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quinta-feira

O HOMEM CAIDO, OS ASSALTANTES E O MÉDICO


Nesta última terça-feira vivenciei um dia interessante. Pela manhã conversei com alguns amigos, entre eles, um filósofo. Discutimos sobre a miséria e o desemprego. Recordamos o livro escrito por Prudhom, intitulado a Filosofia da Miséria e a resposta dado por Marx, intitulada Miséria da Filosofia. Meu amigo lembrou das agruras experimentadas pelo filósofo Espinosa, perseguido pela Santa Inquisição e pelas Cruzadas. Sua vida foi amargada pela fome, pelo desemprego e pela falta de reconhecimento. Suas melhores obras, influentes na Revolução Francesa, só foram reconhecidas e publicadas muito tempo após sua morte. Morreu cedo e derrotado.

Após esse encontro fui a uma missa que aconteceu ao meio-dia na Igreja Santo Antonio, um templo muito inspirador, por suas obras de arte e musicalidade. Logo no início o presidente da celebração anunciou que a confissão seria dos pecados sociais. Explicou que se trata dos atos que praticamos que prejudicam outras pessoas. Anunciou que Deus acolhe a todos os pecadores e os perdoa. Mas não chamou a comunidade à mudança de vida, de atitudes. Não refletiu sobre as injustiças sociais nem sobre a enorme crise capitalista que vivemos agora, responsável pelas grandes tragédias econômicas e sociais no mundo inteiro nem apontou os responsáveis, os estúpidos e egoístas megas capitalistas internacionais. Não denunciou nem conclamou ao arrependimento. Foi uma confissão herética e pecaminosa, segundo minha avaliação teológica.

Após a missa retornei à Praça Rui Barbosa. Ingressei no Centro Comercial que abriga um restaurante popular, com almoço a R$1,00. Choquei-me com um homem caído num canto, próximo a uma parede. Ele estava bem vestido e calçado. Suas roupas eram limpas. Aproximei-me e tentei auscultar se estava vivo, desmaiado, morto ou alcoolizado. Estava vivo, mas não entendi o que se passava com ele. Chamei os guardas e solicitei que se tomassem providências. Fui logo atendido com o chamado de uma ambulância. Impressionei-me com vários comportamentos da pequena multidão de 300 pesssoas que compunha duas filas: uma para a compra do cartão para a catraca do restaurante e outra para entrar no local de refeições. A maioria se encontrava quieta e triste a olhar o homem caído. Alguns faziam chacota dizendo que ele estava bêbado por dor de cotovelo, outros gritavam que era por dor de corno etc. Mas ninguém fez nada. Cada qual pensava na porção de comida que receberia. Parece haver uma acomodação e um “acostumamento” com as tragédias humanas. Ninguém se importa com o que se passa com o próximo. A razão disso está na própria forma de organizar nossa sociedade, em torno do capital, frio e desumano. Até mesmo os pobres e trabalhadores/as se amortecem com tal barbárie. É a filosofia do sujeito individualista, marcado pelo salve-se quem puder e os outros que se lasquem. Os juízos cínicos e farisaicos jorram aos borbotões, típicos do conservadorismo dos inconscientes e insensíveis.

Saí de lá com o coração pesado. Pensei que se um homem cai parte da humanidade cai com ele. Se um ser humano sofre deveria provocar atitudes solidárias e construtivas das pessoas e não apatia e desdém. Se um ser humano tomba sofre a ecologia social. Deveríamos nos comportar de maneira eticamente mais justa: não permitirmos que ninguém caísse e se cair, que o levantemos. Por isso temos que lutar por novo modelo de sociedade, que se alicerce em mais humanidade e solidariedade. Esse modelo que aí está, faliu. Faliu, inclusive, nos sentimentos das pessoas, roubando-lhes o amor.

Mais tarde, numa reunião, encontrei e conversei com o meu amigo, Dr. Mário, presidente do sindicato dos médicos do Paraná. Impressionei-me com a humildade e simplicidade do Mário, vestido de modo simples, carregando consigo uma mochila e de tremendo bom-humor, apesar de ser médico e psiquiatra. A propósito da intensa corrupção que assola a prefeitura daqui, o Dr. Mário comentou: “os verdadeiros bandidos não são os que assaltam para “roubar” comida ou um pouco de grana para comprar algo para si e para sua família. Os verdadeiros bandidos são os que usam o poder público para corromper e roubar os recursos do povo. Esses são os verdadeiros bandidos, que matam e aleijam muito mais que qualquer um que roube uma galinha ou objetos pessoais.”

À noite fui a uma palestra sobre a Petrobrás e o Pré-sal, feita por um engenheiro altamente qualificado, funcionário da Petrobrás. Meu Deus: completei o dia ouvindo barbaridades sobre assaltos, roubos e banditismos praticados pelo governo de FHC. Esse sim roubou e praticou crimes hediondos contra todos nós. Estuprou nossa Constituição Federal, para possibilitar os assaltos com apoio legal e político de nossas riquezas. Graças a isso, milhões de trabalhadores/as e suas famílias foram jogados/as no desemprego e na miséria. Quem sabe aquele homem caído era um deles.

A mensagem que fica é a da luta sem esmorecimento para libertar nosso País e nosso povo dos grilhões dos verdadeiros e permanentes assaltantes, que são poderosos e persistentes em maquinar contra nós. Isso é fé.

Dom Orvandil: Bispo cabano, farrapo e quilombola.

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