Novo endereço

Este blog mora em outro endereço. Acesse +Cartas e Reflexões Proféticas e divulgue, por gentileza!

Pesquisar este blog

sábado

Sedução Moral



Correu pela imprensa ontem, sexta-feira, 03/04/2009, mesmo por essa imprensa venal, a chocante notícia sobre o trabalhador “castigado” por seus patrões, em São Paulo. Ele foi entrevistado por uma TV e apareceu chorando, queixando-se de humilhação ante seus colegas, ao ser forçado a passar o dia sentado em uma lata de tinta. Que barbaridade!

Porém, lamentavelmente, isso não é novidade. A sedução moral, como é o caso de nosso trabalhador da triste notícia, tem raízes na escravatura. É de lá que vêm os carrascos e bandidos que maltratam os trabalhadores, tanto a chicotadas como por ofensas morais e verbais. Eles são desumanos, frios e sem respeito. A vida humana de quem trabalha, de quem produz e de quem se gasta para gerar riquezas não merece a menor sensibilidade para esses brutamontes. Foi o que assistimos estarrecidos ontem em rede nacional. Vimos a filmagem da barbárie em tempos pós-modernos.

Dei assessoria a inúmeras empresas de proprietários e diretores que se queixavam da falta de motivação, de alegria e união dos trabalhadores nos vários departamentos de empresas, prefeituras, instituições e sindicatos. Interessante: geralmente quando se faz o diagnóstico para descobrir causas e potencialidades desvenda-se o assédio moral praticado pelos patrões e chefes. Eles não titubeiam em ofender com palavrões, malquerenças, com o jogar uns contra os outros com achincalhe. Aliás, esse tipo de comportamento opressor e enormemente desumano atua em empresas privadas, estatais, escolas, igrejas, sindicatos, outras entidades e instituições. Mais triste ainda é quando gente que se diz de esquerda humilha e oprime as pessoas. Já vi gente dita de esquerda ameaçar, gritar e humilhar, indo da fofoca rasteira e traiçoeira a atitudes fascistas de jogar uns contra os outros. Vi um desses pedindo a todos que jogassem um trabalhador na Sibéria. Na mente psicopata dele, Sibéria era obrigar a todos que não cumprimentassem aquele companheiro nem lhe dirigissem a palavra. Isso aconteceu para que o trabalhador se demitisse. Essa mesma figura diz que não é corajoso o suficiente para dependurar os trabalhadores num gancho ao sol para que sequem e morram ressequidos. Um outro, mas de direita mesmo, semelhante a esse “de esquerda”, defendia a lei do chicote, advogando que trabalhador não tem direito a nada, só a trabalhar e de cabeça baixa, sem falar, protestar, reivindicar e se confraternizar com os colegas. Outro discursava que o mais importante do que as pessoas era a empresa. Por isso demitia e castigava com facilidade. Um outro, apesar de ser trabalhador, era chefe de setor, que chegava na empresa às 4 horas da madrugada e saia à meia-noite, todos os dias, geralmente lamentando da vida, da falta de férias etc, não se fazia de rogado em perseguir e destruir seus próprios companheiros de classe, seus irmãos trabalhadores. Chegou ao ponto de jogar nas drogas alguns jovens, tal o nível de pressão que exercia em seu setor. Mas a empresa o mantinha há 30 anos porque ele ajudava a "aumentar a produtividade e os lucros". Que visão desumana e anti-social de empresa!

Ora, sabe-se que há o ódio de classe conduz mentes e corações dos patrões. Mas há patrões que desenvolvem profundo ódio de classe e práticas desumanas na realação com os trabalhadores. Essa experiência varre como praga nossa sociedade, desde empresas, instituições e famílias, no maltrato com seus trabalhadores domésticos. Essa desgraça tem sua teoria. O neoliberalismo pregou que a história terminara. Leia-se: que a luta de classes não existia mais, que o Estado deveria acabar e que o mercado regularia tudo. No que deu? O neoliberalismo fracassou redondamente, prejudicando principalmente os trabalhadores, que os poderosos tanto odeiam e temem. É preciso redobrar os esforços humanizadores agora nessa conjuntura de crise do capitalismo internacional. Aí os crimes de sedução moral tendem a aumentar. O nível de "loucura" aumenta e a inibição da perda de emprego, também.

Portanto, o assédio moral é uma praga enraizada. Ele pode se comparar a pedofilia, ao estupro, a tortura, a calúnia, injúria e difamação e a todos os crimes de lesa humanidade. Pode causar impotência, baixa-autoestima, destruição de casamentos, alcoolismo, depressão, ao machismo e outros males a ser varridos da sociedade.
Para solucionar tão grande chaga humana e social não basta ter pena de chefes, patrões e diretores chorões que brigam e empestam o ambiente dizendo que não almoçam há muito tempo, que não dormem direito, que não descansam nem tiram férias porque só trabalham e se dedicam à causa da instituição ou empresa. Isso é pura neurose, incompetência e ódio. Para combater essa praga há que se ter consciência humana e disposição de enfrentamento, inclusive em cada um de nós.

Para isso há que se fortalecer a Justiça do Trabalho e equipá-la com Juízes comprometidos e pessoal eticamente cortês com os trabalhadores. Nesse sentido há longo caminho a percorrer. Há que fortalecer os sindicatos de consciência que transcenda o corporativismo, qualificando a classe trabalhadora na sua condição de classe, cujo pensamento é coletivo e voltado para o social, para o universo de todos os trabalhadores. Cursos de liderança e equipe podem ajudar muito e transformar ambientes, podendo remover males crônicos que habitam mentes e corações de chefes despreparados e viciados. Realizei muitos por este país a fora.

Há longa mas profícua caminhada até atingirmos uma sociedade nova e justa, onde não haja mais lugares para os tais “capitães do mato”. Engravatados ou não, mas todos bandidos e violentos.

Abaixo a sedução moral!

Dom Orvandil: Bispo cabano, farrapo e quilombola.

As 10 postagens mais acessadas

Postagens antigas

Seguidores deste blog

Curta e compartilhe

 
Desenvolvido por MeteoraDesign.Blogspot.com | Contato