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sexta-feira

Avanços contra os massacres e contra a execução fascista!



Querido amigo e companheiro Juan Jose Vazquez

Sou-te muito agradecido pela acolhida solidária e fraterna juntamente com essa multidão de militantes pensadores. Emocionei-me ao ver ao vivo tantos milhares de pessoas juntarem-se para celebrar a vitória. Já vi maravilhas aqui no Brasil na luta contra a ditadura, na Campanha pelas Diretas Já, na eleição de Lula etc, mas o que aconteceu aí em reverência aos heróis venezuelanos e latino americanos foi de arrepiar até “os cabelos da alma”. 

Tenho notícias de que em vários lugares de nossa Pátria Latina elevaram-se cerimônias em torno da invasão violenta dos colonizadores europeus quando aqui chegaram em 12 de outubro de 1492 para matar nossos povos indígenas e arrastar os irmãos africanos para serem submetidos à barbárie em suas mãos ensangüentadas. Para cá trouxeram o português, o latim, o espanhol, o francês e as impuseram aos nossos povos, em total desrespeito as suas culturas, organizações sociais, religiões, valores, ética etc. As línguas são ricas em conteúdos, filosofias, simbolismos e ideologias impostas à espada e com o crucifixo em mãos. Os colonizadores, em nome da chamada descoberta da América, assaltaram nossas riquezas e chacinaram indígenas e negros, apelidando nosso Continente com o nome de um europeu, Américo Vespúcio, como se aqui não morasse nem vivesse ninguém. Deram-se ao desplante de invadir, roubar, torturar e matar em nome do “encontro de civilizações”. Seus “evangelizadores” aqui chegaram para as missões de pacificar os grandes guerreiros, na verdade vieram “apaziguá-los” para o massacre. As mulheres submetidas à prostituição e todos destruídos pelas gripes, pelo álcool e pelas guerras. 

Outra celebração impressionante que iluminou boa parte de nossa Pátria Latina foi a celebração da luta, revolução e imolação de Che Guevara no altar da guerrilha libertadora.   Nosso herói foi fulminado no dia 09 de outubro de 1967, na Bolívia. 

É impressionante, Juan, ver milhares de pessoas se reunirem em estádios de esportes para celebrar Che com tanta vibração, para elas ainda vivo em seus corações e em seus sonhos. As falas de intelectuais, indígenas, mulheres trabalhadoras, homens operários, jovens universitários, padres, pastores e evangelistas, todos falando a mesma linguagem que explode em nossas almas com força muito maior do que as balas com que os imperialistas mataram Che e tentaram sufocar a revolução. Pelo contrário,  os imperialistas eternizaram nossos sonhos e reforçaram nossa luta. 

Alguma falas ecoam como cantos que emocionam e que unem nossas lutas e nossos povos. Alguns comparam Che Guevara com Simon Bolívar. Ambos eram internacionalistas, respeitadas suas diferenças por razões teóricas, táticas e estratégicas. Ambos lutaram por uma América Latina livre de dominação e unida pela democracia social e econômica. Che lutou contra o imperialismo estadunidense e contra as oligarquias cubanas e bolivianas. Bolívar lutou contra a Metrópole Espanhola, a sede colonial que dominava os países hispânicos latinos americanos.  Ambos tombaram jovens e morreram na luta. Bolívar morreu após uma batalha contra a tuberculose. Hugo Chaves suspeita de que ele foi envenenado por um general colombiano. Che Guevara foi executado aos 39 anos, no dia 09 de outubro de l967, em La Higuera, na Bolívia. Simon Bolívar era apaixonado por uma revolucionária, Manuela Sáez, apelidada de a Libertadora do Libertador,  em cujos braços morreu.  Che ama e casa com Hilda Gadea. Os revolucionários apaixonam-se e amam. A revolução é amor que acontece entre homens que amam mulheres e entre mulheres que amam homens. Amor e revolução são indesligáveis. Bolívar estudou história, literatura, matemática e francês. Tornou-se humanista. Che formou-se em medicina, jornalismo, tornou-se fino escritor, fotógrafo, orador, devorador de livros e teórico político dos mais disciplinados e rigorosos. Os revolucionários são estudiosos e intelectuais práticos. Estudam a realidade e o mundo, palco das lutas e das transformações. A luta exige competência e formação teórica. Lênin dizia: “sem teoria revolucionária não há revolução”.  Os revolucionários não são intelectuais de cultura inútil. Sua intelectualidade é fundamentação para as transformações. O filósofo Jean-Paul Sartre definiu Che Guevara como “uma das maiores figuras humanas do século XX”.  

Minha alma, querido amigo Juan Jose, guarda e guardará para sempre os ambientes coloridos, sonoros e perfumados das comemorações que gritaram que nossa América Latina nunca mais será palco de massacres nem quintal da dominação, como o foi por séculos das metrópoles coloniais e imperialistas. Pelo contrário, nossa Pátria Latina marcha com muita luta e mobilização em favor da comunhão de nossos povos, da justiça social e da liberdade, onde não morrerão mais crianças de fome nem seus pais e suas mães minguarão na alienação, sem trabalho e sem pão. 

Fortaleço-me com as palavras lembradas pela filha de Che, ao recordar a última carta que seu pai lhes enviou antes de ser assassinado: “Acima de tudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa, em qualquer canto desse mundo. Essa é a mais bela característica de um revolucionário.” 

Na verdade, Bolívar e Che são infinitamente mais do que pessoas individuais. São a síntese generosa e poética dos nossos melhores sonhos de justiça e coroação das vitórias de nossa Pátria Latina. Eles encarnam a coragem, a disciplina na militância, a seriedade nos estudos e na análise da realidade, na articulação dos povos e mobilização do que há de mais belo e gentil na alma humana. Celebrá-los é alimentarmo-nos  na luta e no amor pelo que as pessoas são de melhor. Eles transbordam humanidade, compaixão e o que há de mais robusto e luminoso em nós. Eles foram proféticos:  denunciaram e enfretaram arrojadamente as injustiças e suas causas profundas e lutaram por uma Pátria Latina e por um mundo mais justos. Devemos nos inspirar neles.  

Abraços, meu amigo e revolucionário bolivariano venezuelano Juan Jose Vazquez. Abraços a todos/as que me lerem. Até sempre!

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