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quarta-feira

Primeiro ano, muito obrigado!



No dia 27 de julho de 2009 completou-se um ano de minha sagração episcopal. É uma experiência única. É forte a impressão – no sentido de impresso – da presença de Jesus na vida da gente. Busco isso permanentemente. Minha perspectiva não é de igreja imperial ou institucional, baseada na vontade da máquina empresarial eclesiástica e nos apetites de grupos. No dia 15 deste mês de junho tive uma profunda experiência espiritual em Curitiba que revalorizou minha fé e reorientou meu ânimo. Foi indiscritível o que experimentei. Meu compromisso com Jesus repicou de forma viva e profunda.

Busco vislumbrar Jesus e seu serviço de salvação libertadora da humanidade. Libertação da opressão nos oprimidos em todos os sentidos e dos opressores nos que oprimem e nos que são oprimidos, que massacram o povo e as pessoas, por todas as vias. Ao olharmos para todos os lados vemos opressão e opressores: na grande mídia, na crise capitalista, no capitalismo, no imperialismo, no desemprego, na caristia dos alimentos, na falta de habitação suficiente, na frieza social dos que não se sensibilizam com a dor dos pobres, na falta de amor entre as pessoas, na ausência de perspectiva em muitos, na falta de fé e de esperança. Vê-se opressão nos pobres que agem como os ricos e poderosos, assimilando sua ideologia opressora. Conheço pobres que expulsam, que oprimem, que praticam injustiças, que pisam, que mentem, que traem, que são machistas etc, na perfeita inoculação da ideologia dominante. Dizia Paulo Freire que o oprimido internaliza o opressor. Isso é pura verdade. Hegel, antes, afirmava que o escravo carrega o senhor dominador dentro de si.

Portanto, olho para Jesus e à origem do cristianismo e procuro humildemente seguir o projeto dele. Nesse sentido ordenei 3 padres e no dia 8 de agosto ordenarei um diácono. E o farei numa favela aqui em Caxias, tendo como sede um centro comunitário. Tornar-se-á diácono um professor lutador, muitas vezes perseguido e incompreendido, mas um grande ser humano. Com ele temos refletido e orado diariamente na busca de Jesus hoje. Tenho lhe dito que ser padre cristão é ser servo – diácono – da humanidade, da vida, da ecologia, da justiça e dos oprimidos. Digo-lhe que padre não é para se enfiar numa casa paroquial e esperar o horário comercial para atender as pessoas burocraticamente num escritório. Ser padre é imergir no meio do povo e com ele construir a salvação libertadora a partir de Jesus e com chegada nele.

Nesse dia 27 não recebi festas nem celebrações pomposas, como gostam bispos empresariais e institucionais. Mas orei agradecido a Deus. Agradecido pela ICC nas pessoas do Irmão Alberto, de Dom Edilson Vinagre – ilustre Primaz – de Dom Manoel Queiroz de Almeida e de Dom Nilton Santos Carvalho da Cunha por compartilharem comigo o dom da sucessão apostólica ao me sagrarem Bispo em Belém – PA. Agradecido pelo Padre Francisco Teixeira, que viajou de Campo Grande – MS, para testemunhar e fotografar a cerimônia. Agradecido a Márcia De Conti, que viajou de Goiânia – GO, para participar e testemunhar essa grande bênção, que ela vivenciou e reforçou em oração em mim. Finalmente, sou muito agradecido a Dom Rui Costa Barbosa e a Igreja Anglicana Tradicional do Brasil por me receberem como seu membro e bispo. Sou agradecido a seus bispos, clero e eclesianos pela acolhida. Obrigado pela confiança em me entregar o governo da Diocese Meridional Tomas More, do Sul do Brasil – Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do Uruguai. Sou agradecido ao Professor João Luiz por me acolher por algum tempo em sua casa aqui em Caxias do Sul. Agradecido por sua generosidade e a de sua família e por sua disponibilidade para o sacerdócio. Agradeço aos amigos e as amigas que dão todo o apoio aqui e no Estado do RS para a alavancagem da Igreja.

Sempre que assino um artigo aqui no blog o faço como bispo cabano, farrapo e quilombola. Pois essas são as minhas raízes. Esse é o meu compromisso. Minha fé me indica o caminho percorrido por Jesus, o da libertação que salva e o da salvação que liberta. Antes de mais nada quero ser um pastor. Muito obrigado a todos/as.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e quilombola.

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