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quinta-feira

'Que momento histórico!' diz líder comunista americano


Tyner, vice do PC EUA
6 DE NOVEMBRO DE 2008 - 14h43
Aconteceu em 4 de novembro de 2008 — Barack Obama se tornou nosso primeiro presidente afro-americano. Que momento histórico este. Uma nação que manteve as pessoas de ascendência africana em cativeiro por 300 anos e negou-lhes direitos de cidadania, no âmbito da ''era Jim Crow''*, por mais de um século, elegeu um presidente negro. Não há nada mais histórico que isto.
Por Jarvis Tyner, vice-presidente do PC dos EUA
Essa eleição foi uma das mais dramáticas na nossa história, porque foi uma eleição de transformação, representando o fim da ala extrema-direita do poder republicano e o início de um novo surto democrático, que poderá mover nosso país para uma direção progressista.
Que o candidato que representa essa mudança democrática seja negro, não é pouca coisa. A luta contra o racismo foi colocada objetivamente no centro do debate eleitoral a nível nacional.
A eleição de Barack Obama representa um poderoso golpe contra o racismo e a favor da democracia.
Sem uma luta vigorosa contra o racismo, Obama não teria vencido. Para votar em Obama, dezenas de milhões de eleitores brancos tiveram de superar as influências do racismo.
A campanha Obama-Biden levou milhões a reconhecer que o racismo não é só moralmente errado, mas é também um obstáculo para uma vida melhor para todos.
Refletindo esta era, Obama tinha um programa mais avançado para a classe trabalhadora do que Al Gore e John Kerry, e recebeu mais votos de eleitores brancos.
Muitos trabalhadores brancos tiveram de ser convencidos que questões básicas de classe, de economia e da paz não poderiam ser superadas sem que a questão racial fosse derrotada. Isso pode ser uma nova plataforma para fazer avançar todas as lutas.
Este é um momento de orgulho para os americanos negros. A votação negra foi a maior da história e a chapa Obama-Biden não teria sido eleita sem esses votos. É um voto que não deve ser tomado como um favor.
O ''problema'' que Obama supostamente tinha, de não ter o apoio dos brancos, transformou-se em um problema para McCain, que sofria do nível historicamente baixo de apoio da comunidade negra e latina — algo jamais examinado pelos meios de comunicação.
Obama construiu a mais ampla, a mais abrangente coligação eleitoral multirracial da história dos Estados Unidos, indo desde a maior parte da ampla esquerda para um grande número de eleitores republicanos e de personalidades nacionais. Negros, jovens e sindicalistas foram as forças principais desta coalizão.
A eleição de Obama dá continuidade às grandes lutas pelos direitos civis do século passado. Sem os Atos dos Direitos Civis e dos Direitos de Voto, obtidos durante os grandes movimentos civis da década de 1960, sua eleição não teria sido possível.
A ''campanha/movimento'' Obama está ajudando a definir o cenário a favor de uma ofensiva contra o racismo, pela paz e pela justiça econômica.
Lembro-me do humor entre os negros e no resto do país depois da grande marcha em Washington, em 1963, por Empregos e Liberdade. Foi chocante. Agora, a confiança dos negros, suas esperanças e sonhos de liberdade e a sensação de que ''nós podemos vencer'' retornaram.
As pessoas esperaram por horas nas filas, para sacramentar seus votos. Foi como na África do Sul em 1994, quando os sul-africanos votaram pela primeira vez. Literalmente, milhões de negros se inscreveram e acorreram às urnas para votar.
Enquanto eu fazia o trabalho de registrar eleitores no bairro do Harlem, conheci muitos velhinhos que se registravam para votar pela primeira vez. Perguntei a um deles ''por que se registrou agora?'', e ele me respondeu que ''depois de Iowa, eu senti que nós tínhamos uma chance de lutar para realmente mudar as coisas e eu tinha de ser uma parte dessa luta''.
Um membro da campanha de Obama disse-me um dia que foi abordado por um trabalhador imigrante, que agradeceu por ele votar, ''porque ao votar em Obama na terça-feira, você está votando por pessoas como eu, que não podem votar''.
Muitas pessoas nas ruas estão dizendo que ''esse é verdadeiramente um novo dia, eu nunca pensei que ia viver para ver um presidente negro''. Alguns perguntam, ''será que foi o homem ou o momento que tornou possível esta vitória?'', eu digo que foram ambos.
Após essas eleições as coisas nunca mais serão as mesmas. Você não pode colocar o gênio da luta de volta à garrafa. Essa eleição serviu para as pessoas tomarem de vota seu país das mãos do capitalismo degolador, que cuida somente de seus lucros, não das pessoas.
Eles deram à nova administração e ao Congresso um mandato progressista.
As graves conseqüências humanas do colapso econômico, da crise da energia e do impacto da globalização precisam ser enfrentadas com um programa que rivalize o New Deal, em tamanho e abrangência. É nisso que as pessoas votaram.
Há lágrimas de orgulho em nossa comunidade hoje porque as forças do racismo e do belicismo foram derrotadas nas urnas. Há também lágrimas de alegria entre os trabalhadores de todas as etnias e nacionalidades, porque podem ver um novo dia se aproximando. Um dia em que a justiça econômica, a paz e a igualdade serão conquistadas. É para isso que devemos lutar.
Jarvis Tyner é vice-presidente do Partido Comunista dos EUA.

*As leis de Jim Crow foram leis estaduais e locais decretadas nos estados sulistas e limítrofes nos Estados Unidos da América, em vigor entre 1876 e 1965, e que afetaram negros, asiáticos e outras raças. A ''época de Jim Crow'' ou a ''era de Jim Crow'' se refere ao tempo em que esta prática ocorria. As leis mais importantes exigiam que as escolas públicas e a maioria dos locais públicos (incluindo trens e ônibus) tivessem instalações separadas para brancos e negros.

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