçamento de 2011, que são os gastos públicos, que ajudaram a estimular a demanda”.

Um triste regresso ao “malocismo”?

Numa linguagem empolada, típica de quem esconde as maldades, Mantega argumentou que “este ajuste, esta consolidação fiscal, possibilitará que nós alcancemos o superávit primário” – outro termo que causa orgasmos nos banqueiros e rentistas. A União, explicou o ministro, já teria reservado “quase R$ 81,8 bilhões” somente para o pagamento dos juros – isto é, o dobro dos investimentos orçamentários destinados ao Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC (de R$ 40,15 bilhões).

Na prática, as decisões recentes do governo parecem indicar um triste regresso ao “malocismo” – uma mistura de Pedro Malan, czar da economia no reinado de FHC, e Antonio Palocci, czar da economia no primeiro mandato de Lula. Os seus efeitos poderão ser dramáticos, inclusive para a popularidade da presidenta Dilma. De imediato, as medidas de elevação dos juros e redução dos investimentos representam um freio no crescimento da economia e, conseqüentemente, na geração de emprego e renda.

Suspensão de concursos e outras maldades

Além de reduzir o papel do Estado como indutor do crescimento, o corte drástico de R$ 50 bilhões no Orçamento da União terá impacto nos serviços públicos prestados à população. O governo já anunciou a suspensão dos concursos para a contratação de novos funcionários e protelou a nomeação de 40 mil servidores aprovados em seleções anteriores. Para Maria Thereza Sombra, diretora da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursados, estas medidas levarão ao “estrangulamento da máquina”.

Empolgado com a retomada de alguns dogmas neoliberais, O Globo diariamente dá manchete às medidas de “ajuste fiscal” do ministro Mantega. Na edição de 10 de fevereiro, o jornal festejou: “O corte de R$ 50 bilhões nas despesas do Orçamento de 2011 deixará alguns ministérios a pão e água”. No estratégico Ministério da Ciência e Tecnologia, por exemplo, o corte previsto é de R$ 1,3 bilhão. Até o sistema de vigilância ambiental, alardeado após a tragédia carioca das chuvas, corre sério risco de ser enterrado.

A ditadura do capital financeiro

Como se observa, as perspectivas no início do governo da presidenta Dilma Rousseff são preocupantes. Ainda é cedo para se fazer qualquer avaliação mais conclusiva, taxativa. Mas há indícios de que as velhas teses ortodoxas voltaram a ganhar força no Palácio do Planalto, sob o comando do todo-poderoso ministro Antonio Palocci. Na prática, a opção por retomar a desgastada ortodoxia neoliberal, com aumento dos juros e cortes dos investimentos, evidencia a força da ditadura financeira no Brasil.

Esta opção, porém, não tem nada de racional sob o ponto de vista dos trabalhadores. Foram exatamente as medidas heterodoxas de estímulo ao mercado interno, adotadas no segundo mandado de Lula, que evitaram que o país afundasse na crise mundial que abala o capitalismo desde 2008. Nas eleições de 2010, o povo votou na continuidade e no avanço daquele modelo econômico de desenvolvimento e não na regressão à ortodoxia neoliberal.

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