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UM OLHAR SOBRE O NATAL (1)

Prof. Orvandil Moreira Barbosa*

Fui convidado, no mês de novembro, neste ano, a lecionar num curso de curta duração, de 57 horas aulas, intitulado “Qualidade no Atendimento ao Público e Desenvolvimento Pessoal”. Nas primeiras aulas havia um determinado número de alunas. No percurso algumas evadiram-se. Busquei as razões que explicassem o desaparecimento da sala de aula de alunas que conquistaram meu carinho e dedicação. Colegas, suas amigas, me informaram que elas foram aprovadas em seleções para empregos. Disseram que as amigas estavam felizes, pois procuravam trabalho há algum tempo. Ouvi as explicações e pus-me a refletir no que significaria o natal para elas e para mim.

Há uma corrente de pensamento que critica esse período natalino, considerando-o essencialmente comercial e consumista. Tem razão quem pensa assim. Realmente reduzir o significado do natal a isso é perder o núcleo mais profundo que o define. Cristãos sinceros dizem que o natal virou carnaval, cuja comemoração esquece o aniversariante e do homenageado, Jesus.

Porém, há outra força que centro fuga essa quadra de natal e de fim de ano. E essa interessa ao nosso blog. É um gigantesco movimento cultural e social que, como a pressão de tsunami, não necessariamente negativa, pressiona a todos, inexoravelmente. O natal tem conteúdo econômico de enormes conseqüências sociais. Gira a roda da economia. Muitas indústrias e seguimentos comerciais produzem e empregam mais do que em todo o ano. No ano passado, em plena crise do capitalismo internacional, o Presidente da República apelou ao povo brasileiro que não deixasse de comprar, pois muitos trabalhadores dependiam do consumo para se manter em seus empregos. Tudo indica que o natal de 2008 ajudou a salvar o Brasil de uma catástrofe econômico-social. Portanto, parece-me inegável que essa quadra anual tem enorme significado sócio-cultural-econômico. Parece que sua importância meramente religiosa se reduz a poucas pessoas.

Pois é, quando vi que três de minhas alunas eram trabalhadoras, que uma delas era uma graduada em engenharia da água, que as outras duas eram pobres, negras e desempregadas, buscando empregos há anos, passando por humilhações, exercendo funções-bicos e que conseguiram trabalho agora, graças às compras de natal, compreendi que homenagear Jesus é, também, entender o natal como evento e fenômeno social, de graves conseqüências humanas. Há um contingente imensurável de pessoas que passará o natal na miséria ou receberá esmolas de grupos, pessoas e instituições que aguardam esse momento para aliviar suas consciências alienadas da culpa de nada fazerem na luta por transformações. Para uns, o natal serve como alívio das culpas, para outros, como espera da oportunidade de receber alguma esmola mínima. Mas, para milhões de irmãos/ãs brasileiros/os, essa época do ano é oportunidade de cura humana e dignidade social.

Quando soube que minhas alunas conseguiram trabalho e, provavelmente, de modo definitivo, agradeci a Deus pelo nascimento de Jesus e nesse natal louvarei a vinda libertadora do Salvador ....Oro e luto até enquanto viver no sentido da construção de sociedade mais justa, onde não haja mais irmãos, filhos, pais, mães e trabalhadores a aguardar datas especiais para conseguir empregos; uma sociedade justa marcada pelo desenvolvimento onde todos trabalhem e sejam felizes.
*Dom Orvandil: Bispo Cabano, Farrapo, Quilombola e Republicano

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