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quarta-feira

Sitaução preocupante e prejudicial ao Brasil

 
Taxa de investimento e consumo em queda derrubam PIB no 1º semestre 

PIB aumentou apenas 0,4% no segundo trimestre na comparação com o trimestre anterior, apenas 0,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e apenas 0,6% nos seis primeiros meses deste ano 

Não havíamos terminado estas considerações sobre o resultado das Contas Nacionais, em especial o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano, quando o IBGE, na manhã de terça-feira, publicou a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) de julho. Como esse resultado só confirma a difícil situação em que a política do sr. Mantega colocou o país, nos contentamos, por ora, em reproduzir alguns trechos da própria pesquisa do IBGE:

No índice acumulado dos sete primeiros meses de 2012, (…) o recuo [da produção física] foi de 3,7% para o total da indústria, com taxas negativas em todas as categorias de uso (…). Entre as categorias de uso, o perfil dos resultados (…) confirmou o menor dinamismo para bens de capital (-12,0%) e bens de consumo duráveis (-8,4%). (…) A produção de bens intermediários recuou 2,5% (...), enquanto a de bens de consumo semi e não duráveis assinalou variação negativa de 0,5%” (IBGE, PIM-PF, págs. 10 e 11).

Quanto ao PIB, desde sexta-feira, depois que o IBGE divulgou o resultado do segundo trimestre, aparecem legiões (nem tantas, mas a tagarelice é grande) de beatas carpideiras nos jornais e canais de TV, lastimando que, apesar dos esforços do governo para aumentar o investimento, o PIB permanece imune a todos os viagras do sr. Mantega.

Qual é, então, o problema?

O problema é que esses “ esforços para aumentar o investimento” são fantasmagóricos. A política econômica, com exceção – graças, faça-se justiça, à presidente Dilma – dos juros e do câmbio, que melhoraram sensivelmente, ainda que não sejam nenhuma maravilha, continua a mesma. Inclusive quanto aos investimentos públicos, fundamentais para reconstruir os elos da cadeia produtiva que foram destruídos no ano passado, para não falar da desnacionalização da economia – e da consequência, tanto do arrocho nos investimentos públicos, quanto da desnacionalização: a desindustrialização.

O PIB aumentou apenas 0,4% na comparação com o trimestre anterior, apenas 0,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e apenas 0,6% no ano (portanto, no semestre).

Porém, vejamos do que se trata. É insuficiente constatar a paralisia econômica (ou o retrocesso em relação a 2010). Nesse caso, é importante ter alguma ideia da sua dimensão, pois até as paralisias não são iguais umas às outras: a segunda tabela desta página é um extrato dos “indicadores de conjuntura”, organizados pelo Banco Central (BC) – antes da divulgação das Contas Nacionais, na sexta-feira - com base em dados do IBGE, CNI e FIESP.

A negatividade do quadro não demanda maiores comentários para realçar que estamos atolados num pântano. Não vamos nos deter nas ociosas polêmicas sobre uma suposta “mudança estrutural” que teria acontecido no Brasil, com o esgotamento do papel do consumo no estímulo ao crescimento. O leitor poderá verificar, na primeira tabela desta página, que o aumento do consumo está caindo desde o primeiro trimestre de 2011 – o que é efeito de uma contenção no aumento do salário real. Portanto, o suposto “esgotamento” do consumo (que, na verdade, é uma negação ideológica do mercado interno) resume-se à questão salarial, a um arrocho sobre os salários reais, incentivado pelo governo a partir do tratamento dado ao funcionalismo e com uma campanha reiterada pela limitação dos aumentos reais de salário.

No entanto, foi nesse quadro muito negativo que o Ministério da Fazenda afirmou que “a taxa média anual de crescimento do investimento brasileiro é uma dos maiores do mundo”; que “o investimento tornou-se o principal instrumento responsável pelo crescimento econômico”; e que “os esforços do governo são para consolidar o investimento, aumentando a participação dele no Produto Interno Bruto (PIB) nacional” (todas essas frases foram extraídas de uma nota publicada pelo Ministério no último dia 24).

Já tínhamos apontado (v. HP 29-30/08/2012) a escroqueria, total e consumada, dessas xaropadas que o sr. Mantega, periodicamente, fornece à imprensa e administra aos empresários. O que as Contas Nacionais deixaram a nu é que a escroqueria era ainda maior do que apontamos.

Há quatro trimestres que o investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF – o gasto das empresas com ativos fixos: máquinas, equipamentos e edificações), está caindo em relação ao trimestre anterior (cf. IBGE, “Contas Nacionais Trimestrais”, abril/junho 2012, página 10):
2011/3º trimestre: -1,4%;
2011/4º trimestre: -0,2%;
2012/1º trimestre: -1,5%;
2012/2º trimestre: -0,7%.

No semestre (v. primeira tabela), o investimento caiu quase 3% e a variação do investimento no ano está caindo desde o primeiro trimestre de 2011.

Em termos de PIB, o investimento também caiu: estava em 19,5% do PIB no final do governo Lula e agora está em 17,9% do PIB.

Quais foram, então, as ações da equipe econômica para aumentar o investimento? Anunciar desonerações e privatizações, quer dizer, “concessões” (como se “conceder” monopólios naturais a monopólios privados não fosse, exatamente, a maior parte do que se entende por privatização...).

Tanto as desonerações quanto as privatizações não aumentam investimento algum – as primeiras, aumentam a margem de lucro dos monopólios multinacionais, que são os seus principais beneficiários, aumentando suas remessas para o exterior e estimulando a importação de bens acabados; portanto, o efeito geral é reduzir o investimento.

As segundas, também, pois são todas por conta do BNDES – e uma parte desse dinheiro é sempre transformado em ganho, lucro e remessa, portanto, é desviado ou subtraído do investimento. Não estamos afirmando nenhuma novidade. Recentemente, na imprensa, um notório neoliberal ocupou-se em demonstrar que, apesar das privatizações diminuírem o investimento, vale a pena privatizar...

Quanto à verdadeira mola propulsora dos investimentos, o investimento público, novo relatório do Tesouro Nacional, publicado na segunda-feira, mostra que até julho – isto é, em sete meses - o governo liberou 8,56% da dotação orçamentária para investimentos: exatamente, R$ 7.714.498.000 de uma verba de R$ 90.116.900.000 (cf. STN, “Relatório resumido da execução orçamentária do governo federal e outros demonstrativos - janeiro a julho de 2012/bimestre junho-julho”, pág. 11).

Quanto aos desembolsos do BNDES, principal fonte de financiamento do investimento privado, até maio, em 12 meses, eles haviam caído -49,98% para a indústria de transformação e -47% para a indústria em geral. Além disso, em 2011, somente 29% dos financiamentos foram para a indústria - e, em 2012, até agora, somente 26,1% (cf. BNDES, “Boletim de Desempenho”, Maio/2012; BC, Indicadores Consolidados, “Tab. I.42 - Desembolsos do Sistema BNDES”; e Gabriel Leal de Barros, “Uma análise setorial dos desembolsos do BNDES”, Boletim Macro IBRE/Agosto de 2012).

Ainda não temos os dados de quanto desses desembolsos para a indústria foram para empresas nacionais ou para multinacionais – mas não temos razão, a julgar por 2011, para otimismo em relação ao que foi desembolsado para as empresas nacionais.

Assim, o fato do valor adicionado pela indústria de transformação (o setor chave da indústria) já ter caído -4% este ano – com uma queda de -3,7% na produção física industrial – é apenas o inevitável resultado de uma política que não tem nada de inevitável.

CARLOS LOPES Jornal  Hora do Povo

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