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terça-feira

Traição à justiça evangélica

Wikileaks: Vaticano apoiou a ditadura de Augusto Pinochet 

 

Segundo documento, Igreja entendeu como 'propaganda comunista' os massacres promovidos por militares chilenos 
 

Por: Dodô Calixto, do Opera Mundi 
Publicado em 08/04/2013, 17:23
Última atualização às 17:23

Wikileaks: Vaticano apoiou a ditadura de Augusto Pinochet
Augusto Pinochet desfila no oitavo aniversário do golpe militar de 1973 (Foto: Wikicommons) 
 
São Paulo – O site Wikileaks divulgou hoje (8) documentos do departamento de Estado dos Estados Unidos que revelam o apoio do Vaticano para o golpe no Chile em 1973. Segundo informações do jornal italiano La Republicca, “em nome do Santo Padre”, a Igreja negou denúncias contra os militares, dizendo que as repressões reportadas no país sul-americano se tratavam de “propaganda comunista”.

Um dos documentos divulgados – datados na década de 1970 – mostram o então secretário de Estado do Vaticano, Giovanni Benelli, em diálogo com diplomatas norte-americanos expressando “grave preocupação do Papa Paulo VI (1963-1978) com a campanha de esquerda para distorcer completamente a realidade da situação política no Chile”.

As conversas entre Igreja e EUA ocorreram cinco semanas depois de Pinochet tomar o poder por meio de um golpe de Estado, derrubando o regime socialista de Salvador Allende. Na ocasião, milhares de simpatizantes do regime de esquerda foram presos e mortos.

Na ocasião, o Vaticano admitiu que houve sangue derramado nas ruas chilenas, porém, acenou que os bispos chilenos “estavam fazendo de tudo para corrigir a situação e as reportagens que falam de repressão brutal, pois elas são infundadas”, afirma o documento divulgado.

O Vaticano também afirma que “a cobertura exagerada dos eventos ocorridos no Chile foram uma grande vitória da propaganda comunista”.

Segundo informações do site espanhol Publico, Giovanni Benelli era o braço direito do Papa Paulo VI e teve sua gestão marcada pelo autoritarismo e a forma agressiva como ostentava suas opiniões.
O fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, disse que os documentos não foram vazados, pois estavam disponíveis no Arquivo Nacional dos EUA.

O documento faz parte de um novo projeto do Wikileaks, o PlusD, que agrega 1,7 milhão de textos diplomáticos entre 1973 a 1976, chamados de "Kissinger Cables" – em razão de serem da mesma época em que Henry Kissinger dirigia a política externa norte-americana – e 250 mil de 2003 a 2010, no vazamento mais famoso da organização, o "Cablegate".

O projeto é uma parceria com 18 veículos internacionais, incluindo as agências de notícias Associated Press e France Presse e os jornais La Repubblica, da Itália, La Jornada, do México, Página 12, da Argentina e a Agência Pública, no Brasil.

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