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Paraguai terá reforma agrária "mais consistente", diz Lugo

17 DE JULHO DE 2008 - 15h48
O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, afirmou nesta quarta-feira (16) que promoverá uma reforma agrária "mais consistente" assim que assumir o cargo, em 15 de agosto, e admitiu que a reestruturação do Estado levará tempo.
"Quando se fala de reforma agrária, há uma espécie de medo dos grandes proprietários, dos que não foram sujeitos à reforma agrária e têm grandes extensões de terra", afirmou Lugo.
O ex-bispo advertiu de que os que obtiveram sua propriedade legalmente nada têm a temer. O futuro governante disse também que o que se fez no passado foi "uma distribuição de terras sem assistência técnica, sem crédito, sem rumo", o que, na opinião dele, derivou em "assentamentos (camponeses) fracassados" e em migração do campo para a cidade.
No Paraguai, 66% da terra pertencem a 10% da população, que, por sua vez, monopolizam 40% da renda, enquanto 30% dos seis milhões de habitantes não possuem terra própria, segundo dados oficiais.
Após as eleições de 20 de abril, nas quais Lugo pôs fim à hegemonia política de 61 anos do Partido Colorado, os grupos autodenominados "sem-terra" ocuparam fazendas agrícolas do centro do país e ameaçaram insistir nessa medida de força se não houver uma resposta a suas reivindicações.
Reforma
Já os empresários agrícolas e criadores de gado pediram recentemente o fim das ocupações, encorajadas e realizadas por líderes de organizações camponesas que integram a coalizão de amplo espectro político que levou Lugo ao poder.
Em contrapartida, o ex-bispo reconheceu que a reforma do Estado precisará de tempo, mas antecipou que reforçará a coordenação do governo.
"Não queremos que nenhum Ministério funcione como um rancho à parte, por isso teremos o gabinete social, de educação, político no total e absoluta coordenação", disse.
Posse
Lugo também anunciou a possibilidade de os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez ficarem mais um dia em Assunção após a posse em 15 de agosto para uma reunião bilateral ainda em trâmite.
O dia da posse será muito cansativo,"mas há possibilidade de o presidente Lula ou o presidente Chávez ficarem até o dia 16 para continuar conversando sobre temas pendentes com estes países", afirmou Lugo.
Ao ato de posse confirmaram também presenças os governantes da Argentina, Cristina Kirchner; Bolívia, Evo Morales; Equador, Rafael Correa; Chile, Michelle Bachelet; Panamá, Martín Torrijos, e Honduras, José Manuel Zelaya.
Além disso, deverão estar presentes o príncipe Felipe de Bourbon da Espanha e delegações de vários países da região.
Lugo explicou que está preparando uma semana cultural por ocasião da posse, pelo que alguns convidados chegarão "um dia antes para participar de alguns eventos", assim como do jantar de despedida do qual Nicanor Duarte, presidente em fim de mandato, será anfitrião.
Ele comentou que também está previsto que, no dia 14, o líder boliviano jogue uma partida de futebol na residência presidencial de Mburuvichá Róga, onde Morales já disputou um encontro em junho de 2007.
Fonte: Efe

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