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segunda-feira

Qual é a posição certa: esquerda ou direita?














As pessoas sensatas sabem que nos posicionamos ideológica e politicamente no mundo e na sociedade. Sempre há dois lados na vida e na sociedade, sem meio termo. Só podemos nos situar num deles e não nos dois.  A partir de um dos lados tem-se visão e atitudes na vida e no mundo. Como disse Leonardo Boff, “O ponto de vista depende da vista do ponto”.




Relativamente à noção de esquerda sabe-se que o vocábulo surgiu imediatamente antes da Revolução Francesa. Os parlamentares pró-revolução sentavam-se à esquerda no parlamento, contra os que sentavam à direita e que defendiam a permanência da realeza clericalista e feudal. Os que apoiavam a criação de um Estado laico e republicano lutavam por sociedade mais justa e popular. Eram a favor do progresso e da democracia.

A partir daí entende-se que a esquerda é a marca das pessoas progressistas, que defendem sociedade mais justa, mais igualitária, democrática econômica e socialmente.




Ser direita no Brasil, hoje

Neste ano percebem-se cristalinamente as posições da direita e da esquerda em debate e em confronto político, de conseqüências importantes para o País. Pela direita coloca-se José Serra. Em crônica anterior, abaixo (Análises e Posições Políticas (III), 18/06/2010), descrevo a posição ideológica que ele ocupa no espectro histórico político brasileiro. José Serra é filiado e fundador do PSDB. É aliado do Democratas. Este é oriundo da ditadura e seu apoiador. Esses dois partidos se aliam desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que envidou todos os esforços para destruir o Brasil, levando-o a falência. O nível de marginalização e miséria através do desemprego, da concentração de renda e dependência do Brasil aos interesses imperialistas subiu a patamares monstruosos, desempregando e tirando a esperança de mais de 20% dos/as trabalhadores/as. O Brasil miserável, empobrecido, desnacionalizado e dominado pelo pensamento único neoliberal de FHC e de José Serra contrapõe-se ao Brasil da Constituição de 1988. Nesta há conceito de País desenvolvido, nacional, democrático e mais justo. FHC e Serra tentaram desmontá-lo. A direita no Brasil bebe dos crimes impetrados pela escravatura, pela coroa de Portugal, pelo imperialismo americano. Este último comanda as barbaridades praticadas contra Getúlio, Juscelino, Jango e o povo, sempre em busca da sustentação de seus privilégios na região, que os estadunidenses sempre consideraram como quintal dos Estados Unidos. Serra radica-se a essa fonte triste e antipatriótica. Para ele  nosso povo não pode e não sabe nada. Quando FHC foi tristemente presidente e José Serra seu ministro esnobavam os/as trabalhadores/as, os/as velhos/as, que FHC chamava de vagabundos, os partidos de esquerda, que FHC mandava surrar juntamente com os movimentos sociais, que ele considerava marginais e alvo de violências policiais. As decisões de governo eram orientadas pelos Estados Unidos, pelo FMI e pelo Banco Mundial. O pensamento político que governava o Estado e os interesses dominantes vinha de um tal de “Consenso de Waschington”. Essa é historicamente uma das maiores marcas da direita quando no poder: trair  a Pátria na submissão aos poderosos imperialistas. José Serra carrega nas paletas essa marca que o acompanhará para sempre. Basta vê-lo pela TV e escutar seus discursos para se perceber o quanto ele é o mesmo e não muda. Nem pode mudar, afinal, seus compromissos são os mesmos, pela direita.

 

Ser esquerda no Brasil, hoje

 

A posição de esquerda não é nada complicada nem temerosa. É esquerda quem vota em Dilma Rousseff e luta por sua eleição à Presidência da República. O que isso significa? Ser esquerda no Brasil hoje é integrar-se aos interesses nacionais e democráticos. É lutar e votar numa sociedade mais justa e igualitária. E essa não é a Marca de José Serra nem de Marina Silva. 

 

Ser de esquerda no Brasil hoje é lutar para que Dilma se eleja Presidente, retomando a coragem, a tenacidade, a lealdade, o patriotismo, o desenvolvimento econômico e social para a maioria de nosso povo. Ser de esquerda é empunhar a bandeira  dos movimentos sociais através das centrais sindicais, dos partidos aliados de Dilma, dos movimentos de reforma agrária, de mulheres, de jovens, de aposentados, da defesa do meio ambiente etc, que defendem um Brasil mais justo e líder na realização do sonho dos direitos humanos e de um mundo justo possível.

 

Lutar pela eleição de Dilma é avançar no projeto iniciado pelo Presidente Lula. O Brasil precisa avançar e aprofundar as reformas agrárias, urbanas, políticas, trabalhistas, das comunicações, monetárias e tributárias, sociais etc. Apenas iniciamos o processo e todos sabem disso. Lutar pela eleição de Dilma é aprumar a nau  Brasil na perspectiva das transformações. Votar em Serra é ajudar a atolar o Brasil no que há de pior em nossa história. Votar em Marina é jogar nossos votos fora e ajudar Serra, a marca do atraso e da desonestidade.

 

Ser esquerda e direita nas relações pessoais e sociais

 

Nossos pensamentos e convicções se traduzem na prática. As pessoas de esquerda sabem escutar seus familiares e amigos/as. São generosas e justas. São feministas e parceiras na convivência cotidiana. Aprendem a recuar e fazer autocrítica, quando se percebem erradas. Sua marca é a dinâmica do pensamento e das ações. Gostam de conversar, de ler, de estudar e aprender o novo. As pessoas de esquerda não se deixam orientar por preconceitos e atitudes injustas. Afastam-se de quem é injusto, truculento e obsessivamente dono da verdade. Seu pensamento e suas ações privilegiam muito mais o coletivo do que o individual. Valorizam mais os outros do que a si individualmente. São reconhecidamente solidários. Os pronomes mais usados são nossos/as, conosco, nós: nossa família, nossa casa, nosso carro, vem conosco etc.. Amam a luta pelas transformações que favorecem a maioria. O Bispo Isac Aço me dizia: “conheço quem é de esquerda pelo jeito como lida com sua família. Os homens são bons maridos, gentis, bons pais, bons companheiros, amigos e fiéis. As mulheres são emancipadas, estudiosas, líderes, boas esposas, mães dialogantes e afetivas etc”. As pessoas de esquerda lutam permanentemente pelo avanço da justiça na sociedade e nas relações pessoais. Pensam que sempre é possível avançar e crescer. Abraçam o futuro como forma de avanço para melhorar e crescer.

 

As pessoas de direita são preconceituosas, grosseiras, autoritárias, donas da verdade, desleais, violentas, cínicas, mentirosas, hipócritas, dissimuladoras e individualistas. Os homens de direita são machistas e as mulheres, também. Privilegiam o pensamento e as ações individualistas, egoístas, em torno de interesses particulares. Suas lutas são armações para manter privilégios e posições de domínio. As marcas de seus sentimentos são a crueldade e o desrespeito. A dinâmica de seu pensamento e ações é a acomodação, as idéias ultrapassadas e a exploração dos outros a favor de seus interesses de classe dominante.   Não são solidárias, a não ser com seus puxa sacos, enquanto lhes interessarem. Quando ocupam cargos públicos procuram se locupletar, confundindo o público com o particular. Quando no exercício de chefia perseguem seus iguais e os humilham. Aspiram “subir” invariavelmente passando por cima dos outros. Sua arrogância as impossibilita de reconhecer seus erros, por isso nunca recuam nem vêm necessidade de fazer autocrítica.  Os pronomes de seus discursos são minha, eu, meu, comigo: minha casa, meu carro, minha família, minha propriedade, meu emprego,  meu dinheiro, eu sou isso e aquilo, eu posso etc. Ao contrário da esquerda, a direita pensa que é impossível avançar e aprofundar. Prefere manter conservadoramente o que é e o que tem para não perder nada, mesmo que o mundo se exploda. Quem é de direita odeia trabalhadores/as e pobres, mesmo que seja um deles. Enquanto quem é de esquerda ama dialogar com os outros os de direita impõem, atropelam, invadem e desrespeitam. Pela esquerda as pessoas encontram a razão na força da articulação, na união, no diálogo, no entendimento, pela direita a razão se dá a partir da força, da violência, da trapaça, dos interesses mesquinhos e burgueses. Apegam-se ao passado e ao presente como forma de manter idéias e privilégios encruados e desumanos.

 

Então, basta usarmos as chaves identificadas pelos termos “direita” e “esquerda”, vermos e escutarmos os discursos de Dilma e José para avaliarmos onde cada deles se situa ideológica e filosoficamente. Mesmo assim é necessário que sejamos muito sensíveis e críticos para não nos deixarmos enganar pela direita.

 

Contradição

 

Uma coisa impressionantemente contraditória é  cristãos/ãs votarem e defenderem a candidatura de José Serra. Há igrejas que até o convidam  para participar de seus eventos.

 

Oh, se aplicarmos as chaves de interpretação “direita” e “esquerda” compreenderemos que os primeiros mártires cristãos foram de esquerda, a começar com Jesus. Ora, o Império Romano e os fariseus eram de direita, mesmo que esses conceitos não fossem conhecidos em seu tempo. Mas as condutas imperiais romanas e farisaicas se assemelham ao que a direita sempre fez historicamente. Jesus, Paulo, Pedro, Estevão etc foram sacrificados pela direita, cujos traços se assemelham em muito com a definição acima. Logo, Jesus, Paulo, Pedro, Estevão etc eram de esquerda, pois amavam os outros, lutavam por um novo céu e uma nova terra, compartilhavam o pão com os que passavam fome, curavam os pobres e doentes etc.

 

Portanto, ser cristão/ã de direita é negar a lógica histórica. Igrejas de direita há muitas. Papas de direita há muitos, como João Paulo II e Bento XVI, que perseguiram revolucucionários latinoamericanos,  teólogos, bispos, pastoralistas e padres comprometidos com o povo. Bispos, pastores e pregadores de direita há muitos. Mas pode dizer-se que eles seriam seguidores de Jesus e cristãos?

 

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