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Helder, o Dom da Justiça por Augusto César Petta*




22 DE FEVEREIRO DE 2009 - 18h54
"Quando dou pão aos pobres me chamam de santo, quando pergunto as causas da pobreza, me chamam de comunista". (Helder Câmara)

Dom Helder faria 100 anos dia 7 de fevereiro
No final de 1973 estive pela primeira vez em Recife. Em pleno regime militar tive a oportunidade de manter contato com personalidades importantes na luta pelas liberdades democráticas em nosso país. Entre elas, Marcos Freire, um político progressista do MDB e Dom Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife.


Helder Câmara - o Dom - como era chamado, já havia se transformado num mito para aqueles que desejavam ver o país livre da ditadura e da influência nefasta do imperialismo estadunidense. Dotado de uma coragem excepcional, Dom Helder denunciava constantemente as injustiças cometidas contra os pobres e oprimidos. Levava uma vida muito simples, procurando sempre ter atitudes que o identificassem com os homens e mulheres das classes dominadas. A repressão não lhe dava trégua, tentando sempre impedi-lo de continuar denunciando as arbitrariedades cometidas contra aqueles que lutavam contra a ditadura.

No momento em que o conheci, Dom Helder já havia recebido duros golpes da ditadura militar. No início de 1969, com o AI-5 decretado, recebemos na residência do meu sogro e da minha sogra, um assessor especial de Dom Helder, o Padre Henrique Pereira Neto. Batista Lemos, atual Secretário Sindical Nacional do PCdoB e Diretor de Relações Internacionais da CTB, estava entre aqueles que recepcionaram Padre Henrique. Padre Henrique era jovem, dotado de um grande dinamismo e de uma capacidade de luta que o credenciavam a ser um dos principais assessores de Dom Helder. No dia 27 de maio de 1969, após ter sido preso e torturado, Padre Henrique foi brutalmente assassinado. Outros assessores e auxiliares da Arquidiocese, dirigida por Dom Helder, foram também submetidos a prisões e torturas. Não podendo torturar e assassinar o Dom, em função da repercussão extremamente negativa que haveria no Brasil e no exterior, os órgãos da repressão dirigiam seu alvo diretamente para os assessores e auxiliares , com a intenção clara de fazer calar a voz poderosa de D. Helder.

Mas, todos esses ataques brutais da ditadura, foram em vão. Logo após o assassinato de Padre Henrique, Dom Helder condenou o fato. Um ano após, mais precisamente no dia 26 de maio de 1970, Dom Helder produz um vigoroso pronunciamento em Paris, com repercussão internacional, condenando firmemente a prática de torturas a presos políticos no Brasil. Em 1972, foi lembrado para receber o Prêmio Nobel da Paz, mas o regime militar abortou esta justíssima homenagem, divulgando um dossiê na Europa alegando tratar-se de um comunista.

Nasceu em Fortaleza, Ceará, em 7 de fevereiro de 1909. Filho de um guarda-livros e de uma professora e teve 13 irmãos, sendo que 5 deles faleceram no prazo de um mês, vitimados por uma epidemia de difteria em 1905. Faleceu em 27 de agosto de 1999. O Senador Inácio Arruda ( PCdoB-CE) autor da proposta no Senado Federal da realização de uma Sessão Especial para reverenciar o centenário de seu nascimento em 7 de fevereiro de 2009, afirmou com muita ênfase que a honra de "ingressar nas fileiras do Partido Comunista do Brasil, Dom Helder não nos deu mas, pela sua conduta que nunca absorveu a subordinação e a bajulação dos poderosos, tem lugar assegurado entre os que se destacam na edificação de uma sociedade justa e igualitária".

Foi o próprio D.Helder que afirmou: "Quando dou pão aos pobres me chamam de santo, quando pergunto as causas da pobreza, me chamam de comunista".

*Augusto César Petta, professor, coordenador- técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES) e membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB.
Fonte: Artigo no Vermelho

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