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sexta-feira

Manifestação honrosa

3 de Abril de 2009 08:59
Foi com grande prazer que recebi na manhã de hoje uma mensagem de Dom Orvandil M. Barbosa, que tive a honra de conhecer na noite de ontem durante o debate seguido da exibição de "O Pagador de Promessas", na estreia do Café com Cinema da Cara Video, promovida pelo Cineclube Paradiso como parte do projeto Cine + Cultura da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD-GO). Na minha modesta opinião, o filme tem em sua maior preocupação destacar a sincera ingenuidade e devoção do povo, em oposição à burocratização imposta pelo próprio sistema católico em sua organização interior. O texto de Dias Gomes chega a ser maniqueísta aos desmascarar, sem sutilezas, os oportunistas. Tanto o segmento social da cidade, que quer tomar partido da situação da melhor forma possível para eles, quanto o vigário local, que barra o Zé do Burro, impedindo-o de entrar na igreja carregando a cruz fruto de sua promessa e os clérigos, que exigem de Zé uma "retificação" de sua promessa, como também os jornalistas que se interessam pelo caso levantando a bandeira em defesa da "liberdade de expressão" que o vigário estaria colocando em jogo, ou pelo menos pretendem parecer estar fazendo isso, quando na verdade, como é colocado na primeira cena dentro da redação do jornal, eles precisam de notícias que façam dinheiro, e não de notícias de qualidade. Aos olhos da imprensa, o Zé Povinho passa a ser um exemplo dos excluídos sociais e tem a ele agregado o ideal de injustiça e liberdade desejado pelo povo, é associado à "revolução" social, à "reforma agrária" e classificado como "comunista" - sem ao menos ter idéia do que são estes conceitos tão alienígenas ao seu universo.Obviamente que, em meu comentário, ressaltei que o filme conta com uma produção técnica excelente, apoiada pela fotografia de Chick Fowle (como alguns ângulos de câmera que colocam os clérigos sempre de forma superior, enquanto o protagonista é focado com uma câmera baixa, mas também quando a câmera coloca, na sequência final, a igreja de cabeça para baixo e a visão de Zé sentado à escadaria sendo filmado através das grades, preso a situação em que está, mostrando alguns toques especiais). É destacável também a montagem concisa de Carlos Coimbra e excelente e segura direção de Anselmo Duarte, um estreante, que faz excepcional trabalho com os atores (destacam-se Leonardo Vilar, passando toda a humildade e sinceridade de Zé do Burro, e Glória Menezes como sua companheira aflita, assim como Norma Bengell que passa grande credibilidade retratando uma personagem instável e difícil) e consegue um gradual desenvolvimento da narrativa até o clímax final, que se fecha de forma densa e sublime.
3 de Abril de 2009 08:59
Fonte: comentário para este blog do Jornalista Beto Leão e crítico de cinema.

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