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segunda-feira

Quando o diabo não vem envia seus filhos


Queridíssimo amigo Saulo

És a mais rica e radical encarnação do bem em forma de solidariedade, aliás, quase assustadora solidariedade. Muito obrigado a ti, à tua esposa e a todos os teus familiares. Conseguiste amarrar verdadeira rede de apoio reunindo tanta gente boa que construiu soluções impensáveis a esse pobre peão da luta por justiça.

Teus gestos – no plural mesmo – são monumentos à esperança de que o ser humano tem salvação. Enquanto as pessoas souberem estender as mãos, unir-se, compartilhar e até se sacrificar pelo o outro o mundo terá salvação. Nesse sentido, és uma avenida de luminárias a iluminar com a luz do bem. Obrigado amigo a ti e a todos/as que se manifestaram.

Olha, essa situação de Pinheirinho me toca profundamente. Não posso deixar de me manifestar anti tanta hipocrisia dessa mídia colonizada e colonizadora. Na minha infância vivenciei amarga situação habitacional. Meu pai foi enganado na compra de uma área verde para construir bem intencionado nossa primeira residência na cidade. Sem saber, porque ninguém o informou, as primeiras chuvas de verão atingiram nossa casa e a enchente a deslocou de suas bases e quase a levou, como a muitas que vi passar como se fossem barcos levados pelo rio Ibirapuitã. No desespero, meu pai bateu à porta da Secretaria de Obras de Município de Alegrete, cheio de esperança de que o Secretário enviaria as máquinas prometidas para reerguer nossa casa, que construímos com tanto sacrifício. Como demorasse para enviá-las meu pai me mandou ao Secretário para lembrá-lo do que prometera. Entrei humilde, tímido, sem saber direito como me dirigir àquela autoridade e, como pude, o lembrei de que prometera nos ajudar. Choquei-me profundamente com a frase por ele pronunciada. Disse, nunca esquecerei: “Barbaridade, o diabo quando não vem envia seus filhos”. Eu deveria ter uns 7 anos e pensei se meu pai seria o diabo e se eu seria filho do diabo. 

É exatamente isso, Saulo, quando o povo é povo confia cegamente em suas autoridades e delas espera as soluções e o cumprimento de seus deveres e de suas responsabilidades. Quando as autoridades tratam o povo com desdém, menos valia, desrespeito, falta de responsabilidade na opção pela injustiça, só machucam ainda mais os pobres e aumentam o conflito, que sempre estoura por algum lugar.

O caso de Pinheirinhos é típico de injustiça gritante, com o mesmo pano de fundo que sofremos há muitos anos. Para o governador, para o prefeito e justiça de São Paulo, todos neoliberais,  os problemas do povo não são problemas sociais mas questão de polícia. Juntam-se três forças poderosas contra os pobres que procuram abrigo no direito de morar. O governador Geraldo Alckimin, os Juízes de São Paulo, em briga com os Ministros do Supremo, alguns deles proprietários poderosos e cercados por jagunços, como denunciou o Ministro Joaquim Barbosa, em vez de praticar justiça de Estado e defender quem mais necessita de justiça e dos direitos humanos, preferem posicionar-se ao lado do especulador e assassino Naji Nahas, proprietário e especulador do terreno onde o povo morava há 8 anos. É isso mesmo: policiais, geralmente filhos do povo, são obedientes à hierarquia da brutalidade e da injustiça, juízes encastelados em seus grandiosos salários, gabinetes luxuosos, em briga por mais privilégio, e o governador, de mãos dadas com seu cupincha Eduardo Cury, prefeito de São José dos Campos, unem-se à força para destruir trabalhadores e pobres indefesos e sem força.  

Quanta desilusão experimentada pelo povo, provocado à ira e à revolta, até armada por quem deveria protegê-lo e defender. Quantas prisões arbitrárias a partir de uma visão de justiça que só serve aos privilegiados que tomaram de assalto os poderes executivo, judiciário e policial, para tratar o povo sob o cassetete e a balas. 

Certamente esses que desgovernam o Estado de São Paulo, o Município de São José dos Campos, que ocupam o aparelho judicial e a hierarquia da polícia militar vêm o povo como diabos e suas crianças como filhos do diabo. 

Daqui sou solidário com os moradores e lutadores de Pinheirinho. A luta de vocês ecoa no mundo inteiro e se constitui em clamor profético. Não desistam, meus irmãos e irmãs. Vocês têm direito ao respeito e a justiça, mesmo que esses aí pisem em vocês. 

Por favor, a luta organizada, como vocês fazem e aperfeiçoarão, desembocará em forma político-eleitoral. São Paulo e muitos de seus municípios são governados há anos pela direita e pelos que fazem da política ferramenta de defesa de privilégios e dos privilegiados da classe dominante e assaltantes dos cofres públicos. Lutem para ajudar a mudar essa situação.

Abraços solidários.

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