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sábado

Carlinhos e Andressa casaram-se felizes, provavelmente um olhando somente para o outro









Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano.

Meu querido casal Darcy e Maria

Tu sabes Darcy, que tenho grande estima por vocês e que admiro muito a luta, as vidas e as conquistas de vocês. Naturalmente sou facilmente simpatizante dos trabalhadores. Vocês são trabalhador e trabalhadora. Esperaste te aposentar, ainda jovem, como metalúrgico, para logo ingressar no curso superior de história, aí em Caxias do Sul – RS. E tu, Maria, atuando como guarda municipal ainda fazias o curso de Serviço Social, se não me falha a memória, na mesma universidade onde estudava o Darci. Sou muito agradecido a vocês pelo apoio que me deram quando trabalhava numa paróquia ai nesta cidade. 

Pois bem, meu casalzinho amado, aqui em Goiânia é muito comentado o casamento Carlos Cachoeira com Andressa Mendonça, realizado ontem, sexta-feira, no dia 28 de dezembro de 2012. Em termos do grande público consta que foram convidas apenas 50 pessoas mais íntimas do casal. Mas a curiosidade foi grande. Alguns sites noticiaram o fato social, embora sua irrelevância. A Tv Anhanguera, afilhada da Globo, noticiou o casamento dos famosos. Enquanto almoçava num restaurante hoje acompanhei a matéria detalhada que a TV de Edir Macedo aqui realizou. Observei que todos os clientes atentaram para os vários televisores telas planas que mostravam fotos e vídeos do casal. A noiva Vanessa realmente estava muito bonita. Ela é inegavelmente uma mulher muito bonita, vestida em roupas muito caras e refinadas, bem ao gosto da burguesia decadente. Tive a impressão de que as notícias foram compradas por Cachoeira, que mandava na Revista Veja e no governador de Goiás, que o povo aqui chama de “vice” do Cachoeira, sendo este considerado o governador de fato. 

Novamente, Darcy e Maria, interesso-me discutir o sentido do casamento e do que seja o amor para pessoas como Andressa e Carlos Cachoeira. 

Como sacerdote celebrei milhares de casamentos, sempre com muito interesse no que os casais objetivavam em suas relações e com o desejo de construir família. Sinceramente, houve casos em que desaconselhei o ato cerimonial e sugeri ruptura, por não perceber nada de compromisso nem de amor entre os dois. Houve um caso em que percebi superficialidade entre os dois em Cruz Alta – RS e pedi que não se casassem. Mas os noivos insistiram alegando que não sabiam muito expressar o amor um ao outro, mas que se amavam. Atendi a insistência do casal, para me arrepender na própria cerimônia. De joelhos em pleno altar o noivo dormiu ao lado da noiva, completamente bêbado. Após seis meses de tensas relações o casal se separou. 

Porém, celebrei casamentos primorosos cujos noivos eram romances e demonstrações altamente competentes de amor um pelo o outro. Acompanhei muitos por longo tempo depois de celebrarem seu amor e percebi a profundidade do que prometeram no altar. Durante a ditadura mesmo experimentei testemunhos fantásticos de casais que se casaram em plena clandestinidade, apaixonados um pelo o outro e pela luta contra a barbárie em forma de golpe contra a democracia. Aqui mesmo em Goiânia e em Aparecida de Goiânia ministrei casamentos religiosos de jovens belíssimos e inteligentes. Recordo de um professor de física que se casou com uma estudante de pedagogia, sua ex-aluna. Nas várias entrevistas e pastorais que realizamos senti o quanto se amavam e reuniam em torno de si o apoio de familiares de ambos, todos convencidos e motivados com o amor deles. Celebrei o casamento de um médio com uma linda professora de educação física, já pai e mãe de uma linda menina de seis anos, que participou da cerimônia. Seguidamente os encontro cheios de poesia e de declarações de amor, ela agora grávida à espera de mais um fruto do afetivo relacionamento. Em tantos vi e celebrai o poderoso amor. 

Mas o que é o amor, esse sentimento, que arrasta um homem e uma mulher para dentro de um casamento? Sabe-se que casamento não é relacionamento fácil o tempo inteiro. É um tipo de relacionamento que pressiona por enorme capacidade de diálogo, de construção de espaços e por alta capacidade de negociação, acima de tudo, de muita honestidade e transparência. Há pouco a mídia purulenta tentou destruir o casamento do ex Presidente Lula com sua esposa Marisa. Não sei como o casal enfrenta tal intromissão irresponsável e indigna, mas o desafio do casal para se manter em comunhão é gigantesco. Em todo o caso, hoje as pessoas não se sentem mais obrigadas a continuar um casamento ruim e destrutivo, mesmo que igrejas gritem que o casamento seja indissolúvel.

Parece-me pouco verossímil o princípio de que os diferentes e opostos se atraem. Em termos de casamento isso cai no vazio. Pelo contrário, um casamento funciona bem com um mínimo significativo de campo semelhante. Os dois carecem de muito em comum, embora o relacionamento exija muita criatividade e elasticidade como capacidade para compreender o outro. Não que um deva se sobrepor ao outro nem que deva dominar o outro. O que importa é que o campo de variáveis componha boa e sólida substância comum entre os dois para que se soltem e sejam livres um para o outro, sem sectarismos. Outra coordenada importante é que ambos tenham projetos capazes de arrebatá-los para frente, para cima e para fora da relação a dois, fazendo com que essa comunhão se fortaleça e os aproxime. Aqui aduzo, como ilustração, a frase de Antoine de Saint-Exupéry (autor do Pequeno Príncipe e de O Aviador) que escreveu: “amar não é um olhar para o outro, mas ambos na mesma direção”. É absolutamente fundamental que os sujeitos de um casamento saibam sentir um ao outro, mas que esse poetizar um do outro ancore-se em campos que os transcenda dos ruídos cotidianos e viciantes. A poesia a dois tem que se inspirar na práxis no mundo, muito maior do que o pequeno universo construído dentro de uma relação matrimonial.

Voltando a Carlos e Vanessa. As notícias sobre o casamento deles dá conta de que Carlos Cachoeira se converteu na prisão pela pregação da Igreja Videira. Tanto que um pastor dessa igreja presidiu a bênção matrimonial deles. A questão é: como é a conversão de Cachoeira? Que projeto o envolve nessa conversão, se tal é verdadeira? Que mudanças tal impacto provocará na vida dele e do casal? Afinal, Carlos e Andressa são devedores da sociedade! Esse casal roubou do povo e do Estado. Cachoeira principalmente atuou de forma a dilapidar a coisa pública ao articular-se com o indecoroso, indecente e injusto Demóstenes Torres, que a boa fé social enganou e ludibriou quem nele votou e confiou. Cachoeira influenciou e corrompeu o Governo do Estado de Goiás, derramando muito dinheiro para falsificar pesquisas e mentirosamente eleger o não menos desonesto Marconi Perillo, que ainda ocupa o poder neste Estado do Centro Oeste. Cachoeira tentou derrubar o Presidente Lula através de pautação da apodrecida Revista Veja e o Governador Agnelo Rossi de Brasília, por este não ceder às suas chantagens. Em Goiás Cachoeira se apropriaria de todo o sistema de saúde e da educação do Estado, tudo em benefício próprio, aos moldes do mais terrível, egoísta e atrasado capitalismo, em cujas águas turvas ele se abastece. A senhora Vanessa ameaçou um juiz de suborno na tentativa de chantageá-lo. Desdenhou da justiça ao se cumpliciar com o atual marido, com quem acabou de casar nesta sexta-feira sob as bênçãos de um pastor da Igreja Videira.

A Igreja Videira o ensinará a se comportar como um crente novo e revolucionado como aconteceu com o publicano e impatriótica Zaqueu? Ora, como conta o evangelista Lucas, Zaqueu ao receber Jesus de Nazaré em sua casa, onde certamente se deu diálogo crítico e severo do Galileu que o instou à justiça para com os muitos de quem roubou e jogou na miséria para se apropriar dos excedentes de impostos desviados para seus bolsos, já que era servil ao império romano, obrigando os palestinos a “contribuir” com o governo opressor e explorador. Zaqueu declarou a Jesus que repartiria a metade de “seus” bens aos pobres e 4 vezes mais a quem roubara. A tradição conta que Zaqueu sagrou-se bispo e morreu pobre, mas feliz por seguir os caminhos da justiça. A Igreja Videira ajudará Cachoeira a fazer o mesmo? Vanessa aceitará, a despeito das roupas e sapatos caríssimos usados no casamento ontem? Ou Carlos Cachoeira doará o que roubou do povo à Igreja Videira sob o pretexto de devolver a Deus o que da sociedade desviou?

Caros Darcy e Maria, se Cachoeira e a linda Andressa não devolverem o que arrancaram roubando de muitas crianças, viúvas, trabalhadores e de quem iludiu com falsas esperanças através da jogatina da qual era proprietário, seu casamento não passa de barata palhaçada e seu amor não ultrapassa a linha putrefata do pocilga dos que emporcalham nossas vidas com sua burguesia pecaminosa e suja. Se ele doar parte do que roubou à Igreja Videira e a seus pastores sob a justificativa de purgar suas culpas, então essa igreja não passará de grupo de  assaltantes e mercenários. Perderá o respeito da comunidade. Se for assim o casamento de Carlos e Andressa, em breve, seguirá o rumo de tantos outros, afundando em crise, em brigas, em divisão pela disputa dos roubos e cairá no lugar comum dos casais compostos de sujeitos que somente olham para si e para seus umbigos e, rotinizados, sem saber olhar para um caminho mais longo, rico, desafiante e criativo, destruir-se-á. Quem viver verá!

Abraços críticos e fraternos.

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