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É questão de respeito ao Brasil, principalmente

Prezado amigo João Guimarães

Concordo plenamente com o jurista José Gregori. Realmente a Comissão da Verdade deve ser aprovada e o projeto de lei ser consagrado no Congresso Nacional para que se apure as violações dos direitos humanos por parte dos golpistas e torturadores que infernizaram a vida de milhões de brasileiros e lutadores. Desejo ver na cadeira da justiça bispos, padres, pastores e leigos que colaboraram com as torturas ao denunciar pessoas que conheciam e que lutavam pelas trabsformações políticas e sociais. Desejo, inclusive, participar do debate e ver julgados os que sabiam ou tomaram conhecimento das barbaridades praticadas nos anos de chumbo e que se omitiram. Os que já morreram devem ser julgados postumamente e seus familares responsabilizados. 

Por gentileza, leiam abaixo a entrevista  insuspeita de Gregori.

Abraços.

Criar Comissão da Verdade é ter respeito ao passado, diz Gregori

Um tucano histórico — que foi ministro da era FHC (1995-2002) e presidiu o comitê financeiro da última campanha presidencial do PSDB — é um dos mais vigorosos defensores da instalação da Comissão da Verdade no governo Dilma. Para o jurista e militante dos direitos humanos José Gregori, chegou a hora de o país enfrentar seu passado com dignidade.

Por André Cintra

José Gregori Gregori: "A conscientização já é bem maior"
“O Brasil não deu demonstrações de seguir uma tradição que é normal em todos os países — que é o respeito ao passado tal como ele se passou, de todos os pontos de vista. Em alguns episódios, ainda estamos monocórdios — ouvimos apenas alguns setores”, afirma Gregori em entrevista ao Vermelho, na qual critica a omissão do Estado em temas como a escravidão e o Estado Novo (1937-1945).

O jurista defende o texto do projeto de lei 7376/10, do Executivo, que institui a Comissão Nacional da Verdade para “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos” ocorridas entre 1946 e 1988. Ao apurar crimes de lesa-humanidade praticados pelo próprio Estado brasileiro — como tortura, mortes e desaparecimentos forçados —, a comissão pretende “efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”.

Gregori falou ao Vermelho na segunda-feira (27), durante o lançamento do projeto “Resistir é preciso...”, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog para resgatar “a memória da imprensa alternativa, clandestina e no exílio, entre 1964 e 1979, do golpe à anistia”. O ato, simbolicamente, ocorreu no Memorial da Resistência, cujo prédio abrigou um dos mais temidos órgãos da repressão — o Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo).

Vermelho: As propostas de Comissão da Verdade no Brasil parecem um pouco com o mito grego de Prometeu — cujo fígado era devorado por uma águia, mas renascia no dia seguinte, para ser novamente devorado. Será que o PL 7376/10 consegue escapar das águias?
José Gregori: Acho que sim, e basta você perceber o significado dessa noite. Estamos num espaço que hoje é democrático por excelência no Brasil — e se trata do antigo Dops. Estamos aplaudindo o lançamento de um livro do que foi a imprensa alternativa e clandestina no tempo do autoritarismo.

Isso mostra que o processo avança e que há ganhos reais. Mas a democracia perfeita nunca é uma obra acabada, como a estátua de um grande escultor. É sempre um processo. Vamos melhorando a democracia, que tem sempre de avançar, para ser mais inclusiva.

No Brasil, está sendo possível fazer essa democracia lembrando aqueles que lutaram. Por força da censura e das restrições à imprensa, nem todas as pessoas sabem dessa luta. Esse processo restaura, então, uma justiça que se deve fazer por todos aqueles que lutaram pela democracia.

Vermelho: Os brasileiros já entendem o acesso à verdade como um direito fundamental? Há uma conscientização maior a esse respeito?
JG: A conscientização já é bem maior, ainda mais se você levar em conta as deformações da sociedade, da massa, tão preocupada com o consumo e com grau limitado de consciência política.

Tudo isso faz com que a novas gerações precisem ser lembradas e alertadas. Há muita coisa que aconteceu neste país e que essas gerações não conhecem. Daí a importância desse processo. A verdade vem aos poucos — mas vem vindo, sem dúvida nenhuma.

Vermelho: Instituir a Comissão da Verdade contraria a vocação do Brasil de esconder as mazelas de seu passado?
JG: No Brasil, (o ex-ministro e ex-diplomata) Ruy Barbosa (1849-1923) — que foi o grande jurista da República e grande defensor da causa da liberdade dos escravos — mandou queimar todos os arquivos da escravidão. A ditadura do (ex-presidente) Getúlio Vargas (1882-1954) durou quase dez anos, e ninguém fez o levantamento do que tinha se passado.

Quer dizer, o Brasil não deu demonstrações de seguir uma tradição que é normal em todos os países — que é o respeito ao passado tal como ele se passou, sob todos os pontos de vista. Em alguns episódios, ainda estamos monocórdios — ouvimos apenas alguns setores, mas não ouvimos todos. Daí a importância desse projeto da Comissão da Verdade.

Vermelho: Cada um dos 30 países que implantaram comissões da verdade estabeleceram seus próprios objetivos e limites. No caso do Brasil — cuja ditadura militar durou mais de duas décadas e já acabou há 26 anos —, quais devem ser as expectativas mínimas, os anseios mais básicos da sociedade?
JG: É apenas contar o que se passou — e contar de todos os ângulos, de todas as angulações. A comissão não vai oficializar a verdade de um partido, nem de uma seita, nem de um grupo — mas vai oficializar a crença de que muitos colaboram para que o Brasil avance, e todos devem ser lembrados.

Download Clique aqui para ler o PL que cria a Comissão da Verdade


Fonte: o Vermelho

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