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sexta-feira

Gilmar Mendes mandaria matar Joaquim Barbosa?



Repercutiu muito no Brasil e no mundo o bate boca dos ministros do STF, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Alguns até dizem que os dois faltaram com a compostura à altura do Tribunal e da Justiça.
Por Orvandil Moreira Barbosa*

Penso que o acontecimento não é fortuito. O bate boca e o que disse o Ministro Joaquim Barbosa ao presidente Gilmar Mendes revela tensões importantes que emanam da sociedade. Joaquim chega a sinalizar que Gilmar é imoral, quando diz: “Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim?” E mais: “Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas no Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite”

É necessário que se acompanhe a trajetória do Ministro Mendes para se entender a irritação e a avaliação do Ministro Joaquim Barbosa, que o acusa de imoralidade. Em 2002, quando foi indicado para o STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendes já era apontado como prejudicial à justiça brasileira. Naquele ano, o renomado jurista Dalmo Dallari, advogado e professor de Direito na Universidade de São Paulo (USP), publicou um artigo na Folha de São Paulo criticando duramente a indicação de Gilmar Mendes. Sob o título de ''Degradação do Judiciário'', Dallari registrou em seu artigo: ''(...) O presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo Federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica. Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional''. ''O nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país'', disse Dallari na ocasião. Em novembro de 2008, a revista Carta Capital - incomodada com o evidente protecionismo que Mendes estendeu a Daniel Dantas ao conceder dois habeas corpus para livrar o banqueiro da cadeia - publicou um perfil nada lisonjeiro do presidente do STF. A reportagem resgata as relações da família de Mendes com as várias esferas de poder. A revista de Mino Carta revela como o ministro atua politicamente para reforçar o naco de poder do irmão, prefeito de Diamantino (MT), cidade da família Mendes. A reportagem mostra um homem muito diferente da face pública que tenta impor à sociedade.
Escreve Leandro Fortes: “Em Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, o ministro é a parte mais visível de uma oligarquia nascida à sombra da ditadura militar (1964-1985), mas derrotada, nas eleições passadas, depois de mais de duas décadas de dominação política”.
A reportagem aponta que o irmão de Gilmar, o atual prefeito Francisco Mendes Júnior, vinha conseguindo se manter no cargo graças à influência política do presidente do STF. “Nas campanhas de 2000 e 2004, Gilmar Mendes, primeiro como advogado-geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso e, depois, como ministro do STF, atuou ostensivamente para eleger o irmão. Para tal, levou a Diamantino ministros para inaugurar obras e lançar programas, além de circular pelos bairros da cidade, cercado de seguranças, a pedir votos para o irmão-candidato e, eventualmente, bater boca com a oposição''. Conhecendo este perfil, não surpreende que o ministro Joaquim Barbosa tenha alertado Gilmar Mendes de que ele não estava falando com seus ''capangas do Mato Grosso''.

Portanto, o que se percebe é o reflexo de uma crise significativa que evola-se da sociedade, arrastando consigo compromissos que vêm da ditadura, passam pelos governos criminosos neoliberais de Collor e FHC, chegando nos nossos dias, com um ministro que afronta a justiça e o nosso povo em defesa dos interesses do atraso, da burguesia golpista e desumana. Há poucos dias sua língua ferina atacou as lutas dos trabalhadores rurais e os taxou de bandidos e de marginais. Os compromissos de Gilmar Mendes o denunciam como um dos membros do setor mais reacionário e rancoroso do País.

Penso que ao invés de entrevistados pousarem de bons moços ao dizerem que os dois faltaram com o respeito ao Judiciário vá-se ao fundo da questão e conclua-se que Gilmar Mendes falta com o respeito com a justiça e com o povo. Conclua-se que ele é inimigo da democracia e do desenvolvimento. A bem da justiça, é bom que se perceba que a mídia encabeçada pela Globo, pela Veja e por outros órgãos conservadores protegem Gilmar Mendes. É preciso convocar uma CPI da Justiça no Congresso Nacional e expulsar de nossas instituições pessoas como ele, que anda em sua cidade cercado por capangas fortemente armados.

Quem defende governos neoliberais, que desempregam, roubam e corrompem o Estado não mandaria matar um colega que ouse desafiá-lo?

Nesse momento lembro do profeta Isaías: “O fruto da justiça será a paz” (32,17). Não a paz do falso respeito nem a paz dos cemitérios, mas a paz que provem da justiça, com a qual Gilmar Mendes não tem nada a ver.

*Dom Orvandil: Bispo cabano, farrapo e quilombola.

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