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quarta-feira

Fazer a paz com água

Marcelo Barros*
O fato de a ONU consagrar o dia 22 de março como Dia Mundial da Água não pode deixar de nos recordar que estamos vivendo uma profunda crise da civilização. Este modo de organizar o mundo, baseado na sistemática exploração de seres humanos por outros seres humanos e na intensa destruição da natureza por uma restrita elite mundial, já não tem mais sustentação.
Dos 6 bilhões de pessoas que habitam a face do Planeta, apenas 1,7 bilhão pertence a esta sociedade consumista e predadora da civilização contemporânea. Para sustentar os caprichos dessa elite mundial são necessárias 1,5 Terras para alguns, ou até seis Terras para outros. Essa elite não está apenas no Primeiro Mundo, mas também tem seus nichos no segundo, terceiro e quarto mundos.
A consciência dos limites do Planeta começou surgir a partir da década de 60, mas aprofundou-se na década de 70 e generalizou-se a partir da década de 80.
Entre todos os bens da Terra e da vida, o mais ameaçado é a água. É o maior problema ecológico de nossos tempos e está começando a ser motivo de conflitos e guerras entre vários povos em quase todos os continentes. Se 1,2 bilhão de seres humanos não têm acesso à água potável e milhões de crianças, em muitos países pobres, morrem em consequência do uso de águas impróprias para a saúde, não podemos mais não cuidar com prioridade da questão.
O uso que a sociedade faz da água aumenta sempre, enquanto, por causa da poluição e do aquecimento global, agora evidente, os rios de todos os continentes diminuem de volume normal, muitos estão agonizantes, como o São Francisco e o nosso Araguaia (quem o viu em fins de novembro, época que ele sempre estaria cheio e exuberante, sabe disso). As fontes de água diminuem a cada dia e o uso continua predatório.
Por outro lado, a reação a isso da sociedade capitalista é fazer da água uma mercadoria, em alguns lugares, mais cara do que o leite ou a Coca- Cola. Vender a água, que é um bem indispensável à vida humana e a todas as formas de vida, como privatizar, ou seja, entregá-las nas mãos de grandes conglomerados econômicos. Atualmente, por exemplo, todas as fontes minerais da cidade de São Lourenço, Minas Gerais, e a própria água que serve à cidade são propriedade particular da Coca-Cola e são vendidas como mercadoria.
A privatização da água não se dá ao acaso, ou de forma dispersa. Ela passa pela elaboração de grandes estratégias, de acordo com a abundância da água nas regiões do Planeta e através de planos que, a longo prazo, permitam a apropriação privada desse bem em escala mundial.
Muitos grupos da sociedade civil têm se mobilizado contra este crime. O Uruguai conseguiu inserir uma lei na sua nova Constituição Federal que proclama claramente: “A água é uma necessidade e um direito de todos os seres vivos. Por isso, não poderá ser privatizada nem mercantilizada”. A resistência contra continua difícil e violenta. Mas, a organização da sociedade civil mais consciente e os grupos ecológicos não descansam. “Na Itália, em 2004, as comunidades se organizaram e conseguiram obter uma grande vitória: obrigaram 136 prefeituras a retirar a deliberação – já muitas vezes implementada – de privatizar a água. De lá para cá, a luta se ampliou e espalhou-se por outras regiões e países” (Alex Zanotelli. no livro Marcelo Barros e Frei Betto, o Amor Fecunda o Universo, Ed. Agir 2009).
Certamente, as pessoas podem se perguntar: “O que nós, pobres mortais particulares, podemos fazer em prol de uma causa como esta?” Sem dúvida, a primeira coisa é tomar consciência do problema, educar-se e educar os seus a tomar todo o cuidado de poupar água, de proteger os rios e fontes próximos à sua casa ou que você encontra nos caminhos da vida. Quem tem possibilidades, pode formar espontaneamente e civilmente – é previsto por lei federal – comissões de defesa das bacias hidrográficas. Existe uma funcionando sobre o Rio Vermelho. Existirá alguma que proteja o Meia Ponte e, principalmente, o nosso Araguaia?
Fazer-se responsável, dentro de suas possibilidades, deste problema da água é fazer com que a paz e a justiça possam ocorrer no mundo.
*Marcelo Barros é monge beneditino e escritor
Fonte: O Popular

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