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terça-feira

Conspiração golpista Dantas-Veja dá certo e Lacerda é afastado


1 DE SETEMBRO DE 2008 - 21h38
A nova crise no centro do governo foi deflagrada, mais uma vez, pela revista Veja, órgão pára-oficial dos interesses do banqueiro Daniel Dantas, que estava com o dietor da Abin, Paulo Lacerda, engasgado na garganta há tempos. No fundo, a conspiração golpista não reflete apenas os interesses de Dantas e sua quadrilha, vai mais além: é um recado da elite brasileira que está incomodada com o assédio da lei sobre seus negócios.
por Cláudio Gonzalez
Capa da Veja: vingança escancarada
Desta vez, o governo não quis pagar o preço de um desgaste prolongado, cultivado pela imprensa em plena campanha eleitoral, e fez a vontade da trupe dantesca cortando na própria carne. Nesta segunda-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o afastamento de toda a direção a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) por causa dos suspostos grampos telefônicos que atingiram o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e outras autoridades do governo e da oposição.
Como disse o jornalista Fernando Barros da Silva em sua coluna desta segunda-feira na Folha de S. Paulo, ''foi preciso que os arbítrios da polícia chegassem ao topo do edifício social para que os arautos da legalidade começassem a se movimentar, veementes, indignados''.

O jornalista julga que há coisas nebulosas e muitos interesses em jogo a serem esclarecidos e alerta que não se pode permitir que ''em nome da boa causa contra as ilegalidades da polícia, os veementes invoquem uma hipotética ameaça institucional para preservar privilégios e perpetuar a impunidade de uma casta que vive zombeteira acima da lei, como é óbvio ululante há 500 anos''.

Já o jornalista Paulo Henrique Amorim, que tem acompanhado com interesse particular todos os imbróglios envolvendo Dantas e a revista Veja, é mais enfático e dá nome aos bois. Segundo ele, ''Dantas destituiu o ínclito delegado Protógenes Queiroz, com a desculpa de que cometeu 'excessos'. Dantas demite agora o Dr. Paulo Lacerda da Abin, numa patranha montada com a Veja e Gilmar Mendes.''

Mais comedido, o jornalista Luis Nassif, que também acompanha de perto o assunto, lamenta o ocorrido e registra que ''essa história toda entrará para a galeria dos episódios mais infames da história do Brasil''.

Segundo ele, ''é bobagem achar que Lula cedeu à pressão ou que acreditou mesmo que foi a Abin, baseado nas evidências precárias da Veja. Mais fácil apostar em um arranjo entre poderes para abafar uma investigação incômoda para todos''.

Mas o fato é que até agora nenhuma das versões convence. Tanto é assim que o próprio general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, trabalha com hipóteses variadas.

Uma delas é que agentes da Abin seriam realmente os responsáveis pela escuta ilegal. A outra envolve um aparelho de escuta que teria sido adquirido pelo Senado Federal, o que mudaria a origem do grampo, que até agora apontava para os telefones do Supremo Tribunal Federal. Ou seja, o grampo poderia ter partido do Senado e de lá, provavelmente pelas mãos de um senador, a gravação chegou à revista Veja.

Uma terceira hipótese é a de que os grampos favoreceriam o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas, acusados de envolvimentos em crimes financeiros. O grampo seria uma forma de desmoralizar a Abin e também a Polícia Federal, responsável pelas investigações que envolvem Dantas e Nahas.
Todos os personagens envolvidos no imbróglio levam para esta terceira hipótese e constituem uma complexa rede de intrigas, a saber: a revista Veja funciona há anos como porta-voz dos interesses de Daniel Dantas, o mesmo Daniel Dantas que foi preso recentemente e solto, duas vezes, graças à intervenção do presidente do STF, Gilmar Mendes. O mesmo Gilmar Mendes que teria sido grampeado pela Abin em conversa com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O mesmo senador que tem servido de fonte para a Veja sempre que a revista precisa dar substância a matérias inventadas como foi o caso da matéria sobre a ajuda das Farc ao PT e a matéria sobre as supostas contas secretas no exterior em nome do delegado Paulo Lacerda, diretor da Abin. O mesmo Lacerda que falou cobras e lagartos da revista Veja e de Dantas em depoimento na CPI das escutas telefônicas, à qual foi chamado para esclarecer fatos relacionados à Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A mesma Polícia Federal que prendeu Daniel Dantas no rastro das investigações comandadas pelo delegado Protógenes Queiroz. O mesmo Protógenes que nunca escondeu sua relação de amizade com Paulo Lacerda. O mesmo que agora foi afastado da Abin pelo presidente Lula. O mesmo Lula contra o qual Daniel Dantas conspirou várias vezes numa clara tentativa de derrubá-lo para que o governo não atrapalhasse os negócios bilionários que o banqueiro comanda desde que o governo Fernando Henrique Cardoso resolveu colocar o Brasil à venda. O mesmo Brasil que agora se pergunta quais são realmente os interesses em jogo neste emaranhado de relações que não cheiram nada bem.

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