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sábado

Lamas na Vidraça


Uma senhora olhava todos os dias para o varal de uma vizinha. Suas observações eram cáusticas sobre a aparência das roupas mal lavadas. Via sujeira, lama e manchas em lençóis, fronhas e outras peças estendidas ao sol, para secar. Ao meio dia e à noite quando o marido e os filhos almoçavam e jantavam ela aproveitava para misturar ao cardápio seus azedumes contra a desleixada vizinha, que não cuidava direito da higiene de sua casa e família, segundo ela. O clima “crítico” manifestava esforço para desgastar a vizinha aos olhos de seus familiares. Até que numa manhã ensolarada o marido aceitou o convite para ver desde a janela da cozinha de sua casa o quanto a vizinha relaxada se quer se preocupava com a avaliação dos vizinhos ao estender suas roupas manchadas. O marido olhou e pediu para a esposa abrir os vidros da janela para ver melhor o varal da vizinha. Ambos olharam e perceberam que num repente as manchas e sinais despareceram. Num repente as roupas se mostravam limpas e sem sujeiras. Então o marido comentou: meu bem, não são as roupas da vizinha que estão sujas e manchadas, mas os vidros de nossa janela é que estão enlameados. Olha para eles e perceberás.
Impressionante, mas esse tipo de “análise” e de “crítica” acontece sempre de novo, inclusive entre pessoas que, obrigatoriamente, deveriam desenvolver outra postura. No caso da mulher da fábula faltou humildade, respeito e paradigma que mediasse postura e análise da vida e do outro, empurrando-a ladeira abaixo na direção da calúnia e da injustiça em seus maus juízos. Mas há pessoas que ocupam posições de hierarquia e outras que se pensam representantes do bem, do puro e do belo, que agem da mesma maneira rebaixada da mulher da fábula. Não poupam seu próximo do que julgam sujo e enlameado, sem jamais se preocupar em abrir suas vidraças, sem nenhuma humildade e autocrítica de que os respingos estejam em suas próprias vidas e histórias pessoais. Num mecanismo de projeção giram suas baterias contra as pessoas julgadas e com vereditos em suas bocas ferinas jogam tudo para desgastá-las com calúnias, na tentativa de prejudicar e destruir.
Modernamente, com a força da mídia, principalmente da internet, há enorme facilidade de se jogar falatórios enlameando as pessoas, de modo a levá-las ao desespero e ao sofrimento. A internet se constituí em meio poderoso de destruição e de sofrimento, embora seja apenas um meio de comunicação. O problema são os critérios – as vidraças sujas – usados por quem tem coração comandado por más intenções e má-fé. É aí que se devem questionar os meios como critério. Os meios que se confundem com os fins se sobrepõem às boas intenções e ao bem, pelo menos enquanto suspeita metodológica. Como crer nas boas intenções de fazer o bem em quem em vez de dialogar, de conversar exaustivamente e construir soluções cooperativas e consensuais joga maledicências por e-mail, alguns com mensagens muito feias e rasas, por telefonemas, torpedos e futricas injuriosas? Se há alguma boa vontade esta se dilui e se perde entre os meios e mensagens torpes veiculadas. Irmãos e conservos que usam tais expedientes se desqualificam na tentativa de destruir pessoas e a própria instituição a que servem.
Mas há outros meios igualmente diabólicos usados por quem se propõe a fazer o mal. Reuniões em restaurantes luxuosos com amigos de pessoas vítimas de desgaste e fofoca são lamas na vidraça de fofoqueiros e demônios. Invadir a casa de um casal, expulsar, prender e caluniar o marido, agredir sua esposa, tentar  comprá-la com promessas e mentiras, ao ponto de levá-la à depressão e à confusão, é igualmente denunciante da satanicidade de quem assim age e não de quem é atingido. Afrontar pessoas com termos carregados de preconceito cultural como “vagabundo”, “marginal” e outras barbaridades são vis e aviltantes, despindo seu assacador de qualquer reconhecimento de boa vontade. Tal possibilidade só é cabível a ingênuos ou a pessoas intrinsecamente conduzidas pela má vontade. Não há bem nem amor em quem assim age. “Pelos seus frutos os conhecereis...”, disse Jesus (Mt 7.16). Eles não se percebem, não se analisam, não se corrigem nem crescem. São puro egoísmo, vazios de bondade e de gentileza. Jesus os define bem: “Por quê você fica olhando o cisco no olho de seu irmão, e não presta atenção na trave que há em seu próprio olho?” (Lc 7. 41ss). Tal conduta causa divisão, sofrimento, doença e voltará violentamente contra seus agressores.
O melhor caminho é o que passa pelo colegiado, pelo coletivo e pela lealdade entre as pessoas, nas instituições. Antes de qualquer calúnia ou opinião pessoal o caminho justo é o do diálogo presencial, ativo e respeitoso com as pessoas diretamente envolvidas e não o da internet, o das ameaças, mentiras e injúrias. O amor leal e serviçal é o projeto de Jesus. Nenhuma página do novo testamento que mostre as fragilidades e pecados humanos deve ser rasgada, mas em nenhuma delas encontramos deslealdade e injúria por parte de Jesus, que cura e liberta sempre.
Portanto, solidarizemo-nos, principalmente nas circunstâncias confusas e dolorosas, em nome do amor que Jesus ensinou quando disse: “... amem-se uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15. 12).
Nós, ++ Dom Rui Costa Barbosa,  Arcebispo Primaz da Mitra Provincial e + Dom Orvandil Moreira Barbosa, nos solidarizamos no amor que Jesus nos ensina, como único paradigma digno de percepção do outro, para o bem da Igreja, de nossas famílias e como testemunho ao mundo.


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