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segunda-feira

Democracia imperfeita

Neste domingo pela manhã andei por várias vilas de Campo Grande na companhia de meu camarda Moacir de Abreu, meu candidato a vice-prefeito na chapa Pedro Teruel-Moacir de Abreu. Transitamos por ruas sem calçamento, por buracos e vimos feiras e as casas populares. Conversamos muito sobre o modelo de cidade que temos, que retrata o tipo de democracia tipicamente burguesa. Ou seja, casas populares fabricadas sob os atuais governos do estado e da capital. São pequenas, desconfortáveis, sem privacidade em relação aos vizinhos, inacabadas e com infraestrutura mínima dos mínimos. A prefeitura em conluio com o empresariado do transporte coletivo esfalta as principais ruas por onde passam suas máquinas de carregar gente e envia a conta para os moradores pobres pagar. As cazinhas são oferecidas a deputados estaduais e a vereadores que as doa para eleitores como se fossem prêmios para seus adoradores, que serão eternamente agradecidos pelo "bem" que o "bom" parlamentar fez aos moradores. Cada parlamentar da capital dispõe de cota de casas para entregar a seus eleitores. Mas o que choca é a distância onde são colocados, para onde são empurrados e escondidos os pobres. Os ricos acham feio que os pobres transitem pelo centro. É preciso escondê-los, pois pensam que pobre é bandido e sujo. Daí dê-lhe ônibus caro e desconfrortável para lucrar com os pobres que precisam trabalhar, estudar e até passear.
Contávamos que há um invisível e suavizado aparthaid social. Nos lugares mais aprazíveis e paradiziácos os ricos levantam suas mansões bem muradas, com cercas elétricas para se proteger desses pobres, que podem retornar dos distantes lugares para onde foram atraídos ou empurrados para dentro de tocas mal feitas. Nos lugares outrora alagados ou banhados estão os pobres e trabalhadores, que rivalizam com traficantes e com a polícia para sobrevier, com poucos ou nada de direitos. O atendimento à saúde é precário, os postos policiais são mal distribuídos, com segurança mínima. As igrejas superabundam em número, com denominações para todos os gostos, mas com função bem delineada pela democracia burguesa: a de exercer o controle social e de manter o povo desarticulado a espera de milagres do céu, muitas vezes assustado com fetiches, demônios etc. Líderes religiosos se empenham em "converter" esses pobres que "enfeiam" a cidade dos ricos e transformá-los em consumidores do mercado burguês. No caso do Mato Grosso do Sul, onde ainda estou, o controle social exercido pelas igrejas se estende aos indígenas, na busca de almas e de dízimos. A burguesia ri de tudo isso em suas festas e estravagâncias, mas publicamente exalta o papel do controle praticado pelo exercício alienante de muitas igrejas e religiões. Estudos demonstram que indígenas se "convertem" às igrejas, abandonam suas culturas originais, enfiam-se em gravatas e seguidamente se suicidam por falta de referenciais violentados pela alienação religiosa. Mas isso é "bom" para os proprietários de terras, que as desejam para cultivo de cana e para aumentar seus lucros. Certos pastores são prestigiados por deputados e vereadores por serem bons arranjadores de votos em suas congregações e ganham boas "colaborações" do dinheiro público. Soube, por um aluno meu, que um desses pastores que aparecem da noite para o dia ganhou uma força de um deputado e em breve aparceu com vários carros novos, excelentes apartamentos e uma uma igreja endinheirada. Seu papel na narcotização da consciência popular rende ganhos como bonificação pelos serviços prestados. Isso sem falar nas inúmeras associações de moradores "mantidas" por políticos profissionais, com clara prática do clientelismo eleitoral, sem o menor compromisso de politizar o povo e elevar sua consciência libertária. As entidades que deveriam defender os direitos do povo em favor de sua educação política e de vida, são meros cabos eleitorais de candidatos e políticos de ocasião. E a coisa aqui em Campo Grande tende a se estender por bons anos à frente.
Na verdade, nossa democracia burguesa é muito imperfeita. Os conselhos municipais são ocupados por pessoas que se enchem tanto do convencimento de que representam o povo, que o substituem e o desprezam. Os conselheiros se pensam iluminados e tomados do "santo poder" de advinhar de que o povo precisa, o que o povo sente e até de pensar do que o povo precisará no futuro. Eta gente "poderosa". Assim os burocratas passam por elições regadas a muito dinheiro, pousam de batedores nas costas do povo em época de eleições e depois delas, ganhando ou não, se emboletam no poder e de suas cadeiras-tronos olham o povo de cima para baixo, na continuidade de migalhas para mantê-lo entretido até as próximas eleições.
Nossa democracia é muito imperfeita. Mas se aproxima o tempo em que o próprio povo, animado por seus verdadeiros líderes e direção justa, haverá de reverter a situação e impor participação legítima, social, marcada pelo pensamento e pela a ação coletivos. Naquele contexto não haverá espaço para a pilantragem política, para o desprezo popular e para a injustiça. Lutamos por isso e lá chegaremos, com democracia mais popular, soberana e independente. Naquele contexto a cidade será mais humanizada!

Dom Orvandil - Bispo Cabano, Quilombola e Farrapo.

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