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sábado

Eleições e ilusões



Meu amigo Ivan trabalha num caminhão que serve como feirão, bem nas proximidades de onde moro. Outro dia o encontrei carregando um saco de frutas às costas. Fazia enorme esforço pela sobrevivência sua e de sua família. O Ivan é um trabalhador tipicamente brasileiro. Faz parte desse enorme contingente de trabalhadores braçais. Divide seu tempo no trabalho no feirão de sua propriedade e em uma empresa, como empregado.

No mesmo dia em que o vi carregando um saco de frutas percebi que em sua camioneta havia a propaganda de um candidato a vereador sinalizado com um número de um partido de direita, que favoreceu amplamente a atuação perversa do neoliberalismo em nosso País. Esse partido serviu de apoio ao governo neoliberal de FHC, que promoveu o escancaramento do Brasil para o controle de nossa economia por parte de grandes interesses internacionais, marcando a desnacionalização, a venda de grandes estatais e o desemprego em massa. Meu amigo Ivan sofreu as conseqüências daninhas daquela política apátrida. Ele também perdeu o emprego, daí a razão de instalar uma fruteira sobre um velho caminhão, trabalhando dia e noite, semanas e feriados, sem interrupção. Ivan foi atropelado pelo neoliberalismo, com enormes prejuízos à sua família.

Engraçado, bem próximo ao trabalho do Ivan está a sede Estadual e Municipal do Partido Comunista do Brasil. E, como tenho intimidade com ele, lhe perguntei porque não ajudava a fazer campanha para um candidato do PC do B. Ele me respondeu: “ora, porque esse aqui é meu amigo, é gente fina, preciso dar uma força para ele. Se a gente não ajudar os amigos quem os ajudará?”

Saí pensando e refletindo: 1. não é pelo fato de os trabalhadores pertencerem a um classe operária, que carrega em si as sementes da revolução, que espontaneamente se conscientizam de seu estado de exploração. Não, espontaneamente os trabalhadores não percebem o grau de barbarismo que sofrem cotidianamente do capitalismo, de suas políticas manipuladoras, alienantes. O fato de ser trabalhadores não é fator de consciência política, embora a classe trabalhadora seja a mais importante na produção de uma sociedade e a mais importante no protagonismo das transformações sociais. Pelo contrário, sem direção e educação políticas os trabalhadores se marginalizam da luta e se submetem a chantagem e aos falsos discursos da classe dominante; 2. refleti sobre a enorme ilusão representada pelo falso discurso de se votar nos amigos, nas pessoas e não nos partidos. Aí está uma grande enganação promovida por inúmeros candidatos de direita que “enfeitam” a campanha eleitoral com fotos, frases vazias e números dos candidatos sem as siglas de seus partidos. Esse é um discurso que beira a má-fé, salvando-se apenas os inocentes e ignorantes. Ora, não há nenhuma pessoa suficientemente boa que não tenha que se submeter ao poderoso jogo de interesses nos executivos e nos parlamentos. Não há candidatos de partidos dos bonzinhos, dos mauzinhos ou dos isentos das pressões. Não há quem livre os/as eleitos/as da força política coletiva do poder. Não há candidatos individuais. Pensar assim é cair na ilusão de que as pessoas individualmente tenham o poder de ser boas e de por si mesmas servir aos amigos. No poder, os/as candidatos/as só têm um de dois lados para servir: atendem a interesses pessoais e de grupos ou respondem aos interesses dos trabalhadores e da maioria do povo. E para isso têm que se filiar a partidos, muitos deles com programas e fundamentações teóricas a serviço de alguma classe, embora alguns deles serviam apenas como legendas de aluguel a serviço de vendedores de ilusões e como fontes de rendas para seus proprietários em períodos de campanhas eleitorais.

Portanto, deveriam receber os votos apenas candidatos/as que sirvam aos interesses do povo, que sejam filiados a partidos com o perfil da luta e da integração permanente nos movimentos sociais. Por isso se deve escolher candidatos/as realmente integrados ao pensamento coletivo, que saibam se submeter ao povo, aos seus interesses e às suas profundas necessidades e não a amigos e familiares. É grande o nosso desafio de superação dessa mentalidade clientelista e amistosa de fazer política. A ação política que passa pelo parlamento e pelo executivo deve atender ao mais profundo anseio de mudanças de nosso povo. Nessa campanha eleitoral de cunho municipal o desafio é o de desenvolver cidades mais humanas para a maioria do povo. Para responder a esse desafio devemos se eleger pessoas que tenham compromissos partidários de caráter popular, democrático e que lutem por desenvolvimento com distribuição de renda; 3. pensei que não basta saber-se da sede e do endereço de um partido revolucionário, mas é necessário que os militantes intervenham na realidade para estudá-la e dirigir a luta política. Os trabalhadores não seguem placas e endereços do partido revolucionário, mas só entendem a revolução quando os revolucionários agem concretamente na direção e organização dos trabalhadores... Essas eleições municipais são importantes como espaço para amadurecimento político de todas as pessoas, candidatos/as e eleitores/as.

Dom Orvandil – Bispo Cabano, Quilombola e Farrapo.

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