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quarta-feira

As contradições que questionam a fé dos ditos cristãos de direita


O meu querido amigo Prof. João Paulo Da Cunha Gomes postou no Facebook esse maravilhoso texto. Com base em Rosa Luxembrugo, que cita São Basílio, levanta debate importante com com os ditos cristãos conservadores e de direita que tremem de medo em face do socialismo e fazem o jogo perverso do imperialismo, mesmo que tal implique em prisão, tortura e morte dos que sonham com a justiça social e liberdade para os pobres e trabalhadores. 
João Paulo Da Cunha Gomes
João Paulo Da Cunha Gomes23 de outubro de 2013 10:48
CONTRA O SOCIALISMO, MAS SOCIALISTA

Não é nenhuma novidade que muitos cristãos não conhecem a própria igreja, muito menos as origens dela e sua trajetória na história. Não raro, o fervoroso cristão entona que odeia o socialismo (mas não sabe dizer o porquê, apenas diz que não gosta). Deveria o fervoroso cidadão se inteirar sobre as origens da instituição que segue. Sobretudo, ao que São Basílio, no século IV, pregou, referindo-se aos possuidores das terras e das riquezas:

"Miseráveis, como vos ireis justificar diante do Juiz do Céu? Vós dizeis-me: 'Qual é a nossa falta, quando guardamos o que nos pertence?' Eu pergunto-vos: Como é que arranjastes isso a que chamais vossa propriedade? Como é que os possuidores se tornam ricos, senão tomando posse das coisas que pertencem a todos? Se todos tomassem apenas o que estritamente necessitam, deixando o resto aos outros, não haveria nem ricos, nem pobres"

(LUXEMBURGO:1980, página 34)

Claro que o comunismo dos primeiros cristãos, sobretudo dos apóstolos, nada tem a ver com o marxismo. Segundo Luxemburgo(1980), aqueles vendiam tudo o que tinham e distribuíam a seus membros, segundo a necessidade de cada um. O cristianismo foi a religião que trouxe a esperança aos desgraçados e oprimidos do Império Romano; no cristianismo primitivo, a ideia era que entre os cristãos não houvesse propriedade privada. O comunismo marxista, ao contrário, fala do fim do monopólio e da propriedade dos meios de produção; aquilo que produz a riqueza não pode ficar nas mãos de uma só pessoa, pois esta explorará a todos os demais, e a riqueza produzida apenas ficará nas mãos do capitalista.

Qual a razão, qual o sentido, onde está a coerência em idolatrar o Papa dos pobres, que usa sapatos velhos e escolheu para si o título (até então inédito) de Francisco, e rotular o trabalhador que recebe auxílio governamental de vagabundo? Qual a razão em apoiar o acúmulo de capital nas mãos de minorias, sobre a desculpa esfarrapada da "liberdade", que não existe e não dá a mesma oportunidade para todos, quando o próprio Salvador teria dito: "E digo ainda: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus" Mateus 19:24

A história desmascara, mostra, desafia, faz dentes rangerem. Faz máscaras caírem, faz moralista perder a pose. A história contradiz muitos conceitos tidos como inquestionáveis. A história tira o conforto, cutuca a ferida. Nem sempre tem a resposta, mas certamente desperta muitos porquês. E incomoda.

JOÃO PAULO DA CUNHA GOMES

Referência bibliográfica:

- LUXEMBURGO, Rosa. O Socialismo e as Igrejas. Rio de Janeiro: Achiamé, 1980. Página 34.

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