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quinta-feira

MEDICINA E "AÇOUGUEIRISMO" COMERCIAL


Ontem assisti a interessante debate pela TV Educativa Paraná. Participaram o Embaixador e Cônsul Geral de Cuba aqui no Sul e dois professores de direito internacional. Entre os vários assuntos da pauta destaco um de interesse deste nosso blog. Trata-se da saúde e da formação dos médicos brasileiros e cubanos. O Embaixador destacou que a diferença entre eles está na formação que recebem. Os médicos cubanos aprendem, disse ele, que as pessoas devem ser tratadas como pacientes e não como clientes. Os médicos em Cuba trabalham para a República Cubana e não para o mercado nem com interesses comerciais. Sua formação é a da mais alta qualidade e o conhecimento das doenças e suas causas não dependem de exames laboratoriais, de cunho positivista e mercantil, como aqui. Os médicos cubanos aprendem a reconhecer as doenças nos mais distantes e perdidos rincões, sem a alardeada precisão tecnológica dos laboratórios caros capitalistas. Os debatedores confrontaram a situação do Brasil, onde os médicos não atuam em regiões pobres, como na Amazônia e em outras, porque não ganham muito para isso e eles não são preparados para enfrentar riscos e dificuldades. Nos anos noventa muitos médicos cubanos atenderam regiões abandonadas na Amazônia, mas tiveram que sair por pressão corporativista dos médicos brasileiros, que apesar de não se interessarem pelos pobres em ambientes distantes das capitais, pressionaram para que o governo brasileiro mandasse embora os profissionais de Cuba.

Pois é, o Embaixador referiu-se à formação filosófica, ideológica, técnica, científica e ética dos médicos de Cuba, que trabalham sem a menor expectativa de ganhar dinheiro com as doenças do povo. O povo é parte importante do Estado e não fonte de mercado, de mercadoria e de comércio. Um dos debatedores se referiu que aqui no Brasil os médicos são “preparados” para ter e dar lucro com as doenças das pessoas. Aliás, é bom que se diga que não só os médicos, laboratórios, farmácias e a indústria farmacêutica, mas muitas religiões e igrejas lucram milhões de dólares com as doenças e fracassos das pessoas. Em certos lugares “brotam” templos repentinamente em cima do desespero das pessoas.

Voltando ao debate, um dos debatedores perguntou ao Embaixador pelas razões que causam os médicos a trabalhar pela saúde e não pelo dinheiro. Ele respondeu de pronto: em Cuba houve uma revolução. Contou que quando a revolução chegou mais de 45.000 médicos fugiram para os Estados Unidos e abandonaram o povo em suas doenças. Os lucros acabaram. Os médicos não passavam de mercenários e carniceiros. Ele não disse, mas é evidente que em Cuba é proibido usar a religião para explorar as doenças do povo, também.

Então, é evidente que os estudantes de medicina e os próprios médicos não são culpados pessoalmente por essa situação. Mas eu conheço médicos que romperam com essa linha formativa e foram viver e trabalhar sem interesse em lucrar em cima da desgraça dos outros. Mas o que deve mudar no Brasil é a política da saúde. Certamente chegará o tempo em que médicos, enfermeiros etc trabalharão com e pelo povo porque serão sustentados pelo Estado e designados para servir onde houver necessidade de atendimento e não onde os profissionais acharem que podem lucrar. Chegará o tempo que quem decidirá pelo serviço dos médicos serão o povo e o Estado e não a anacrônica e estreita associação dos médicos. Chegará o tempo em que os médicos serão considerados e respeitados como servidores públicos e não como carniceiros e agourentos de doenças, adorados como deuses intocados e perfeitos. Os que assim se comportam não têm culpa, mas isso tem que mudar aqui no Brasil. A mentalidade seguida por gerações de explorar e enriquecer sobre doentes e cadáveres terá que dar lugar aos que amam a vida e o povo. Para que esse objetivo se cumpra mudará a formação das faculdades de medicina e o espírito com que os médicos trabalharão. Lutemos nesse sentido e busquemos transformações.

Dom Orvandil: Bispo Cabano, Farrapo e Quilombola.

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