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quarta-feira

Frente Parlamentar (ou prá lamentar?) Evangélica do Congresso Nacional: barricada de artilharia conservadora?




Prezado Deputado João Campos

Encontrei contigo numa certa oportunidade quando fazias campanha eleitoral no Conjunto Fabiana em Goiânia, para reeleição à Câmara dos Deputados. Perguntei-te sobre por qual partido concorrias e me respondeste que era pela PSDB, o mesmo de José Serra, de FHC, Eduardo Cury e de Marconi Perillo. 

Há pouco soube que és líder da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. Sei que és evangélico. Não sei se és pastor ou leigo nem a qual denominação pertences. Apesar de minha ignorância, as informações sobre tua atuação no parlamento são suficientes para as questões que levantarei aqui sobre ti e os serviços que prestas como deputado cristão.

Na semana passada questionei o deputado estadual Fábio Sousa, do mesmo teu partido, mas ele fugiu e não respondeu nenhuma de minhas questões. Contudo, percebo através dos inúmeros acessos às matérias que escrevi àquele parlamentar, a e-mails que recebi e a reações pelo Twitter e pelo Faceboock que o que lhe perguntei faz sentido a muitos brasileiros. Pena que ele fuja e não se integre ao debate, inclusive para crescer e mudar se tiver vontade. 

Respeitosamente levanto algumas das mesmas questões a ti. Posteriormente colocarei questões mais específicas ao teu âmbito de atuação. Ajuda-me a entender o seguinte dilema, deputado João Campos: és evangélico e como tal cristão confesso e praticante. Na condição de cristão segues Jesus, o Cristo. Ora, Jesus viveu, lutou e morreu na condição de pobre e não usurpou ser arrogante, poderoso e acusou os fariseus de túmulos caídos (forte, não é?), de víboras e disse que as prostitutas, os pobres e os publicanos os precederiam no Reino de Deus. Jesus condenou as riquezas e os ricos que dela usufruíam sem consideração com os pobres. O modelo de vida que entregou a seus discípulos foi o de servir principalmente os pobres. Está certo? 

Aqui levanto a ti questões que apresentei ao fugitivo pregador e deputado Fábio Sousa. Se és seguidor de Jesus, o mesmo relatado pelos 4 evangelistas, pobre, perseguido, traído, que não tinha nem mesmo o privilégio das aves e raposas, com seus ninhos e covis para descansar; ele não tinha onde reclinar a cabeça, militando num mundo marcado por belos palácios e mansões que abrigavam os mandões da classe escravocrata e dominante da época, como bem mostram a história e a arqueologia, além do Novo Testamento; mesmo assim preferiu fielmente seguir a trilha dos lutadores e mártires do povo, tu, na condição de seu seguidor, integras o caminho de um partido comprometido até às raízes dos mais escondidos cabelos com os dominadores do poder de exploração, com a corrupção, com a entrega dos bens públicos à máfia nacional e internacional dos cassinos e dos ladrões.  Como podes, irmão João Campos, professar que segues o mestre da vida que ensinou que buscássemos o “... o Reino de Deus e sua justiça...” e, ao mesmo tempo, seres membro de uma visão política direitista, reacionária, autoritária, apoiadora da injustiça, a mais extremada possível, geradora de desemprego, de miséria, de perseguição aos trabalhadores e pobres, como acontece em São Paulo e em São José dos Campos, onde governador e prefeito de teu partido seguem meticulosamente a cartilha neoliberal, essência do programa de tua grei política também aplicada em Goiás pelo Governador Marconi Perillo, que persegue os professores, quebra a educação e a saúde, tão fundamental ao desenvolvimento com qualidade de vida para redimir os trabalhadores e os pobres da miséria e da pobreza? Eu não conheço tua história pessoal nem as razões de tuas escolhas, certamente diferentes do escorregadio deputado Fábio Sousa, cuja família é dona de TV, talvez comprometida com setores dominantes da mídia que serve a propósitos imensamente escusos no Brasil e na América Latina, mas conheço os males práticos de teu partido e do que suas estrelas fizeram quando no exercício dos poderes públicos, usando-os a serviço dos poderosos, dos mesmos que empobrecem, geram injustiças, aliados internacionalmente aos bancos que quebram países e arrebentam com os direitos humanos, como acontece na Grécia, na Espanha, em Portugal e nos Estados Unidos. Conheço bem Jesus e sei onde ele atuaria hoje e não seria ao lado dessas raposas nacionais e internacionais que tanto infernizam o mundo. É evidente que os dois são incompatíveis. Um crucificaria o outro. Sabes quem faria o que, não é? É aí que se instala minha angustia em relação a ti e a outros que seguem Jesus e professam fé no inferno gerado pelo que há de mais putrefato na classe dominante: será, deputado João Campos, que tu segues a dois senhores?  Será que tentas conciliar Jesus com maamon, o salvador com o deus do dinheiro, o pior dinheiro? Não te preocupas com isso? Não temes ser rejeitado pela história e servires de vergonha para muitos que alegam que uma coisa é seguir Jesus e outra é o olhar para “crentes” que só pensam em usar o poder para enriquecimento de suas igrejas e de suas famílias? 

Outra linha de questionamento é com relação à falada Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, da qual és líder. Os testemunhos sobre a ideologia desse grupo integrado por deputados e senadores eleitos pelo povo, para servir aos interesses e necessidades dos cidadãos, são os piores possíveis. Pior em que sentido, meu irmão? Ora, esse grupo é profundamente conservador, reacionário e defende injusta ou equivocadamente causas que não são as da maioria de nosso povo, principalmente seus setores produtivos, trabalhadores e pobres, no que tange aos direitos humanos. Diga-me sinceramente, deputado Campos, lutar contra gays, dar aparência de homofobia, kit gay, concessões de rádio e de TV, camisinha e outras preciosidades é de interesse da maioria de nosso povo e de suas gritantes necessidades? Comportar-se com tanto ódio em relação a opiniões e reflexões pessoais de personalidades do governo é cristão e inteligente? Aí tenho mais uma dúvida: como podem pregadores do Jesus que tanto amou odiar  como os membros de sua bancada evangélica?  Não sou eu que o digo, meu irmão, mas um ateu para quem vocês fizeram muito feio quando desrespeitosamente perseguiram, humilharam e constrangeram o ministro Gilberto Carvalho, um cristão como vocês, embora siga Jesus por um caminho mais próximo da defesa dos pobres. Maurício Dias, escrevendo na Carta Capital, citou o aludido parlamentar ateu que participou da audiência com o ministro e se escandalizou com tanta ofensa. O parlamentar descreveu a situação: “Os olhos dos senhores parlamentares disparavam chispas de fogo, ódio, raiva e intolerância diante daquele enviado do Maligno que se tornara ministro (…). O clima era pesado. Aquela reunião e a Inquisição têm tudo a ver. Tenho certeza que não exagero. O problema para eles era não poder acender a fogueira. Restavam-lhes as línguas de fogo, prontas a queimar o demônio pecador”. Vergonhoso o testemunho de seguidores de Jesus, deputado Campos.  O que parece, meu irmão, é que certos seguimentos evangélicos e católicos no Brasil dão a marcha ré em retorno à Idade Média, agarrando-se à Inquisição, comportando-se como donos da verdade, antidemocráticos e autoritários. A verdade da qual se sentem donos é a dos que dominam, enriquecem em cima do trabalho e produção dos explorados, inclusive empresários altamente patriotas e de visão social, massacrados pelos juros altos, fruto da pressão dos banqueiros, homens e mulheres que investem na produção e que contribuem com o desenvolvimento do País, com quem também a bancada evangélica não se importa.  Tu te alias a essa linha de escarnecedores, deputado João Campos? Esse grupo de tristes colaboradores do demônio alia-se a espíritos fracos e pobres como o Padre Marcelo Rossi, uma marionete boba, manipulada pelos que querem o povo alienado e apático quanto a luta por seus direitos. Esse padre milagreiro e fanfarrão, de sub intelecto, propõe-se a unir-se aos evangélicos moralística e farisaicamente  para protestar contra a aprovação do aborto. Ora, o que ele entende de mulher, de aborto, de família (sei apenas que ele é um filhão mimado, mas isso não lhe dá conhecimento para entender de mulher e de família) e de políticas públicas para sair por aí a mobilizar em torno de dogmas e de “verdades” medievais? O Pe. Marcelo é suspeito de conservadorismo, pois levou José Serra às suas missas, para apoiar como canditado a presidente em 2010, o privatista mor, contra quem há denúncias de graves desvios de dinheiro das vendas das estatais que perversamente fez, de fechar os olhos para os crimes de depósitos de dinheiro auferido de vendas de bens públicos e depositados em paraísos fiscais por sua filha, segundo provas conseguidas por Amaury Ribeiro Jr, autor do recente livro “Privataria Tucana”.

Nota bem, Campos, a questão de fundo, o problema social que vitimiza e mata milhões de mulheres em nosso País não é nem pensado e quanto mais enfrentado pela Frente Parlamentar (ou prá lamentar?) Evangélica. Penso que essas questões de aborto, de casamento gay, de homofobia e tal são mal colocadas, tanto por vocês quanto por setores do governo federal.  Setores esquerdistas (termo de acordo com o que define I. Lênin) só fomentam debates histéricos, moralistas e superficiais, alimentando o ódio e sentimentos conservadores. Penso que se deveria encaminhar projetos relativos à saúde pública e, principalmente, à saúde das mulheres, onde se situa o problema do aborto. Posições abortistas e antiabortistas não resolvem nada. Quanto aos problemas morais deveríamos deixar que cada instituição religiosa aborde no interior de suas igrejas. Dogmas morais não deveriam ocupar o tempo, a energia e o dinheiro público, que paga parlamentares e ministros nem ser usado para rinhas de grupelhos atrasados. 

Proponho também, líder João Campos, que vocês tratem da reforma agrária, da reforma urbana, da reforma das comunicações, da reforma política, da reforma da educação, da reforma da saúde, da reforma do sistema econômico, para racionalizar os juros e a produção etc, mas de acordo com os interesses e necessidades da maioria do povo brasileiro e da soberania nacional. É isso que interessa. Se vocês continuarem na linha de ação em que estão não restará nada mais se não vergonha e constrangimento por parte de milhões de cristãos que se decepcionam com tanto conservadorismo e traição aos interesses sociais, como os que mobilizavam Jesus. Concordas deputado João Campos?

Bueno, finalmente te pergunto, como perguntei ao recluso deputado estadual Fábio Sousa: a qual dos deuses segues? Ao pregado pelo neoliberalismo, ideologia  vértebra de teu partido, do Demo e do PPS, excludente, concentradora de riquezas e de renda, na defesa dos ricaços e poderosos, ou a Jesus? 

Como me disponibilizei ao deputado Fábio, que fugiu e corre risco de não se reeleger, me disponho a conversar contigo para avaliarmos novos caminhos, novas possibilidades. Aceitas ou fugirás, também?

Abraços sinceros e fraternos.

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