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segunda-feira

Assembleia da CESE celebra a luta e o fortalecimento dos movimentos


Nos dias 04 e 05 de junho foi realizada a Assembléia 2009 da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, que aconteceu em Salvador, na sede da instituição. O encontro reuniu lideranças religiosas, representantes dos movimentos sociais e equipe da Diretoria Executiva da CESE que juntos, discutiram amplamente o tema “Criminalização dos Movimentos Sociais e de Defensores/as dos Direitos Humanos”. Além disso, essa edição da Assembléia teve sua importância marcada pela eleição da nova Diretoria Institucional da CESE para o triênio 2009-2012.

Para debater o tema da criminalização e falar de situações emblemáticas vividas pelos movimentos sociais através do relato de experiências, foram convidadas lideranças do Movimento Sem Terra (MST); Vera Lúcia (Lucinha) Barbosa e da Comissão Pastoral da Terra (CPT Nacional); Antonio Canuto. Lucinha definiu a criminalização da classe trabalhadora pelas elites como uma tentativa política de induzir e transformar as ações resultantes do conflito social em crimes. “A criminalização não é só uma violência ou agressão. É mais do que isso. Ela trabalha no imaginário popular reforçando a deslegitimação dos direitos trabalhistas”, defendeu a representante do MST, que completou sua fala destacando a hegemonia do agronegócio e a implementação de políticas assistencialistas como um dos fatores responsáveis pelos atrasos da reforma agrária no país.

Nessa mesma direção, Antonio Canuto reforçou a parcialidade da mídia no fortalecimento da imagem dos trabalhadores rurais como “profissionais da invasão” e listou várias injustiças sofridas pelos movimentos do campo. Com base no último relatório da CPT: “Conflitos no campo – Brasil 2008”, ele reforçou a prioridade do governo em privilegiar a economia, o progresso e o desenvolvimento em detrimento do meio ambiente e dos direitos humanos. “O braço direito do Agronegócio é o Judiciário, que trata a terra como um bem maior e absoluto, e não como um direito de todos”, declarou Canuto, que reforçou a importância do espírito ecumênico e da vida ecumênica no enfrentamento de todo esse processo.

Guerra de informação e contra-informação

Também fez parte deste debate, o antropólogo, professor doutor da PUC-RJ e coordenador do Observatório Quilombola, de KOINONIA, José Maurício Arruti que abordou o tema pelo viés da criminalização dos assessores dos movimentos sociais que são taxados de incentivarem os conflitos. Foram citadas a violência e as ameaças praticadas por diversas representações do poder judiciário e governamental com evidente intencionalidade de constrangimento dos assessores. “Esses profissionais, em geral, sofrem acusações de que antes da intervenção deles não havia conflito”, disse Arruti durante o encontro.

Destacando a capacidade de mobilização da imprensa e a manipulação direta da informação pelos fazendeiros interessados na defesa dos seus interesses, Arruti cita a existência de blogs assinados por supostos quilombolas, que se colocam contrários às ações do movimento. “Se alguém for pesquisar o assunto na internet, pode cair num espaço destes e ter acesso a uma visão manipulada da realidade”, destacou durante a palestra. Para José Maurício uma das alternativas é conseguir que os próprios quilombolas produzam as suas notícias e apresentem a sua versão. “Esta é uma guerra de informação e contra-informação”, concluiu o antropólogo.

Quilombolas pedem por liberdade

Destacando a capacidade de mobilização da imprensa e a manipulação direta da informação pelos fazendeiros interessados na defesa dos seus interesses, Arruti cita a existência de blogs assinados por supostos quilombolas, que se colocam contrários às ações do movimento. “Se alguém for pesquisar o assunto na internet, pode cair num espaço destes e ter acesso a uma visão manipulada da realidade”, destacou durante a palestra. Para José Maurício uma das alternativas é conseguir que os próprios quilombolas produzam as suas notícias e apresentem a sua versão. “Esta é uma guerra de informação e contra-informação”, concluiu o antropólogo.

Para representar os projetos apoiados pela CESE, Roseni Santana, coordenadora da Associação dos Remanescentes do Quilombo São Francisco do Paraguaçu Boqueirão, garantiu presença no encontro pra relatar um pouco da sua luta e do impacto do programa de apoio a projetos da CESE na sua comunidade.

“A CESE é uma das organizações que mais apoia a nossa luta. Nós estamos aqui, nesta Assembleia, que acontece em um momento muito importante para a nossa comunidade, porque achamos relevante dar a CESE a importância que ela nos atribui. O apoio desta instituição demonstra que não estamos sós e o quanto a nossa luta é justa. A CESE é uma grande parceira”, disse Roseni, que, ao lado de Demevaldo dos Santos, do conselho fiscal da Associação dos Remanescentes do Quilombo São Francisco do Paraguaçu Boqueirão, participaram da Assembléia, mesmo com o coração dividido. Naquela mesma manhã, 04 de junho, toda comunidade, os familiares e amigos celebravam e acompanhavam a retirada das cercas dos manguezais da região do São Francisco. Este ato concretiza o começo da vitória travada em uma luta de mais de cinco anos, entre os quilombolas e 13 fazendeiros e 3 posseiros, que estavam impedindo sua atividade de subsistência.

Saiba mais sobre o conflito em São Francisco do Paraguaçu

Impunidade e controle social

Para Lucinha, a CESE poderia ajudar ainda mais os movimentos, colaborando na socialização das informações, fazendo-as circular mais rapidamente para a sociedade civil e para os próprios movimentos. “Muitas vezes, a gente só sabe de alguns acontecimentos pela própria imprensa, que na maioria dos casos, deturpa o ocorrido. Muitas vezes, não temos acesso ao que defende os outros movimentos”.

Para a nova vice-presidente da CESE, Cibele Kuss, a certeza da impunidade é o que muitas vezes motiva o agravamento dos problemas. “É necessário pensar em como a sociedade civil pode exercer algum controle para monitorar o Judiciário e a Polícia Federal, instituições, que detêm tanto poder e atuam em favor dos poderosos”, disse ela, que não se conforma com o tratamento diferenciado dado pela justiça aos ricos e pobres neste país. Anivaldo Padilha complementou a fala de Cibelle: ”É importante reforçar a pressão e o lobby junto ao Supremo Tribunal e a imprensa, através de setores que se mobilizam”.

Fonte: CONIC

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