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segunda-feira

Religiosidade de mãos vazias, embora postas



Meu querido Rev. Diácono Cleberson

Meu amigo e irmão Cleberson, tu e teus pais são encantadores em gentileza, bondade, generosidade e espiritualidade. A cerimônia de tua ordenação diaconal aí em Campo Grande – MS foi coroada de beleza litúrgica e espiritual. A presença de muitas pessoas queridas, todas trabalhadoras, de outros sacerdotes e de outro bispo, corou-a de sentido comunitário e profundidade espiritual, fazendo daquele ato forte experiência de Deus e com o povo. Todos sentimos o valor daquela experiência de Deus e do próximo. 

Igualmente, sou muito agradecido à tua família, pela acolhida que vocês fizeram de minha pessoa. Teus pais são verdadeiros anjos, doces seres humanos.

Teu carisma em trabalhar missionariamente com dependentes químicos é extraordinariamente impressionante. Estudaste e te preparaste para essa ação. Alegro-me com tua vocação. Ela é necessária (http://revcleberson.blogspot.com). Há muitas pessoas dramaticamente atingidas por esse mal, notadamente os jovens.

Drogas, crimes, corrupção e violência integram o mesmo mundo. Muita gente “lucra” milhões em cima das drogas. Há clínicas e fazendas que ganham muito em cima dos dependentes químicos. Alguns médicos e psiquiátras vivem em torno da tragédia dos entorpecentes.  Parte do judiciário, dos legislativos e dos advogados bebe na fonte do tráfico de drogas e de suas vítimas. A chamada banda podre das polícias é testemunha de que quem deveria cuidar de nossa segurança é corrompida pela corrupção originada pelos baixos salários e pela sedução promovida pelos coronéis das drogas. Países como a Colômbia e o México são reféns dos poderosos traficantes, que são donos de verdadeiros exércitos marginais, detentores de armamentos, aviões e navios pesados. No Brasil o tráfico e o consumo de drogas ilícitas ameaçam a paz e o tecido social. Todos conhecemos famílias vítimas desse mal, que gera tragédias e destruições. Poucas famílias não são afetadas por suas conseqüências. Os endiabrados traficantes, que geralmente não consomem nem permitem seus filhos consumir, não têm compaixão de suas vítimas, preferencialmente jovens plenos de sonhos. Como os capitalistas, o que lhes interessa é ganhar dinheiro. 

Por isso admiro tua vocação, querido Diácono Cleberson. Lutas em favor das vítimas e lhes leva a boa nova da fé para a resistência que liberta, que dá forças na luta por vida plena. Creio no teu método de trabalho. Alegro-me com tua motivação em mobilizar a comunidade em torno desse projeto. Vai em frente, meu irmão. Em breve serás sacerdote e exercerás o sacerdócio  plenamente e ajudarás ainda mais. 

Outrossim, evoco aqui a contradição entre religiosidade e vida, entre fé e política, entre oração e ação. Pastores e padres mediáticos sublinham sempre o abismo entre fé e ação. Para eles, fé é rezar/orar para que Deus resolva os problemas humanos, sem que lutemos, principalmente por transformações políticas, sociais e econômicas. Muitos pregadores assemelham-se aos traficantes: a inação e a desgraça de milhares lhes são excelentes fontes de ganhos, muitos ganhos. Para eles é fácil pregar prosperidade em cima da miséria dos outros e à custa de seus sofrimentos e pobreza. 

Interessante, quando se pergunta para um católico ou para um evangélico se é assíduo em sua igreja logo responde que costuma rezar ou orar antes de dormir. Foi assim que respondeu o empresário paranaense Carlos Alberto de Oliveira Andrade à mesma pergunta feita por João Dória Jr., apresentador do programa Show Business, na TV Band, na madrugada de 26 de agosto de 2011. Católicos e evangélicos conservadores só se referem a uma dimensão, geralmente a mais pobre: a vertical, que nos liga com Deus. A mais importante, que é a dimensão samaritana e horizontal do engajamento da fé, não mencionam porque não a conhecem. Não têm consciência do radicalismo mais importante da fé. Acentuam superficial e supersticiosamente o aspecto dirigido a Deus, na busca egoísta da salvação pessoal e individual. A classe dominante adora que o povo pense assim. Teme que a fé dê forças para a luta e para as mudanças. É melhor para seus representantes que as mãos sejam postas em direção a um céu "misterioso" do que unidas na luta. É conveniente para eles que os joelhos se esfolem no reforço da alienação do que as mãos se unam na luta revolucionária.   

Graças a Deus, Cleberson, que tu existes na luta concreta. Nesse sentido me sinto feliz em participar de uma organização, que, aliás, presido aqui em Goiânia, que agrega católicos, evangélicos e outras tendências religiosas na luta por mudanças políticas, sociais e econômicas. Na segunda-feira passada eu me encontrava à porta de um local onde haveria um encontro ecumênico aqui em Goiânia quando fui convidado por telefone para uma reunião de uma associação de moradores em Aparecida de Goiânia. Avaliei rapidamente onde haveria mais ação. Conclui que seria no encontro de Aparecida. Fui para lá. Encontrei-me com inúmeros evangélicos, pastores inclusive, na luta por mudanças, por transformações, por justiça social. Afirmo-te, Cleberson, lá encontrei muita fé de verdade e não charlatanice de gente que só quer ir para o céu, sem se preocupar com essa maravilhosa obra da criação e da evolução, essa grandiosa terra, essa sociedade de injustiçados trabalhadores e mulheres batalhadoras. Emocionei-me em ver crianças e adolescentes com olhos brilhantes, ainda que suas ruas sejam de chão batido, sem asfalto. Eles não são alienados nem serão atingidos pelas drogas, esses artifícios alienantes, que afundam na mais escura alienação. Quem luta nunca se droga nem se aliena. 

Lembrei-me que nessa América Latina milhões de cristãos católicos, evangélicos e pentecostais derramaram sangue ao lado dos comunistas, socialistas, democratas e progressistas na luta por justiça social. Muitos desobedeceram papas, pastores e barões de igrejas alienadas para serem fiéis ao Jesus Libertador e revolucionário. Assim aconteceu uma vez quando o Papa João Paulo II, que se negou a mencionar em sua humilia os heróis sandinistas e a rezar por eles, proibindo os padres de participar da revolução na Nicarágua, o povo lhe virou as costas e se negou a receber a eucaristia de suas pacaminosas mãos, dele que colaborou com o imperialismo americano, responsável por tantas desgraças no mundo.    

Cristianismo de quem só pensa no céu e num Deus atento a pessoas individuais, sem compromisso social, não tem nada de evangélico nem ajuda o ser humano a ser melhor. Apenas ajuda a enriquecer padres e pastores.

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