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segunda-feira

Marcha com Jesus, parada gay e Congresso da UNE: onde há mais sinais de seriedade e compromisso éticos?




Querido amigo universitário Jade


Sabes que gosto muito de ti, não é meu amigo? Na verdade sonhei com possibilidades de vararmos muitas madrugadas em altos papos sobre a realidade brasileira e sobre o mundo onde vivemos. Nossa última conversa lá na rodoviária de Rio Verde, de onde saías para o novo local de estudos e de tua formação acadêmica em Minas Gerais e eu viajaria aqui para Goiânia, deixou marcas e gostosas lembranças em mim.


Inegavelmente és um jovem brilhante que consegues aliar teus enormes potenciais com a capacidade de acolhimento das pessoas que amas e de sorrir para a vida. Admiro tua relação profundamente afetiva com tua irmãzinha cuja foto ilumina o perfil de tua página no Facebook. Confesso-te que diariamente acesso-a para diminuir minha saudade de ti e de tua irmã. Torço todos os dias para que preserves essa capacidade simples de amar as  pessoas apesar de aprofundares tua caminhada acadêmica. No universo acadêmico nos deparamos com tantas pessoas de narizes empinados e arrogantes, que vivem e pensam dentro de bolhas como se seu mundo fosse o real e o nosso, o dos humanos do vale do São Francisco, composto de irmãos e irmãs pobres, humilhados/as, injustiçados/as e sofridos/as, onde se consegue sorrir, apesar de tudo, fosse coisa nojenta e mal cheirosa para eles. Eles, os “intelectuais” cheirosinhos, se acham donos da verdade e acima de quaisquer suspeitas. Tomara que nunca resvales para lá, mas continues esse guri bacana e simples que és.


Querido Jade, sabes que aconteceu o Congresso da UNE em Goiânia? Fui a alguns atos que aconteceram aqui na Praça Universitária e lá no Centro de Convenções no centro desta capital. Cheguei a imaginar que participaste deste grande evento estudantil. Olhei para todos os lados para te enxergar, mas não te vi em meio aos quase 10 mil estudantes de todo o Brasil.


Rapaz, emocionei-me com a gurizada maravilhosa do nosso universo estudantil superior brasileiro. Num momento em que acontecem muitos movimentos, ver e ouvir os jovens universitários brasileiros é de enchermo-nos de esperança. O congresso de estudantes faz gritante contraponto com outros acontecimentos sociais que se revestem de verdadeiro caráter de banalidade e de insignificância, mesmo que reúnam mais pessoas. Do outro lado, “parada gay” e “marcha com Jesus”, são ricos em superficialidades e exposição de produtos comerciais. Dei-me conta de que a parada gay e a marcha com Jesus são essencialmente a mesma coisa. Ambas são esguichos irritantes de moralismos e falta de conteúdo social e político. Os gays gritam, se refestelam, se queixam, choram, reclamam de todo o mundo, mas agem e tagarelam como se não existisse nada mais sério no Brasil a ser enfrentado no campo das reformas e dos direitos humanos. Para os gays e suas paradas não existem escravos, indígenas sob massacre dos latifundiários bandidos e assassinos, mídia golpista aliada ao que há de mais obsceno politicamente, ameaça imperialista às nossas riquezas, ao  nosso patrimônio como a Amazônia, o nosso pré-sal, desemprego, analfabetismo, não existe mais nada para eles do que suas manifestações exibicionistas e sexistas.


Do mesmo lado alienado da parada gay atuam os crentes da marcha com Jesus. Pastores, cantores e animadores empresários travestidos de evangélicos dominam a passeata dos que se consideram as pessoas mais santas, puras e boas do mundo. O conteúdo ideológico que os orienta é o mesmo da parada gay: a alienação e, pior, quando decidem politicamente inclinam-se para a direita, na defesa dos poderosos, da classe dominante, dos grandes proprietários – vide a chamada bancada evangélica no Congresso Nacional, sempre em apoio aos interesses mais conservadores possíveis - no sucesso capitalista, na venda de quinquilharias “religiosas”, cujas fábricas, editoras e lojas de crentes ganham muito dinheiro com os irmãos consumidores. A marcha dos santarrões na verdade é pressão que os donos de igrejas fazem sobre a mídia por mais espaço e compra de canais de rádios e TVs para ganharem mais dízimos com a expulsão de demônios e de "curas" divinas, tudo em nome de Maomon – o deus do dinheiro.


Da mesma maneira que a parada gay, a marcha com Jesus marca-se pela apatia social em completa ignorância dos grandes problemas nacionais. Para aquela gente nunca existiu ditadura militar, neoliberalismo, concentração de renda e de riquezas nem invasão imperialista.  Os pastores, donos de igrejas e da insensibilidade de seus seguidores, não se comovem com a história da desgraça promovida por entreguistas como FHC, José Serra, Malan, Aécio Neves e outros que jogaram 54 milhões de brasileiros no desemprego, nas drogas, nas doenças e na ignorância. Não, para eles, que gostam de diabos e demônios, o que importa é ganhar rios de dinheiro com expulsões de demônios teatrais com atores previamente ensaiados para impressionar. Não fazem nem dizem  nada contra a iniquidade econômica e social gerada e reforçada há 500 anos em nosso País. São verdadeiros páreas a produzir páreas e sufocamento da consciência de cidadania. Ignoram completamente os profetas que construíram a missão profética denunciando as injustiças e suas causas. Rasgaram o profetismo de suas bíblias e o transformaram numa profecia exibicionista, plataforma de vaidades e de mentiras moralistas. Jesus para eles não é mesmo que nasceu e lutou pela salvação libertadora dos pobres na Palestina. O Jesus da marcha com “jesus” é um artefato americano de olhos azuis,  um Jesus Tio Patinhas conivente com a exploração e com a destruição dos pecadores. O céu que pregam, onde reina o jesus artefato, é um paraíso meio que parecido com a Disneylândia dos gringos.  


Quando vejo crentes alienados do tipo desenhado pelos donos da marcha com Jesus me lembro de uma lenda. Conta-se, segundo essa história popular, que Jesus caminhava com seus discípulos pelas estradas da Palestina quando passou por um homem que, de joelhos, de mãos postas, clamava aos céus implorando que Deus desatolasse de um lamaçal a sua carreta. Adiante Jesus deparou-se com outro na mesma situação, porém um detalhe fazia toda a diferença: o homem puxava, lutava, xingava os bois, blasfemava (vocábulo que os “santinhos” adoram para julgar os outros) e gritava para que o barbudo e seus 12 amigos o ajudassem. Jesus prontamente pôs-se a ajudá-lo a empurrar a carreta até que a desatolaram. Os discípulos reclamaram: Mestre, aquele outro se ajoelhou pedindo reverentemente que Deus o socorresse e o tu nada fizeste para auxiliá-lo?! Ao que Jesus respondeu: ocorre que o primeiro não fez nada para resolver o problema, apenas pediu que Deus fizesse tudo por ele. Este briga, fala mal, mas luta e pede ajuda. Este homem é certo e não outro, que é preguiçoso.


Pois é Jade, esse bando de donos da marcha com Jesus assemelha-se com o primeiro homem da história. Não fazem, não dizem nada nem denunciam as causas das injustiças. Pelo contrário, temem que a situação mude e percam suas fontes de riquezas. Quando oram pedem para Deus mudar ou terminar com o mundo. Nesse sentido ainda prefiro a manifestação de Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT) que, ao criticar o Congresso Nacional, disse que “o Poder Legislativo tem sido omisso no cumprimento de seu papel de fazer lei e garantir o fim da injustiça social”. Há nessa fala muito mais proximidade de Jesus do que a festa alienada da marcha evangélica.


Portanto,  vejo muito mais profetismo, seriedade, fé e compromisso com o próximo no Congresso da UNE do que na em parada gay e na marcha com Jesus. Emocionei-me ao ver tantos milhares de adolescentes e jovens na luta por uma sociedade mais justa, plenos de alegria e de esperança. A eleição da amadinha e linda Virgínia Barros que, desde uma estatura de 1m. e 53cm., se agigantou na sua condução à presidência da entidade estudantil universitária. “Com um horizonte complexo e desafiador à frente, Vic parece não se intimidar. A pequena de Garanhuns lembra constantemente do irmão Vinícius, que faleceu jovem, ainda aos 27 anos, para inspirar a sua própria ascensão. Maior ídolo da presidenta da UNE, ele deixou, segundo ela, o exemplo do envolvimento constante em causas coletivas, sociais, humanitárias, em tudo aquilo que pode, de certa forma, mudar o mundo.


Hoje ela cresce, dentro da UNE, sabendo que não está sozinha. Sua citação favorita, publicada no seu perfil do Facebook e extraída do romance único de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”, atesta como 1,53 pode ser, definitivamente, a altura de uma pessoa enorme:


“A sabedoria está exatamente em não se fechar nesse mundo menor. Humilde, o homem abandona a sua individualidade para fazer parte de uma unidade maior, que é de onde retira sua grandeza” (site da UNE).


A plataforma que guiará as ações da UNE no próximo biênio é de uma eloquência impressionante com relação à compreensão da realidade, que exige luta ampla em favor das mudanças na construção de relações mais justas nesta sociedade. Tudo o que os estudantes brasileiros querem é o que a sociedade brasileira necessita:

1. 10% PIB para Educação Pública;
2. 100% dos Royalties e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para Educação Pública;
3. Democratização do acesso e permanência na universidade;
4. Cotas raciais e sociais nas universidades estaduais;
5. Regulação do ensino privado e proibição do capital estrangeiro;
6. Mais qualidade nas universidades brasileiras;
7. Curricularização da extensão universitária;
8. Uma política macroeconômica que esteja a serviço do desenvolvimento do país. Não ao contingenciamento e cortes de verbas para pagamento da dívida pública;
9. Contra os leilões do petróleo;
10. Investimento de 2,5bi em assistência estudantil;
11. Direito à Memória, Verdade e Justiça. Pela revisão da lei de anistia e punição dos criminosos da ditadura;
12. Democratização dos meios de comunicação.

O congresso terminou conclamando os estudantes à luta quando, em suas resoluções,  disse que “a realidade que queremos conquistar é ainda mais ousada. Assim, diante da Plenária Final do seu 53º Congresso Nacional, unidos e cheios de esperança, convocamos a juventude para tomar para si o seu futuro e o futuro de nosso país, defendendo a Jornada Nacional de lutas em agosto de 2013, ao lado de todos os movimentos sociais. É hora de ocupar as ruas e tomar as universidades...”

Abaixo posto as resoluções do congresso e um vídeo. Neles percebemos que o espírito dessa maravilhosa juventude é muito santo, eu diria muito mais santo do que a santidade dos fariseus que se escondem atrás de seus preconceitos moralistas e nada fazem para transformar essa injusta sociedade.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.
Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano.

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A União Nacional dos Estudantes chega à reta final de seu Congresso, em Goiânia, neste sábado e domingo. Com participação recorde de jovens, representando universidades de todo o país, o Congresso definiu hoje as principais resoluções da UNE para o próximo período. Foram aprovados documentos nas áreas de Conjuntura, Educação e Movimento Estudantil. A plenária aconteceu na Goiânia Arena durante todo o dia e, em consequência da grande disposição dos estudantes, seguiu pelo início da noite na capital goiana.


A primeira resolução demonstra o olhar da UNE sobre a situação política, social e econômica no mundo e no Brasil. A entidade aponta a crise no modelo financeiro internacional, os problemas estruturais e desemprego em países da Europa e Estados Unidos como sinal do enfraquecimento do sistema capitalista. Lança seu olhar também sobre a América Latina, esperando maior integração do continente e aponta a necessidade de protagonismo no Brasil.


A educação brasileira deverá ser, de acordo com as resoluções deste Congresso, a principal luta do movimento estudantil. Além da trincheira enfrentada na questão dos 10% do PIB, 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação, deverá ganhar muito fôlego a reivindicação pela assistência estudantil, mais bolsas universitárias, restaurantes, bibliotecas, creches e outras melhorias nas universidades. Também será reforçada a luta pela regulamentação do ensino privado, do fim do vestibular e da reforma universitária.


Quanto à atuação da UNE, a tendência é de ampliação de encontros da entidade e suas formas de atuação. Atividades de combate ao racismo, machismo e homofobia na universidade, assim como o fortalecimento das ações de cultura e extensão envolvendo o movimento estudantil.


Leia abaixo a íntegra das três resoluções aprovadas no Congresso da UNE, para as áreas de Conjuntura, Educação e Movimento Estudantil.

O 53º Congresso da União Nacional dos Estudantes realiza-se em meio a um contexto histórico e político muito peculiar. Este é um cenário da crise política do capitalismo, de fortalecimento da integração da América Latina e o Caribe e de importantes conquistas para a juventude e os estudantes. Assim, os desafios que se apresentam para o movimento estudantil são do tamanho do Brasil.


O cenário político a nível internacional é de relevante intensidade e efervescência. Na Europa e nos EUA a crise do modelo capitalista aflorou a face mais conservadora da direita do continente. As políticas de ataques aos direitos sociais e civis da juventude e dos trabalhadores tem levado esses atores às ruas de maneira massiva apresentando o questionamento do Imperialismo e a necessidade de superação do capitalismo. Enquanto isso na América Latina avançamos na integração da região e do protagonismo do Brasil. O fortalecimento do Mercosul, UNASUL, ALBA e CELAC, este último como o primeiro órgão multilateral continental que envolve todos os países da América Latina e do Caribe da história. Assim, a partir da eleição de governos progressistas nos países da região o cenário político na América Latina e o Caribe tem sido de avanços. É nesse sentido que defendemos o avanço do processo de integração e cooperação entre os nossos países fortalecendo a integração social, política, educacional e cultural. E, a adoção por parte do Brasil de eleições diretas para o PARLASUL (Parlamento do Mercosul).


No Brasil o cenário não é distinto. Chegamos a esse 53º Congresso da UNE com o acúmulo de 10 anos de um novo ciclo instalado no país. Encontramos um Brasil mais democrático, com políticas sociais de inclusão social e com desenvolvimento soberano. Entretanto as necessidades do povo brasileiro ainda são estruturais. Ainda somos aproximadamente 13 milhões de analfabetos, 50% dos domicílios brasileiros não possuem saneamento básico, a escola pública continua sendo de baixa qualidade e com altíssimos índices de evasão, os casos de racismo, homofobia, machismo, etc. ainda são muito presentes na sociedade brasileira. Nesse sentido precisamos avançar na luta por mudanças ainda mais profundas na sociedade brasileira que fortaleçam o desenvolvimento soberano do país, que combata todas as formas de preconceito e injustiças, e com mais democracia.


Dessa forma , a luta pela democratização dos meios de comunicação assume um papel central para a democratização da sociedade brasileira. Não contribui para a democracia o fato de termos um oligopólio na área das comunicações onde poucas famílias controlam a programação de toda a população. Assim sendo, a mídia atual não representa a opinião pública, mas apenas a opinião publicada. Por isso, a luta pela consolidação de um novo marco regulatório para a comunicação é fundamental.


Ainda, defendemos o direito ao desenvolvimento, contudo, o crescimento econômico necessita estar atrelado ao respeito ao meio ambiente. Nesse sentido destacam-se três aspectos: o aproveitamento dos recursos energéticos do país, a defesa intransigente da soberania da Amazônia bem como de todos os biomas e o dialogo com os movimentos sociais e com as comunidades tradicionais.


Por isso, o ciclo de conquistas sociais iniciado por Lula e continuado por Dilma precisa ser aprofundado. Assim, honrando a história daqueles que lutaram pela democracia e soberania do nosso país convocamos a reedição da campanha “O Petróleo é Nosso! Contra os leilões!”.

Os países que mais investem em educação são também, e não por acaso, as maiores potências em desenvolvimento econômico, social e político do mundo. O Brasil ainda está distante desta realidade, mas no cenário internacional ascendeu economicamente e em qualidade de vida, conquistando expressão política mundial. Consideramos que são muitos os desafios para um país que quer se desenvolver de forma sustentável e soberana, mas consideramos também que temos muito a nosso favor, de um lado uma amplitude de recursos naturais à nossa disposição, de outro, uma população inventiva, expressiva, otimista e com muitas potencialidades.


Os últimos 10 anos, com a abertura de um novo ciclo de maior democracia e participação do povo, foram de muitos avanços para a educação brasileira. Com o processo de expansão das federais e democratização, em especial o REUNI, o número de matriculas nessas universidades dobrou. Com o ProUni mais de 1 milhão de jovens brasileiros realizam o sonho de ingressar na universidade. O Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) garante que muitos estudantes não evadam e concluam seus cursos. Essas conquistas, fruto da mobilização estudantil, construíram um cenário muito positivo para a educação brasileira. As conquistas mais recentes dos estudantes brasileiros foram a reserva de 50% das matriculas das IFES para estudantes oriundos da escola pública e o lançamento do Programa Nacional de Bolsa Permanência com o protagonismo central da UNE. Contudo, essas conquistas não caíram do céu. Foram inúmeras jornadas de luta em todo o país, greves, ocupações de universidades, do Congresso Nacional e da própria Esplanada dos Ministérios, paralisações, reuniões e encontros.Assim, esse contexto apresenta ainda, importantes contradições e desafios.


Apesar dos inúmeros avanços na área educacional, muitas contradições seguem presentes no quotidiano da educação. Ainda, somente 13% da juventude brasileira tem acesso ao ensino superior e as universidades possuem um forte caráter elitista. Além disso, 75% das matriculas em ensino superior no Brasil seguem no setor privado que continua em expansão e sem regulamentação. Ainda, o processo de desnacionalização da educação brasileira que hoje já atinge o número de 20% das IES privadas que pertencem a grupos econômicos internacionais fortalece o processo de mercantilização do ensino. O recente caso da fusão entre a Anhanguera e Kroton apresenta um importante debate sobre a qualidade e a manutenção do tripé ensino, pesquisa e extensão. Ainda mais, apresenta um cenário preocupante de perda de soberania cientifica e tecnológica e da produção do conhecimento. É nesse sentido que a luta pela aplicação de 10% do PIB, 50% do fundo social e 100% dos royalties do Pré-sal tem caráter estratégico no sentido de inserir a Universidade no processo de desenvolvimento brasileiro.


Por fim, a Universidade possui um papel estratégico na sociedade. Muitos avanços foram conquistados com muita luta. Porém, muitos são os desafios rumo a educação que queremos, superar a educação sexista que reproduz esteriótipos que enclausuram mulheres e homens em mundos divididos em rígidos padrões de comportamento, que beneficiam a desigualdade de gênero. Assim, fortalecemos o compromisso com a luta pela Reforma Universitária dos estudantes.

A UNE tem sido protagonista das principais conquistas dos estudantes brasileiros. Nesse último período conquistamos a criação do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), conquistamos o número de mais de 1 milhão de bolsistas no ProUni, a reserva de vagas de 50% das matrículas das Universidades Públicas para estudantes oriundos das escolas públicas. Outro passo importante foi a inclusão do direito a meia-entrada no estatuto da juventude, a UNE tem lutado para que a meia entrada, banalizada pela MP 2208-2002 no governo FHC, seja de fato assegurada aos estudantes. A regulamentação da meia-entrada reduzirá o preço dos eventos em 30% e garantirá um piso de 40% dos ingressos sejam vendidos sob lei em todos os eventos culturais no país. Ainda, a expansão das universidades federais que levou a duplicar as vagas nas universidades públicas e a criação do Programa Nacional de Bolsas Permanência tem a marca da luta dos estudantes, tem o carimbo da UNE.


Todas essas mudanças estão transformando o perfil da universidade brasileira e a UNE precisa ser o reflexo desse novo ciclo, que permite uma nova composição social inserida no ensino superior. Para isso, o Movimento Estudantil precisa se desafiar a tornar-se cada vez mais forte a rede da UNE. Os encontros temáticos tal como o Encontro de Mulheres Estudantes (EME), o Encontro de Negros e Negras da UNE (ENUNE) incluindo o Encontro de Estudantes em Defesa do SUS, realizado junto com a Bienal da UNE, fazem da UNE uma entidade que dialoga com o novo perfil dos estudantes brasileiros, fruto do processo de avanços na educação do país. É com as UEE’s, DA’s, CA’s, Executivas de Curso, Atléticas, Empresas Juniores, toda a rede da UNE, que conquistamos vitórias para mudar a realidade dos estudantes brasileiros.

A realidade que queremos conquistar é ainda mais ousada. Assim, diante da Plenária Final do seu 53º Congresso Nacional, unidos e cheios de esperança, convocamos a juventude para tomar para si o seu futuro e o futuro de nosso país, defendendo a Jornada Nacional de lutas em agosto de 2013, ao lado de todos os movimentos sociais. É hora de ocupar as ruas e tomar as universidades por:


1. 10% PIB para Educação Pública;
2. 100% dos Royalties e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para Educação Pública;
3. Democratização do acesso e permanência na universidade;
4. Cotas raciais e sociais nas universidades estaduais;
5. Regulação do ensino privado e proibição do capital estrangeiro;
6. Mais qualidade nas universidades brasileiras;
7. Curricularização da extensão universitária;
8. Uma política macroeconômica que esteja a serviço do desenvolvimento do país. Não ao contingenciamento e cortes de verbas para pagamento da dívida pública;
9. Contra os leilões do petróleo;
10. Investimento de 2,5bi em assistência estudantil;
11. Direito à Memória, Verdade e Justiça. Pela revisão da lei de anistia e punição dos criminosos da ditadura;
12. Democratização dos meios de comunicação.


Da Redação











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