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Referendo define futuro da Bolívia, por Altamiro Borges*

7 DE AGOSTO DE 2008 - 19h06

O referendo revogatório marcado para 10 de agosto, na qual os bolivianos decidirão, de forma democrática, a continuidade ou não dos mandatos dos atuais governadores e do presidente Evo Morales, bagunçou os planos golpistas da direita racista deste país.
Após bancarem plebiscitos ilegais e com reduzido quorum, que aprovaram a “autonomia” de quatro estados – Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija –, os separatistas temem perder seus próprios mandatos. Eles esbanjaram arrogância na sua iniciativa autonomista, mas agora se acovardam diante da consulta ao povo.


Num primeiro momento, os golpistas desesperados fizeram de tudo para inviabilizar o referendo, desqualificando a Corte Eleitoral e a própria Constituição. Numa ingerência indevida, típica do “império do mal”, o governo dos EUA também fustigou a justiça eleitoral desta nação soberana. Apesar da violenta pressão interna e externa, a Corte Eleitoral não se dobrou aos ataques da elite burguesa e manteve a data do pleito. Derrotada, a oposição golpista partiu para baixaria. Com o apoio militante da mídia venal, ela espalha rumores sobre fraudes e prega o boicote ao referendo.

Mudanças sensíveis no país
Mas, afinal, porque a oligarquia racista, sempre tão petulante, teme o voto popular? Porque, após uma fase de ofensiva feroz, ela ficou acuada? Onde estão os votos dos plebiscitos autonomistas? Cadê a influência da mídia hegemônica? A resposta a estas dúvidas tem relação com as políticas econômicas e sociais aplicadas pelo governo Evo Morales desde a sua posse, em janeiro de 2006. Num curto espaço de tempo, este sofrido país passa por mudanças sensíveis. Não há uma ruptura revolucionária, mas se intensificam as reformas democratizantes que cativam os mais pobres.

Com a estatização do petróleo, os recursos desta riqueza natural agora são investidos em vários programas sociais, beneficiados pela distribuição do Imposto Direto dos Hidrocarbonetos (IDH). O analfabetismo foi reduzido drasticamente; os bairros populares, que nunca tiveram um médico, agora têm postos de saúde; a desapropriação das terras improdutivas acelerou a reforma agrária; um programa similar ao Bolsa Família do Brasil beneficia milhares de bolivianos que passavam fome. Não é para menos que os governadores de oposição têm como alvo de seus ataques o IDH. Avarentos, eles exigem que o tributo seja repassado integralmente aos estados separatistas.


Apesar da gritaria da oligarquia local, das pressões do império e do jogo sujo da mídia venal, o presidente Evo Morales aposta todas as fichas no referendo que definirá o futuro da Bolívia. Ele está confiante nas mudanças efetuadas e no seu respaldo popular. Para ele, o referendo revelará “a consciência política do povo adquirida na luta pela igualdade. O povo se dá conta do que está acontecendo em nosso país e ninguém mais poderá enganá-lo”. Após um período de defensiva, agora são os militantes do MAS (Movimento ao Socialismo) e de outras forças da esquerda política e social que ocupam as ruas e praças numa campanha que contagia as camadas populares da sociedade.

*Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

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