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quinta-feira

Sementes lançadas e anti-faxinismo machista e opressor




Muito prezada Teresa Cristina N. Souza
MD  Assessora de Assuntos para a Mulher do Município de Goiânia

Permite que  confesse que admiro-te, primeiro, enquanto assessora do ex-Presidente Lula e, segundo, como Assessora  de Assuntos para a Mulher do Município de Goiânia. Além disso, és encantadora como mulher que se interessa a fundo pelos problemas femininos. Na forma de falar és abençoada com enorme carisma e poder de colocação. Emocionei-me profundamente com tua fala e depoimentos, inclusive com tua sabedoria em face de provocações e perguntas reveladoras de mau entendimento das obras sociais do governo.  As mulheres e famílias estamos de parabéns por contarmos com pessoa tão competente no assumimento das tarefas de governo com relação aos estudos e projetos em favor do empoderamento das mulheres, principalmente das oprimidas e injustiçadas.  

Tive a honra de participar de toda a programação do “Seminário MULHER, pilar da sociedade”, promovido pelo DCE da Faculdade Universo e pela Federação de Mulheres Goianas, neste dia 6 de setembro de 2011. Não arredei pés um minuto do Auditório Centro Pastoral Dom Fernando, aqui em Goiânia.  O ponto alto foi pela manhã quando, ao lado do Presidente do DCE e da Presidenta da Federação de Mulheres Goianas, tu e a minha grande amiga Gláucia Morelli, Presidenta da Confederação de Mulheres do Brasil, foram protagonistas de falas e testemunhos dos grandes problemas que vivem nossas mulheres no Brasil. Mas, sobretudo, amiga Teresa, o que mais inspira é saber do trabalho que muitas de vocês fazem para libertar a mulher brasileira do estado de miséria, de opressão, de injustiça e de alienação impostos pelo capitalismo e pelo machismo, tremendamente demolidores. 

A amiga e companheira Gláucia testemunhou sobre os projetos que a Confederação promove em conjunto com as federações estaduais, com os governos e inúmeras entidades que se solidarizam em torno de ações concretas em favor das mulheres e de  suas lutas.  Vocês duas me encheram de alegria e de esperança ao demonstrarem ânimo e atitudes a partir de lutas históricas. Percebi que muitas mulheres e homens que participamos do seminário nunca mais seremos os mesmos, graças a vocês. Vocês nos desafiaram a sermos feministas e defensores da causa da mulher. Aprendi muito com vocês. Claro, à tarde fomos muito enriquecidos pelo debate puxado pela Secretária Municipal de Ação Social e Presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, de Aparecida de Goiânia, senhora Carmem Silva. Esta, além de ser bela mulher, empenha-se na construção de projetos em favor das mulheres de Aparecida, uma das cidades mais pobres e de baixa renda “per capita”  de Goíás. 

Evidentemente, todas afirmaram a verdade de que as causas essenciais do sofrimento e opressão da mulher são de ordem política, econômica e social. Gláucia Morelli expressa muito bem essa triste verdade quando escreveu: “Não aceitamos mais que o fruto de nosso trabalho seja sangrado para fora do país pela falta de limites para o envio de remessas de lucro das multinacionais às suas matrizes paquidérmicas. Em 2010 desviaram 117 bilhões de dólares de nossa economia lá para fora, sustentando orgias especulativas rechaçadas nas ruas pelos trabalhadores de todos os continentes. Repudiamos a guerra cambial made in USA que despejou no mundo 600 bilhões de dólares fajutos, alimentados por juros na lua e que está abocanhando e quebrando as empresas nacionais. Não aceitamos mais que o salário conquistado com tanta luta seja transformado em vilão causador de inflação, enquanto 80 bilhões de reais são drenados da Saúde e da Previdência para pagar os especuladores através do superávit primário.

A mídia monopolista e colonizada acha que o mercado é um deus. O que chamam de “mercado” são os monopólios internacionais, os mega especuladores. “Não pode isso porque mercado ficará “nervoso”. Só pode aquilo ele ficará calmo!” O “nervoso” do mercado é o estado apoiando e financiando as empresas nacionais, distribuindo renda e garantindo direitos. “Calmo” o mercado fica quando os monopólios correm soltos, sem a vigilância do estado nacional, para especular com dinheiro público, com matérias primas e alimentos.

“... Das 54.3 milhões de mulheres que trabalham 15.312.600 não têm direitos trabalhistas. Somos 6.230.00 dos trabalhadores domésticos do país e, por esse trabalho ser desvalorizado, porque a maioria é mulher e negra, quase 5 milhões trabalham sem qualquer proteção. Muitas até 10 horas por dia. Quase 60% das trabalhadoras com nível superior  e até 11 anos a mais de estudos que os homens têm rendimentos 60% menores.

As brasileiras querem uma Nação com economia soberana, capaz de garantir oportunidades iguais que permitam progresso das mulheres, ao lado de seus companheiros, decidindo em condições de igualdade os destinos da família e do país”(p.3)[1].
 
Repito, querida Teresa, projetos que elevem a consciência de mulheres e de homens só dignificam e qualificam nossas famílias e nosso país. Tu realmente colaboras com amor e por amor à causa das mulheres e do povo. A emoção ao acompanhar lutas tão dígnas cresce quando vejo em sala de aula, onde trabalho como professor do ensino superior,  centenas de mulheres guerreiras, mas esvaidas em suas energias graças a exploração diuturna a que são submetidas, limitadas apenas à formação profissional e mercantilista, com pouca iluminação política, que lhes permita a consciência da enorme trama machista causada pela exploração. Levantei essa angústia no semninário, como deves lembrar. Em face da fantástica barreira erguida pela exploração que sombreia a consciência, milhões de mulheres não cnseguem se somar a essa correnteza mobilizadora em favor das mudanças.  Tu e a Gláucia responderam a minha angústia em face do emperramento mobilizador a que se entregam mulheres e homens ao se imobilizarem na inércia causada por bombardeios alienantes provindos de todos os lados, principalmente dos homens machistas. 

Porém, lembro bem das respostas que tu e a Gláucia me deram quando perguntei o que fazer ante tamanha inércia, que congela homens e mulheres no conformismo. Vocês disseram: "é preciso continuar a luta sem cessar e com muita paciência". Exatamente isso. Gracas as falas  e aos projetos demonstrados por vocês percebi entusiástica animação por parte de muita gente, que se espalha como as ondas de água no interior de um lago, atingindo as bordas. No almoço conjunto que fizemos com um grupo lá no local a animação era grande. As manifestações que recebi por telefone e por e-mail bem expressam o entendimento que todos/as tiveram. Que bom, companheira! Que bom! A luta não é em vão.

Obrigado por teu trabalho e por seres do jeito como és. Continua assim, amiga. Precisamos de ti. Obrigado à Gláucia Morelli, à Secretária Carmem Silva, à Presidenta da Federação de Mulheres Goianas e ao Presidente do DCE Universo, pelo grande seminário “MULHER, pilar da sociedade”. A luta é árdua, mas frutífera. A mídia lacaia do imperialismo e da classe colonial dominante tenta enfiar em nossa mente que a Presidenta Dilma deva ser faxineira. Este é o título que preconceituosos enfiam sobre muitas de nossas trabalhadoras domésticas, na tentativa de reduzi-las ao interior das residências deles para limpar as sujeiras que eles fazem. Como nossa Presidenta é mulher, com muita honra, tentam reduzí-la a tarefas de limpar as sujeiras que eles praticam. Na verdade, precisamos fazer a faxina da dominação  de 500 anos a que somos submetidos e ao seu machismo atrasado e perverso. 

Ad astra, companheiras, ad astra!


[1] MORELLI, Gláucia. Revista Brasil Mulher.  São Paulo: Publicação da Confederação das Mulheres do Brasil, Editora Maria de Fátima Zanon do Rego Monteiro, Ano XXIII, Março de 2011.

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