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terça-feira

O Cardeal na mídia se equivocou



Amigo Alexandre

Sei que és um bom católico romano e de que aprecias a teologia da libertação. Admiro tua fé e tua energia para a luta. Teu amor ao povo é encantador. Desde tua juventude sempre soubeste ligar fé e luta por sociedade justa.

Pois bem, amigo, no domingo à noite assisti pela TV Bandeirantes no programa “Canal Livre” a entrevista do Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Scherer.  Ontem novamente ele participou do programa “Roda Viva” na TV Cultura de São Paulo. Da bancada de entrevistadores submissos participaram uma professora de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo e um pastor da Igreja Episcopal de São Paulo. 

Algumas afirmações enormemente conservadoras e retrógradas de Dom Odilo me chamaram a atenção e me decepcionaram. Realmente a igreja romana resvala mesmo para a direita. Por exemplo, a maneira como se propõe a enfrentar as segundas núpcias a partir do pressuposto de que as separações e divórcios só acontecem por parte de quem peca e quebra uma possível vontade divina que torna pretensamente o casamento indissolúvel, de tal modo que quem ouse quebrar a indissolubilidade não merece mais a mesa eucarística, é de uma falta de generosidade e de conhecimento da realidade de um casamento, de doer. Por isso muitas pessoas afastam-se das missas. Elas não encontram solidariedade em quem não sabe conviver com uma mulher ou com um homem, apenas orientando-se por dogmas abstratos e ultrapassados. Interessante, ontem à noite participei de uma reunião ecumênica e nela palestrou uma teóloga, doutora em teologia  por ma universidade italiana. Ao apresentar-se declarou que era divorciada e mãe de dois filhos. No retorno para casa ela, que também é professora da PUC, comentou comigo os absurdos de cardeiais, bispos e padres que não entendem nada de mulher e de casamento e que se metem a avaliar as relações dos outros, a julgar os fracassos matrimoniais e decidir quem pode e quem não pode participar dos sacramentos. Nota bem, Alexandre, a minha conversa aconteceu com uma teóloga católica romana, que discorda frontalmente de posições como as declaradas por Dom Odilo.

Outra declaração do Cardeal foi referente ao aborto. O absurdo da afirmação foi ainda pior e demonstrou o alto teor de machismo em relação às mulheres. Falou de que um feto desde a concepção é ser humano e tal, sem levar em conta outras opiniões que estudam o contrário do que ele disse. Pior ainda foi quando disse que para condenar o aborto de um natincéfalo não se deve nem mesmo escutar a mãe, pois ela não tem capacidade de opinar. Meu Deus. É em nome dessas ideias que a igreja romana, com o pula pula Padre Marcelo à frente, pretende aproveitar a campanha eleitoral desde ano, principalmente em São Paulo, para combater o governo a favor de José Serra, acusando setores do governo federal de abortistas. 

Outra heresia do arcebispo de São Paulo foi a de afirmar que a teologia da libertação acabou, que já passou o seu tempo, que ela exerceu papel importante durante as ditaduras militares no Brasil e na América Latina. Disse que agora vivemos plena democracia. Não há mais necessidade da TL, declarou. Bueno, Alexandre, aí não sei se Dom Odilo se mostrou ainda mais ignorante ou de má fé. Realmente as ditaduras militares já acabaram, mas o imperialismo mascarado do nefasto neoliberalismo, o verdadeiro causador das ditaduras militares, ainda atua fortemente, gerando desgraças e opressões. Dom Odilo ignora ou não quer saber de que há enorme desigualdade econômica e concentração de riquezas e de renda em nosso País e na América Latina. Portanto, há ainda muita pobreza e miséria, que não são causadas por nenhuma vontade divina, mas por profundas distorções estruturais e políticas. Ignora ainda que a teologia da libertação nunca foi propriedade da hierarquia romana nem da igreja católica romana. Pelo contrário, boa parte da hierarquia sempre esteve ao lado dos poderosos e se calou ante as torturas e injustiças. Pelo contrário, a teologia da libertação nasceu com o povo cristão engajado na luta por um mundo mais justo e sempre foi ecumênica. Não depende de hierarcas do tipo Dom Odilo. Cardeais, bispos, padres e leigos que se engajaram na luta pela transformação social foram perseguidos pelos Papas João Paulo II e Bento XVI. Portanto, a teologia da libertação, apesar de perseguida pelas hierarquias e de alguns equívocos, está vivíssima.

Aliás, reza reza, missa por missa, culto por culto ou pedir a Deus que resolva os problemas, sem a nossa luta e nosso empenho pelas mudanças não têm sentido para a fé nem qualquer apoio na teologia da libertação.

A teologia da libertação está vivíssima, Alexandre, e tu és exemplo disso. Parabéns.

Abraços críticos e fraternos.

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