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terça-feira

O Prof. Emir Sader escreveu muito bem: O mundo do dinheiro e seus heróis



Querido/a Pe. Victor e Profª Juliene

Passamos uma virada de ano muito rica. Rica não no sentido neoliberal, como lerão abaixo, mas no sentido de que compartilhamos a vida, a fé em novas possibilidades e construções de nosso povo e compartilhamos experiências de luta e de fé. Admiro vocês dois, meu casal amado. Volta e meia me deparo com pessoas que não crêem no amor entre um homem e uma mulher. Outras fingem não crer para mandar seu par se danar. A todas tenho vontade de apresentar vocês. Admiro o amor de vocês, sua forma meiga, gentil, inteligente e social de um lidar com o outro. Vocês são cristãos de verdade e muito bonitos no relacionamento amoroso como casal.   

Pois bem, deparei-me hoje com esse maravilhoso texto do grande prof. Emir Sader, que compartilho com vocês e com meus leitores. Ele põe o dedo no estilo de vida dos que vivem à custa dos outros. Consegue comparar as duas maneiras que os ricos viviam suas riquezas. Numa escondiam seu estilo da Receita Federal e dos pobres, num país de desiguais;  na outra passaram à ostentação e à mentira de que são vencedores e de que quem não é como eles é fracassado. Fracassados! Para eles professores e outros profissionais que não escolhem profissões de “sucesso” são fracassados. Quem não ostenta carros do ano, casarões, viagens a Nova York e tal é fracassado. Quem não usa roupas de marca é fracassado. No domingo à noite o programa Fantástico da Rede Globo entrevistou um figurão desses. O ricaço que construiu seu império em cima da exploração de trabalhadores, a começar pela barbárie da famosa Serra Pelada, onde muitos trabalhadores sonharam com riquezas, morrendo atolados no lodo e nos buracos enquanto quem enriqueceu foi essa figura que não moveu nenhuma palha no trabalho. Ele era “investidor”, nome que dão à atividade dos ladrões de colarinho branco.

Essa história de fracassado é de doer. Vejo nos meios acadêmicos muitos professores indicar a seus alunos que vencedores são o que pilotam carros caros, importados, que se vestem de terno e gravata, de preferência de grife. Doeu-me profundamente ouvir alunos que escutaram professores dizerem que não lhes deram atenção porque eles – os alunos -  são fracassados.  Como também já ouvi alunos falando mal de professores que dirigem carros simples e, pior, de professores que andam de ônibus, como os milhões de trabalhadores que produzem riquezas neste país. 

O prof. Emir consegue muito bem desmascarar as falsas concepções de vencedores e de fracassados. Boa leitura, meu casal querido, Pe. Victor e Profª. Juliene.

Por Emir Sader, em seu blog

De repente, o mundo neoliberal - esse em que tudo vale pelo preço que tem, em que tudo tem preço, em que tudo se vende, tudo se compra – passou a exibir a riqueza como atestado de competência. Nos EUA se deixou de falar de pobres, para falar de “fracassados”. Numa sociedade que se jacta de dar oportunidade para todos, numa “sociedade livre, aberta”, quem nao deu certo economicamente, é por incompetência ou por preguiça.

Ser rico é ter dado certo, é demonstrar capacidade para resolver problemas, ter criatividade, se dar bem na vida, etc., etc. Até um certo momento as biografias que se publicavam eram de grandes personagens da historia universal – governantes, lideres populares, gênios musicais, detentores de grandes saberes. A partir do neoliberalismo as biografias de maior sucesso passaram as ser as dos milhardários, que supostamente ensinam o caminho das pedras para os até ali menos afortunados.

Todos dizem que nasceram pobres, subiram na vida graças à tenacidade, à criatividade, ao trabalho duro, ao espirito de sacrifício. Tiveram tropeços, mas nao desistiram, leram algum guru de auto-ajuda que os fez aumentarem sua auto estima, acreditarem mais em si mesmos, recomeçarem do zero, até chegarem ao sucesso indiscutível.

Seus livros se transformam em best-sellers, vendem rapidamente – até que vários deles caem em desgraça, porque flagrados em algum escândalo -, eles viajam o mundo dando entrevistas e vendendo seu saber que, se fosse seguido por seus leitores, produziria um mundo de ricos e de pessoas realizadas e felizes como eles.

Quem vai publicar um livro de um “fracassado”? Só mesmo se fosse para que as pessoas soubessem quais os caminhos errados, aqueles que nao deveriam seguir, se querem ser ricos, bonitos e felizes. O mundo do trabalho, da fábrica, do sindicato, dos movimentos de bairro, das comunidades – mundo marginal e marginalizado.

Programas de televisão exaltam os ricos, os bem sucedidos, as mulheres que exibem sua elegância, sua falta de pudor de gastar milhões na Daslu e nas viagens a Nova York e a Paris. Ninguém quer ver gente feia, pobre, desamparada, que só frequenta os noticiários policiais e de calamidades naturais. As telenovelas têm como cenários os luxuosos apartamentos da zona sul do Rio e dos jardins de São Paulo, com belas mulheres e homens que não trabalham, no máximo administram empresas de sucesso. Os pobres giram em torno deles – empregadas domésticas, entregadores de pizza, donos de botecos -, sempre como coadjuvantes do mundo dos ricos, que propõem o tipo de vida que as pessoas deveriam ter, se quiserem ser ricos, bonitos, felizes.

Esse mundo fictício esconde os verdadeiros mecanismos que geram a riqueza e a pobreza, os meios sociais – os bancos por um lado, as fábricas por outro – em que se geram a riqueza e a fortuna, a especulação e a expropriação do trabalho alheio. Em que estão os vilões e os heróis das nossas sociedades.

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