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terça-feira

Um mau conselho de Bento XVI



23 DE MARÇO DE 2009
Por Carlos Pompe*
O Papa é infalível e representa Deus neste mundo. Muita gente acredita nisso. Assim como muitos acreditam que a Igreja Católica Apostólica Romana é a verdadeira correia de transmissão deste mundo com o mundo divino. Não poucos morrem e matam por essa e outras crenças.
Por isso, os posicionamentos do Papa e da Igreja não podem ser tratados como assuntos que dizem respeito apenas aos seus seguidores. E por isso são irresponsáveis as afirmações do Papa contra o uso da camisinha e a condenação pública, por um elemento do alto clero católico no Brasil (com o apoio da instituição), de profissionais de saúde que preferiram salvar uma criança estuprada pelo padastro e que tinha uma gravidez de alto risco.


Há cerca de 350 anos a ciência existe “como fator dominante na determinação das crenças dos homens instruídos”, afirmou Bertrand Russel. No entanto crendices milenares persistem nos dias de hoje, influenciando o comportamento humano. Muitas doenças deixam de ser tratadas a tempo porque seus portadores preferem, antes de ir ao médico, tratá-las com rezas ou outras feitiçarias. Desastres naturais ou causados pela imprudência de pessoas ou governos são atribuídos a castigos divinos ou a ações demoníacas. Fanáticos que se consideram instrumentos de seus deuses cometem atrocidades.


Quando a medicina científica surgiu, teve que combater inúmeras crenças enraizadas na população e também as religiões organizadas, em especial a Igreja Católica. O “pai da anatomia moderna” Andreas Vesalius (1514 —64) autor de De Humani Corporis Fabrica, um atlas de anatomia publicado em 1543, só não foi queimado vivo, condenado pela Inquisição católica por fazer dissecação de corpos que roubava do cemitério, porque o imperador Carlos V (que era seu paciente) impediu. Mesmo assim, depois que o imperador morreu, Vesalius foi obrigado a fazer uma peregrinação à Terra Santa, como penitência, e morreu a caminho, vítima de um naufrágio. Até recentemente, a Santa Madre Igreja também considerava que os doentes mentais eram possuídos por espíritos malignos, e por isso os tratavam com crueldade para, assim, “maltratar o Demônio”. Aliás, mesmo hoje existem padres que realizam exorcismo em pessoas que “atentam contra a moral e os bons costumes”.


Os séculos passaram a os chefes da Igreja continuaram apegados às suas concepções obscurantistas e continuam a perseguir a ciência e os que não rezam por sua cartilha – ou os que rezam por outra cartilha religiosa, como os judeus e os islâmicos. Uma linha de continuidade reacionária que possibilitou que um jovem nazista da primeira metade do século passado se tornasse, neste século, a principal autoridade dos católicos.


E foi essa pessoa, Joseph Ratzinger (agora chamado Bento XVI) que, na sua primeira visita ao continente africano, reafirmou que a distribuição de camisinhas e apoio financeiro dos países desenvolvidos não são a solução para a epidemia de Aids e só agravam a situação. Ninguém há de dizer que o papa é ignorante – afinal, estudo não lhe falta. Difícil dizer também que é mal informado ou que desconheça que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em seu relatório de 2007, contabilizava 33 milhões de infectados no mundo, sendo que na porção subsaariana da África estão 20 milhões de pessoas com o vírus. A cada ano 2,7 milhões de pessoas se contaminam com o HIV, sendo cerca de 400 mil crianças com menos de 15 anos.


Não. Não é falta de inteligência ou de estudo. Talvez seja obtusidade, mesmo. A mesma que leva o Vaticano e seus seguidores a vetarem a pesquisa com células tronco – assim como no passado impediam a dissecação para o estudo da anatomia. O saber científico é incompatível com as crendices.

*Carlos Pompe, Jornalista e Curioso do mundo (Vermelho).

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