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segunda-feira

Centrais expõem para o governo relevância do mínimo de R$ 580
 
Presidentes das seis centrais sindicais criticaram a miopia da equipe econômica em relação ao tema, mas saudaram o início das negociações para a consolidação de uma política de ganhos reais 
 
Em reunião realizada no Palácio do Planalto, quarta-feira, as centrais sindicais expuseram ao governo a relevância para o desenvolvimento nacional do aumento do salário mínimo para R$ 580, dando continuidade à política de valorização acordada com o presidente Lula, e da necessidade do reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda.
 
Ao mesmo tempo em que criticaram a miopia e o reacionarismo exposto pela equipe econômica em relação aos dois temas, os presidentes da CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, NCST e UGT saudaram o início das negociações como imprescindível para a consolidação de uma política de ganhos reais, que – enfatizaram - tem se demonstrado estratégica para fortalecer o mercado interno e colocado a roda da economia para girar, combatendo a crise e as desigualdades sociais e regionais.
 
Representando o governo, os ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho; do Trabalho, Carlos Lupi e o secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, ouviram atentamente as argumentações das centrais, que centraram fogo na afirmação dos R$ 580 como instrumento de valorização do trabalho e distribuição de renda.
 
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, ressaltou que da mesma forma como as empresas receberam créditos e isenções fiscais para enfrentar as turbulências da crise internacional, os trabalhadores querem ter ganho real. Artur criticou o fato de a Medida Provisória vir com o aumento e a lei do salário mínimo: “uma coisa é o aumento, a outra é a lei. Queremos os R$ 580 como excepcionalidade, assim como os empresários ganharam”. Em relação ao Imposto de Renda, esclareceu Artur, o fato do governo não repor a inflação na tabela representa uma “apropriação indébita, um confisco, pois grande parte dos aumentos reais conquistados pelas categorias são perdidos, mais da metade vai para o ralo sem o reajuste”.
 
Ao longo do último processo eleitoral, lembrou o presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), além de combater a demagogia serrista com a sua proposta de aumento para R$ 600, as centrais enfrentaram vários processos, seja pela realização da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora ou pela participação em comícios onde denunciaram a armação tucana. Durante todo aquele período, lembrou Paulinho, o presidente Lula dizia: “fiquem tranqüilos que terá aumento real, que a Dilma vai resolver”. “Agora chegou o momento”, frisou.
 
Uma vez que o ministro Gilberto Carvalho declarou que o governo ainda estava estudando as propostas apresentadas, o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, fez referência ao avanço que significou a abertura de negociação, mas reiterou que “as centrais querem conversar com a presidenta Dilma”. “Para nós, a recuperação do acordo é a recuperação do salário mínimo e a recuperação do mínimo é aumento real, da mesma forma como tivemos ao longo dos últimos seis anos”, frisou Neto, lembrando que hoje o salário mínimo brasileiro é apenas 40% do período do presidente Getúlio Vargas, somente ¼ do que prevê a Constituição Federal e metade do salário mínimo argentino.
 
Respondendo à colocação do ministro Gilberto Carvalho de que as lideranças sindicais precisam cuidar para não serem pautadas pela mídia, o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, esclareceu: “eu ouvi o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falar em arrocho fiscal e corte de investimento público. Mantega chegou a dizer que vetaria qualquer aumento acima de R$ 540. Vale lembrar que foi com nosso apoio que salvamos a indústria e agora não tem bolsa-crise para o trabalhador”. “Precisamos resolver o aumento do salário mínimo aqui, caso contrário a questão vai para o Congresso e vamos ganhar os R$ 580”, sustentou.
 
Contrapondo-se às argumentações de que o governo se aferraria à fórmula do reajuste da inflação mais o PIB de dois anos antes (que foi negativo em 0,2%) para chegar ao valor do mínimo, o presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), José Calixto Ramos, ponderou que “todo o acordo pode ser naturalmente revisto e rediscutido”, mas que a proposta para 2011 era uma excepcionalidade, a mesma já fartamente concedida como benesse ao empresariado. “O mínimo é uma alavanca para o salário de 47 milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas, o que fez com que o próprio relator declarasse que podia chegar a R$ 570,00”, explicou Calixto.
 
“Inclusão social, este é o significado do mínimo”, declarou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, para quem “é uma questão de lógica, não há como combater a miséria, como é o compromisso da presidenta Dilma, sem a valorização dos salários”. Quanto à atualização da tabela do Imposto de Renda, afirmou Patah, o governo deveria ter a obrigação de repor anualmente a inflação, “nem deveria ser parte da pauta de negociação”.
 
Uma nova reunião foi marcada com os ministros para o Palácio do Planalto na próxima quarta-feira.
 
Antecedendo o encontro, as centrais realizarão um ato na abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, na terça-feira (1º), dialogando com deputados e senadores sobre a necessidade da aprovação imediata dos R$ 580.
 
Vale recordar que em recente entrevista à TV Brasil o atual presidente da Câmara e candidato à reeleição, deputado federal Marco Maia (PT-RS), defendeu um valor para o salário mínimo “que acompanhe os ganhos reais obtidos ao longo dos últimos oito anos”. E também reagiu à proposta inicial de Mantega: “é pouco para o salário mínimo”.
 
LEONARDO SEVERO

Fonte: Hora do Povo online

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