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quarta-feira

Adianta gritar?



Querida Profª Maria Aparecida Pires Motta

Cumprimento-te com alegria e admiração. És educadora exemplar, que atuas como professora não só nos espaços escolares mas em tua própria vida como mulher, cidadã e mãe. Cresces intelectualmente ao te especializares cada vez mais. Teu testemunho ao vivenciares a pós-graduação em Libras, que fizeste prioritariamente para enriquecer a relação com tua filha especial, é admirável. Recordo com emoção do que contaste sobre o resultado prático do curso. Sempre penso que se um curso não valer para a prática não tem valor algum. É admirável como maduramente administras a educação de tuas filhas: cuidas da religiosidade delas, da sua formação acadêmica, envolvendo-te em cada detalhe, sempre com o cuidado para que amadureçam e assumam sua autonomia no meio do mundo. Não é fácil ser professora: o salário nem sempre estimula, a instituição escola nem sempre recebe o apoio e o reforço que merece e de que precisa. A  categoria dos professores nem sempre assume seus deveres políticos no sentido de lutar pela classe e pela educação. A sociedade nem sempre valoriza a educação de modo concreto etc. Mas ser professora te anima e inspira de forma heróica. Parabéns.

Mas aqui destaco outro valor que caracteriza teu ser: a religiosidade que levas a sério. Participas ativamente da vida de tua paróquia. És leitora leiga nas missas e te envolves semanalmente nas celebrações e na vida de tua comunidade. Essa experiência integra tua vida, como fio condutor de todo o teu ser. Parabéns, Cida.

Pois bem, em face de teu compromisso cristão e católico, compartilho contigo e com os leitores desse blog um trabalho muito bonito que me chegou ao conhecimento. Trata-se do curso de verão que se realizou no Colégio Pré-Universitário, em Goiânia, nos dias 3-9 de janeiro. É a sua vigésima segunda edição. O tema desse ano foi: CERRADO: OCUPAÇÃO HUMANA, RESISTÊNCIA E VIDA. Do curso participaram lideranças católicas de Goiás, Tocantins, Pará, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e de São Paulo. Essas pessoas participam dos movimentos sociais, das comunidades eclesiais de bases, enfim de setores onde dão testemunho na defesa da vida humana e do meio ambiente do cerrado. Parabéns a essas pessoas.

Destaco dois pontos do curso, que extraio de um documento produzido pelos próprios cursitas denominado O GRITO DO CERRADO. Primeiro: a riqueza do bioma, que é formada por diferentes fisionomias geográficas, “com características únicas, marcantes e complementares umas das outras”. A pobreza da vegetação do cerrado é apenas aparente. Sob sua camada esconde-se riqueza incomparável, “uma biodiversidade maior que a de outros biomas, como o amazônico”, diz o documento. O “cerrado  tem uma diversidade impressionante de plantas medicinais, de frutas de aspectos e sabores diferentes. É uma rica fauna.” Esse meio participa do “equilíbrio da vida no planeta  e como fonte alimentadora dos mais importantes aqüíferos do Brasil pois o sistema radicular da vegetação é profundo possibilitando a infiltração das águas das chuvas alimentando as águas profundas de onde brotam as nascentes de rios e riachos das mais importantes bacias hidrográficas do nosso país como a do São Francisco, Araguaia, Tocantins, Madeira, Teles Pires, da bacia Amazônica, de outros rios formadores da Bacia Paraná-Prata”. 

Segundo: no curso transpareceu enorme preocupação com a devastação irresponsável do cerrado, com graves conseqüências para o próprio planeta.  A responsabilidade por essa agressão tem nome. Os responsáveis são os donos do agronegócio que destroem o ambiente rico para dar lugar às monoculturas da soja, da cana, do algodão, do eucalipto. A fome de lucro tem o apetite de grandes grupos nacionais e internacionais para arrancar enormes riquezas, evidentemente concentradas em poucas e arrasadoras mãos. Além disso, a ignorância é um dos problemas por parte dos que acham que o cerrado não tem potencialidade e por isso deve ser destruído. Com isso as comunidades que nele vivem são pressionadas com violência incomum para abandonar seus territórios ou a ser “engolidas” pelo esquema de produção das monoculturas do agronegócio. 

O que resulta desse modelo adotado pelo agronegócio é cruel e trágico. Rios e córregos secam, áreas se transformam em bancos estéreis de areia, provocando o rápido processo de desertificação, agravando a expulsão de muitas comunidades rurais, que engrossam o cinturão de pobreza e miséria nas cidades. É o capitalismo no seu afã de jogar no lixo a riqueza biológica e ambiental. 

Os participantes do curso de verão concluíram que o GRITO DO CERRADO se torna cada vez mais dramático. Perguntam-se do porque a PEC 115/150, que institui que o bioma do cerrado seja considerado patrimônio nacional, até hoje não foi aprovado.

É isso, amiga Cida, um curso de cristãos comprometidos com a realidade e dispostos a transformá-la e não a pedir que Deus faça o que nos cabe fazer nessa preciosa criação.

Forte abraço para ti e para tuas filhas.

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