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terça-feira

A crise da pedofilia e a credibilidade da Igreja

Penso que é positivo nos vermos através do olhar crítico dos outros. No editorial abaixo há considerações ceíticas sobre a crise na Igreja Católica Apostólica Romana que servem a todas as igrejas. Transcrevo-o  com o objetivo de nos vermos pela a análise crítica.

O Vaticano não tem mísseis, armas, exércitos e fica localizado em um território exíguo nos limites de Roma - o poder que exerce sobre os homens em todo o mundo não tem assim a base material comum que fundamenta o exercício do domínio.



A base de seu poder é moral. Ela tem sido profundamente questionada desde meados da década de 1990 quando começaram a proliferar as revelações de abusos sexuais cometidos por sacerdotes contra crianças e jovens em dioceses na Europa e nos Estados Unidos. E desde a semana passada, quando o jornal americano The New York Times divulgou reportagens relatando que, nos anos 90, o então cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI, deixou de apurar acusações de pedofilia e acobertou o sacerdote que as teria praticado, a crise atingiu o próprio coração da Igreja Católica - o papado.



É a crise mais grave vivida pela Igreja em muitas décadas. As acusações se multiplicam e os escândalos começam a comprometer a própria credibilidade da Igreja. Uma pesquisa divulgada esta semana mostra que na própria Alemanha, terra natal do papa, a erosão da fé é acentuada. Ela mostra que apenas 24% dos alemães continuam acreditando no papa; uma semana antes esse número era de 38%. A confiança na Igreja é ainda menor: era de 29% e caiu para 17%. E mesmo quando são considerados apenas os católicos, a queda é notável: em janeiro a aprovação do papa era de 62%; agora, é de 39%. Em relação à Igreja, a queda foi de 56% para 34%. São números dramáticos para o Vaticano que vê a base de sua influência se esvair à medida em que os escândalos envolvendo sacerdotes são divulgados. A ponto de se especular sobre a convocação de um sínodo (a mais alta instância de direção da Igreja, além do papa) de emergência para deliberar sobre o assunto. E o próprio papa ver-se na obrigação de sinalizar que não se deixará acuar pelos escândalos.



A crise provoca debate, e alguns temas começam a aparecer. Um deles é o celibato sacerdotal. Um dos principais cardeais, o italiano Carlo Maria Martini, líder da ala progressista da Igreja, que foi candidato a papa na mesma eleição onde Bento 16 foi escolhido, atribui os casos de abusos sexuais cometidos por padres contra menores, à obrigatoriedade do celibato. Outros, como o cardeal de Viena Christoph Schönborn, ou o reitor da PUC, dom Jseús Hortal Sánchez, dizem que o papa não apurou as denúncias em 1996, contra um padre americano que abusou de cerca de 200 crianças surdas pois teria sido impedido pelo então papa João Paulo 2º.



Pelo menos duas conclusões podem ser tiradas do escândalo que envolve a alta hierarquia católica. Em primeiro lugar, a crise mostra que nem mesmo o papa - que é dotado do dom da "infalibilidade" atribuído por decisão dos próprios hierarcas católicos, adotada sob Pio IX em 1870 - está livre da vigilância social e, sendo um monarca absoluto em seu território, precisa prestar contas à opinião de seus fiéis. Este fato representa um progresso democrático que sinaliza a independência, mesmo dos crentes, em relação à hierarquia religiosa.



A outra conclusão diz respeito aos rumos da Igreja. Desde o longo pontificado de João Paulo 2º, falecido em 2005, a Igreja Católica silenciou suas vozes progressistas e assumiu um rumo conservador e autocrático buscando legitimidade na fé e não no convencimento, alheia àquilo que encara como problemas mundanos. Afastou-se das lutas progressistas dos povos, ficou à margem de temas importantes como os costumes, a liberação sexual, os avanços científicos, a participação da mulher nos ofícios religiosos. Nestas e em outras questões trouxe a marca do conservadorismo mais retrógrado. A crise mostra que problemas expulsos pela porta voltam pela janela e forçam a hierarquia católica, mesmo que a contragosto, a dar as respostas que o mundo espera dela. Só que, no caso atual, movida por escândalos.

Fonte: Vermelho (editorial)

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