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domingo

Rojões idiotas, multidão ruma às escuras e a esperança da luta de classes



Querida Talita


És uma mulher maravilhosa, amada por tua comunidade porque integras a vida que se nela move e que a move libertadoramente, e te dedicas diuturnamente à causa dos pobres. As leituras sobre os atos de tua comunidade são de inspiração total a quem aprende a amar e a lutar pelo próximo.



Aqui no Brasil conjuntura rica e contraditória ferve e impressiona o mundo inteiro. Há esperanças e sustos por todos os lados. Só não há silêncio e quando o há é ruidoso.



Participo e observo de perto tudo o que acontece. Da metade da semana passada até hoje recebo manifestações, perguntas e até ataques de várias partes do Brasil. Na quinta-feira à noite recebi telefonemas me perguntando sobre como analiso tudo isso.



Como este blog se aproxima dos 200.000 acessos há quem resolva escrever em outros blogs e sites para me atacar ou, para minha honra, para comentar o que aqui escrevo ou repercuto. A muitos que se dirigem a mim de forma honesta e direta eu respondo e polemizo com prazer até o momento em que o debate contribua para os dois lados, às vezes de modo mais açodado, de outras mais levemente. No Facebook há reações interessantes: há pessoas muito raivosas, mal preparadas e antidemocráticas. Uma me chamou a atenção por, segundo ela, ser casada com um metalúrgico aposentado e amigo do ex Presidente Lula e que se declara profundamente decepcionado com seu ex-líder sindical. Por isso ela é tão agressiva na defesa do mercado, do neoliberalismo e na volta do arrasa pátria FHC. Não me convence, embora eu goste de conversar com ela. Pelo jeito sempre foi reacionária e de baixa condição reflexiva e ideológica. Pois um lutador autêntico não muda de lado nunca. Só os traidores e rasos mudam ou mostram que nunca lutaram nas trincheiras libertadoras. Basta um empurrãozinho da conjuntura para mostrar o que sempre pensaram e de que lado sempre se acomodaram.



Outro, que alega ser alto funcionário não sei de que órgão federal em Brasília – mostra-se bastante nebuloso – com quem tentei manter debate analítico e sério, em dados comentos expôs desfiles de teóricos e autores, dando a entender que é possível surfar santamente por cima do conflito de classes e, nas nuvens do bem imaginado e idealista, encontrar males, horrores e barbaridades do lado dos da direita (com quem ele é bastante compreensivo) e dos da esquerda (com quem ele é bastante cáustico e arrogante), identificando muitos erros (sempre em maior número e gravidade) deste lado, debati por um tempo ao ponto de ele rebaixar a discussão para a depreciação de mim e do meu currículo.  Mas o senti nele foi ódio imensurável contra Lula, Dilma e todos os mais profundos que construíram paradigmas novos de relações políticas e sociais, reconhecendo a classe trabalhadora como sujeito do processo.



Numa conjuntura de tiroteios de todos os lados as pessoas desvelam suas confusões e até, as mais empedernidas e refratárias a transformações. É momento de juízo. Inclusive há coitadinhos que ainda caem na conversa mole neoliberal do fim da história, do conflito de classes e das posições de esquerda e direita. Mas algumas dessas eu perdoo, porque não são más. Não lideram nada. Buscam compreender a realidade. Algumas até leem alguma coisa e escrevem alguns termos em outras línguas que não a portuguesa. Estudar, ler e escrever pode abrir as mentes. Tenho esperança nelas. Gosto delas.



Há pessoas lúcidas, inteligentes e humildes como a Assistente Social e Professora Universitária Carmem Barbosa, que debatem e aproveitam o que nasce da boa fé para ampliar e aprofundar as consciências sobre nossa conjuntura. Parabéns, minha amiga.



O pior é o ódio como é o caso do misterioso de Brasília e como os que pilotavam um carro preto de luxo, que me seguiu por longo trecho nessa madrugada, quando retornei de um casamento da cidade de Guapó, aqui na Grande Goiânia. Suas abordagens incomodaram e tentaram intimidar. Felizmente numa manobra os despistei. Foram-se enevoados em mistério.



É momento de reflexão cuidadosa e amorosa com nosso povo e com nossa Pátria. Felizmente há muitos sinais maravilhosos de esforço não arrogante, mas inteligente de compreensão dos fatos. Para o bem da verdade e da justiça não há como negar o conflito de classe e ideológico ativos e informes nas manifestações. Ocultar essa verdade é refrescar a direita e o imperialismo. O que mais aconteceu nessas manifestações foram conflitos de classe e ideológico. A Globo, os jornalões, a direita, os terroristas e o imperialismo de um lado, o povo de outro, apanhando e enrolado no escuro, como sempre.



Nesse domingo leio que tentativas de entendimento de uma luta grávida das sementes de demonstrações revolucionárias de mudanças, por um lado, e de golpe que trava a energia represada, por outro.



Pelo lado dos esforços honesto por entender o que há de mais justo leio artigos e leituras dignas de atenção. Posto um abaixo, o do jornalista Marco Aurélio Weissheimer, que mostra com bastante precisão e simplicidade uma análise do espírito dos fatos, separando o joio do trigo. E linko o blog de outra jornalista e socióloga que faz cronologia das manifestações em São Paulo, referência para todo o País. Marília Moschkovich (Está tudo tão estranho, e não é à toa.faz, de dentro da passeata confusa e violenta, uma cronologia dos fatos com a intenção de fornecer material para interpretação de quem causa terrorismo, atentados a pessoas e ao patrimônio público. Vale a pena ler. Duas dicas de Marília parecem ser importantes: uma é sobre as várias caras que o golpe de Estado pode adquirir. Ela viu no terrorismo, que retirou a polícia dos cenários de guerra e das manipulações da mídia uma máscara do golpe; a outra é a atual embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, que é a mesma que era embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai, por ocasião da derrubada no Presidente democrática e constitucionalmente eleito, Fernando Lugo. É preciso averiguar e denunciar isso.



As notícias que cruzam nossas buscas dão-nos conta de que há medidas encaminhadas desde as primeiras horas de ontem, sábado, para canalizar a fantástica energia mudancista de nosso povo. Uma é a de partidos de esquerda, de modo bastante plural, que debatem os encaminhamentos em relação ao movimento à busca de justiça por parte de nosso povo. A outra é a Presidenta Dilma, cumprindo o que prometeu em sua fala à Nação na noite de sexta-feira, dia 20 de junho, que chamaria o movimento MPL, os Três Poderes da República, as entidades dos movimentos sociais e pressionaria o Congresso Nacional para a aprovação do projeto de 100% dos royalties do petróleo para a educação, além de contratar médicos estrangeiros para atender o serviço público da saúde e outras e ouvir diretamente dos atores do movimento sem a mediação da mídia safada.



Rapidamente a manhã chega e com a luminosidade do sol da justiça entenderemos o que realmente se passa e o que o povo pede através dessas manifestações. Pessoas de boa vontade e patriotas trabalharão respeitosamente com todos os poderes da República, com o povo organizado, sem subversão da democracia. Porém, não há que ignorar os papéis de todos que proponho no artigo anterior a esse e do único caminho mobilizador que une e reforça a energia transformadora. Podemos e devemos enfrentar os rojões da direita idiota e marcharmos para fora do brete ao qual quer empurrar os inocentes.



Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano. 

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Não há um “movimento” em disputa, mas uma multidão sequestrada por fascistas




O que começou como uma grande mobilização social contra o aumento das passagens de ônibus e em defesa de um transporte público de qualidade está descambando a olhos vistos para um experimento social incontrolável com características fascistas que não podem mais ser desprezadas. A quem interessa uma massa disforme na rua, “contra tudo o que está aí”, sem representantes, que diz não ter direção, em confronto permanente com a polícia, infiltrada por grupos interessados em promover quebradeiras, saques, ataques a prédios públicos e privados, ataques contra sedes de partidos políticos e a militantes de partidos, sindicatos e outros movimentos sociais? Certamente não interessa à ainda frágil e imperfeita democracia brasileira. Frágil e imperfeita, mas uma democracia. Neste momento, não é demasiado lembrar o que isso significa.
Uma democracia, entre outras coisas, significa existência de partidos, de representantes eleitos pelo voto popular, do debate político como espaço de articulação e mediação das demandas da sociedade, do direito de livre expressão, de livre manifestação, de ir e vir. Na noite de quinta-feira, todos esses traços constitutivos da democracia foram ameaçados e atacados, de diversas formas, em várias cidades do país. Houve violência policial? Houve. Mas aconteceram muitas outras coisas, não menos graves e potencializadoras dessa violência: ataques e expulsão de militantes de esquerda das manifestações, ataques a sedes de partidos políticos, a instituições públicas. Uma imagem marcante dessa onda de irracionalidade: os focos de incêndio na sede do Itamaraty, em Brasília. Essa imagem basta para ilustrar a gravidade da situação.
Não foram apenas militantes do PT que foram agredidos e expulsos de manifestações. O mesmo se repetiu, em várias cidades do país, com militantes do PSOL, do PSTU, do MST e pessoas que representavam apenas a si mesmas e portavam alguma bandeira ou camiseta de seu partido ou organização. Em Porto Alegre, as sedes do PT e do PMDB foram atacadas. Em Recife, cerca de 200 pessoas foram expulsas da manifestação. Militantes do MST e de partidos apanharam. O prédio da prefeitura da cidade foi atacado. Militantes do MST também apanharam em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre outras cidades. Em São Paulo, algumas dessas agressões foram feitas por pessoas armadas com facas. E quem promoveu todas essas agressões e ataques. Ninguém sabe ao certo, pois os agressores agiram sob o manto do anonimato propiciado pela multidão. Sabemos a identidade de quem apanhou, mas não de quem bateu.
Desde logo, cabe reconhecer que os dirigentes dos partidos, dos governos e dos meios de comunicação têm uma grande dose de responsabilidade pelo que está acontecendo. Temos aí dois fenômenos que se retroalimentam: o rebaixamento da política à esfera do pragmatismo mais rasteiro e a criminalização midiática da política que coloca tudo e todos no mesmo saco, ocultando da população benefícios diários que são resultados de políticas públicas de qualidade que ajudam a vida das pessoas. Há uma grande dose de responsabilidade a ser compartilhada por todos esses agentes. A eternamente adiada Reforma Política não pode mais esperar. Em um momento grave e difícil da história do país, o Congresso Nacional não está em funcionando. É sintomático não ter ocorrido a nenhum dos nossos representantes eleitos pelo voto convocar uma sessão extraordinária ou algo do tipo para conversar sobre o que está acontecendo.
Dito isso, é preciso ter clareza que todos esses problemas só poderão ser resolvidos com mais democracia e não com menos. O rebaixamento da política à esfera do pragmatismo rasteiro exige partidos melhores e um voto mais esclarecido. A criminalização da política, dos partidos, sindicatos e movimentos sociais exige meios de comunicação mais responsáveis e menos comprometidos com grandes interesses privados. Não são apenas “os partidos” e “os políticos” que estão sendo confrontados nas ruas. É a institucionalidade brasileira como um todo e os meios de comunicação são parte indissociável dessa institucionalidade. Não é a toa que jornalistas, equipamentos e prédios de meios de comunicação estão sendo alvos de ataques também. Mas não teremos meios de comunicação melhores agredindo jornalistas, incendiando veículos de emissoras ou atacando prédios de empresas jornalísticas.
Uma certa onda de irracionalidade atravessa esse conjunto de ameaças e agressões, afetando inclusive militantes, dirigentes políticos e ativistas sociais experimentados que demoraram para perceber o monstro informe que estava se formando. E muitos ainda não perceberam. Após as primeiras grandes manifestações que começaram a pipocar por todo o país, alimentou-se a ilusão de que havia um “movimento em disputa” nas ruas. O que aconteceu na noite de sexta-feira mostra claramente que não há “um movimento” a ser disputado. O que há é uma multidão disforme e descontrolada, arrastando-se pelas ruas e tendo alvos bem definidos: instituições públicas, prédios públicos, equipamentos públicos, sedes de partidos, jornalistas, meios de comunicação. Os militantes e ativistas de organizações que tentaram começar a fazer essa disputa na noite de quinta foram repelidos, expelidos e agredidos. Talvez isso ajude a clarear as mentes e a desarmar um pouco os espíritos para o que está acontecendo.
Não é apenas a democracia, de modo geral, que está sob ameaça. Há algo chamado luta de classes, que muita gente jura que não existe, que está em curso. Não é à toa que militantes do PT, do PSOL, do PSTU, do MST e de outras organizações de esquerda apanharam e foram expulsos de diversas manifestações ontem. Com todas as suas imperfeições, erros, limites e contradições, o ciclo de governos da última década e em outros países da América Latina provocou muitas mudanças na estrutura de poder. Não provocou todas as necessárias e esse é, aliás, um dos fatores que alimentam a explosão social atual. Mas muitos interesses de classe foram contrariados e esses interesses não desistiram de retornar ao poder plenamente. Tem diante de si uma oportunidade de ouro.
Como jornalista, militante político de esquerda e cidadão, já firmei uma convicção a respeito do que está acontecendo. Uma multidão cuja direção (rumo) passou a ser atacar instituições públicas, sem representantes, sequestrada por grupos de extrema-direita, que rejeita partidos políticos e hostiliza manifestantes de esquerda, não só não me representa como passa a ser algo a ser combatido politicamente. Ou alguém acha que setores das forças armadas e da direita brasileira estão assistindo a tudo isso de braços cruzados?

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