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sábado

A gratidão percebe e recolhe a beleza humana




     Prezada senhora Daiyse Grillo Bandeira

    Hospedei-me em seu hotel por alguns dias quando fui à Caxias do Sul, agora em julho. Convivi com a alegria e a disponibilidade das mulheres que trabalham em seu estabelecimento. Elas são todas muito acolhedoras e simpáticas. Adiante listarei seus nomes, que merecem ser pronunciados carinhosa e agradecidamente.

    Desde que me despedi, fazendo rápida reflexão com elas num café no refeitório, penso muito na gratidão. Penso não na gratidão dos subservientes, dos fracos, dos escravos ou dos puxa sacos. Penso na gratidão como a possibilidade de quem é capaz de vislumbrar as pessoas que amam e que servem a outros humanos, apesar das tarefas cinzentas das rotinas cotidianas. Há quem compare o trabalho encrespado do cotidiano como a guerra que vitimiza a saúde, o  humor e a boa vontade das pessoas. Tanto que muitas trabalham o tempo inteiro olhando no relógio. Os salários são insuficientes. As abordagens dos chefes são em forma de pressão marcada por gritos, por imposições, por desrespeito de administradores despreparados para liderar pessoas, lidar com os conflitos e tensões nas relações no mundo do trabalho.  Muitos trabalhadores ao sair de casa despedem-se repetindo a batida frase, que denuncia o estado de espírito das dificuldades e frustrações do trabalho: “vou a mais um dia de batalha”. 


    Na produção dá-se a invisível barbárie entre capital e trabalho. Uns atropelam os outros. Alguns trabalhadores que viram chefes se transformam e se tornam sisudos, ríspidos e até grosseiros, com o objetivo de preservar ganhos e sobrevivência. Chefes tramam contra trabalhadores. Colegas disputam entre si, esquecendo da solidariedade de classe que devem uns aos outros.  As empresas internalizam as pressões que vivem no embate das concorrências, muitas desonestas e desleais, instalando o inferno no interior das organizações. Muitos ambientes de trabalho funcionam como tiroteio entre inimigos e até fogo amigo, destruindo poderes e bases de ação. Caxias do Sul é bem exemplo do campo de guerra, que representa a brutal batalha pela sobrevivência. Algumas trabalhadoras negras de seu hotel me contaram que são discriminadas nessa cidade. Há pessoas aí que pensam, falam e agem como se fosse italianas e não brasileiras. Se bem que se fossem italianas mesmo assim não deveriam discriminar os brasileiros, que alguns dessa elite branca daí considera inferiores. Há poucos meses pobres que se escondiam do frio, refugiados em containers de lixo, foram triturados como se lixo fossem. Isso não é fortuito. Representa muito do preconceito e desse estado de guerra que parte da elite caxiense e brasileira promove contra os trabalhadores e pobres. Alguns desses insensívens até freqüentam igrejas, mas não aprendem nada sobre amor ao próximo. Sua religiosidade é apenas para consumo subjetivo ou para demonstração social. 


     Lê-se constantemente no noticiário sobre as terríveis guerras que os Estados Unidos, no seu afã imperialista por dominar o mundo, promoveram no Vietnan, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia etc, emocionantes gestos e palavras de gratidão. Lá onde a guerra foi ou é real, com bombas a explodir contra corpos e vidas humanas, provocando mortes e decepações de membros, surgem pessoas capazes de socorrer, de solidariza-se, mesmo correndo riscos entre balas e explosões. Volta e meia lê-se depoimentos de soldados que ofereceram seus ombros, suas forças, sua energia e até suas vidas para salvar colegas ou vítimas inocentes da guerra. Alguns soldados morreram enquanto salvavam seus colegas. Tombaram salvando vidas. Por parte dos que sobreviveram receberam eterna gratidão. Gratidão que é percepção semelhante à sonda que perscruta as jóias no mais profundo escuro onde se escondem.   Quem é grato não vira as costas, não fecha os olhos, não esquece, não ignora, não marginaliza, não abandona. 


    Quer dizer, a gratidão nos mobiliza a tratarmos as pessoas com cuidado, com respeito, com gentileza, com dignidade, mesmo entre as balas e bombas cruzadas. A gratidão não aliena nem nos desvia das pesadas e cansativas lutas opressivas do trabalho, mas nos possibilita percebermos os enormes valores humanos que movimentam as pessoas. Valores humanos que devem ser identificados, incentivados, motivados, enriquecidos e cuidados, com gentileza e gratidão. 


     Talvez, senhora Daiyse, eu não seja suficiente e sabiamente agradecido tanto quanto gostaria. Mas carrego imensa gratidão por pessoas que me privilegiam com sua amizade, com seu amor, com seu apoio. Há poucos anos passei por imensa dificuldade, desempregado e perseguido, principalmente por alguém a quem procurei para compartilhar problemas e de quem recebi promessas de solidariedade humana, para logo, em torno de 24 horas após bater à porta de seu escritório,  descobrir que essa pessoa fez complô para me destruir, caluniar e injuriar. Mas, felizmente, tombado no sofrimento ergui por e-mail a voz e ganhei apoio e trabalho de pessoas que realmente fazem diferença. Muitas delas depositaram dinheiro em uma conta bancária para me socorrer. Sou imensamente agradecido a elas. Manifestei-me logo após demonstrando esse meu espírito. 


     Um amigo me contou há poucos dias que um empresário recebeu um trabalhador em sua empresa. Porém, soube que esse precioso trabalhador demonstrava-se muito triste, abatido e com sinais de depressão. Sem rodeios, perguntou-lhe o que se passava com ele e de que maneira poderia ajudá-lo. O trabalhador honestamente lhe contou do abandono sofrido traiçoeiramente por seu irmão e das enormes dívidas que o perturbavam. O empresário perguntou-lhe em quanto importava a dívida. Prontamente disponibilizou-lhe todo o dinheiro de que necessitava (que não era pouco), libertando-o do sofrimento e da humilhação. A importância não era pequena. Meu amigo me contou da alegria e da gratidão do trabalhador ao patrão, pela solidariedade compartilhada. Isso é louvável. A união entre trabalhadores e empresários em torno do bem estar humano é altamente desejável e dígno de gratidão.


    Portanto, senhora Daiyse, a gratidão é força poderosa e bela, que movimenta e habita os espíritos nobres. Esse valor integra o sonho e a luta dos que constroem o mundo de justiça e de paz. 


    Então, peço-lhe o favor de imprimir cópias dessa mensagem e entregar às suas queridas e lindas trabalhadoras, pela beleza e gentil bondade que demonstram no que fazem. Uma delas me disse que costumam tratar os usuários de seu hotel como membros de suas famílias. Muito obrigado às queridas Odete, Neura, Lucia, Marta, Claudete, Kely e Joice.   


    A gratidão sente a alma e os mais profundos tesouros do próximo. A gratidão move-nos  com alegria por entre os escombros e quedas da vida. Obrigado pelo que fizeram por mim com seus sorrisos, conversas, piadas e recepção.

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