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segunda-feira

O comandante fugiu: sinal dos tempos e analogia com outros fujões



Prezado Vereador Arnaldo

A mídia a serviço dos interesses dominantes e desumanos “escandaliza-se” com o naufrágio do navio italiano, chamado Costa Concordia – que significa ironicamente "com coração", numa tradução livre da palavra na língua grega. Alardeia que o navio atrapalhou o cruzeiro de 4.500 ricos em cruzeiro pelos mares do planeta. Mostra, através de suas redes de tv e pela internet, os rostos chorosos dos que passeavam felizes num momento de crise mundial, principalmente na Europa e Estados Unidos, onde milhões de trabalhadores perdem seus empregos e se revoltam contra os assaltos praticados pelos bancos, a serventes dos poderosos e destruidores da paz mundial.

Mas um fato chama a atenção nessa situação toda. Trata-se da acusação de que o comandante Francesco Schettino foi o primeiro a abandonar o navio, a tripulação e os passageiros. Na verdade,  o que parece é que a empresa proprietária do navio cruzeiro, como sempre, joga a culpa sobre o mais fraco do sistema.  Pelo menos é essa a impressão que passa Pier Luigi Foschi, presidente da Costa Crociere - dona do navio Costa Concordia - em suas entrevistas. Com uma das mãos acaricia Schettino e com a outra o ameaça de responsabilização. Certamente espera com isso acalmar as famílias dos mortos, feridos e desparecidos, além, e principalmente, dos investidores das bolsas onde a empresa é muito valorizada por apostadores, que retiram seus euros e dólares dos cassinos internacionais, chamados de Bolsas de Valores.

Que é um comandante?  Comanda o que e em nome de quem e de que? Um comandante, via de regra,  é um alto funcionário que presta serviços relevantes a alguém que não sabe e não quer trabalhar.  Sua atuação se dá em troca de “confiança” e de dinheiro, geralmente infinitamente menos do que os lucros auferidos pela empresa exploradora. O que ele comanda não lhe pertence e pelo comando muitas vezes entrega a própria vida, mesmo que o prazer seja dos e para os outros. O comandante submete-se a uma força gigantesca, geralmente anônima e fantasmagórica. Não conhece as fisionomias de quem lhe manda e a quem se submete. Subjuga-se a um  ente sem cara e sem alma. Na verdade, é mandado a mandar outros mandados, em cadeia, como numa dança do crioulo doido. 

Francesco Schettino só não é anônimo agora porque enfiou um navio de uma poderosa empresa por entre rochas e o afundou. Do contrário ninguém saberia de sua existência nem, talvez Pier Luigi Foschi,  presidente da Costa Crociere. Os trabalhadores nunca são conhecidos nem lembrados pelos exploradores de suas forças nem pela sua mídia, a não ser que usados como bodes expiatórios.

Por outro lado, Schettino configura-se numa analogia interessante. No momento em que o capitalismo internacional naufraga e afunda muitos de seus comandantes saltam fora juntamente com os ratos. Aliás, a história não é nova. Quando a revolução tomou Cuba Fulgência Batista, com o apoio dos Estados Unidos, saltou fora e foi comemorar os frutos do roubo do sangue do povo cubano. Da mesma forma Anastácio Somoza, que fugiu da Nicarágua quando os sandinistas tomaram o poder. Reza Parlevi, amparado pelos Estados Unidos, como sempre,  fugiu do Irã quando a revolução islamita passou a governar. Em toda a parte é assim, os comandantes de regimes subservientes aos interesses imperialistas e terroristas, sem amor ao povo e às pessoas, caracterizam-se pelos saques, pelos subornos e pela crueldade. Mas na hora H fogem e deixam os navios à deriva. Aliás,  o único interesse pelos navios é enquanto lhes servem mesquinhamente e nunca com a tripulação e passageiros, isto é, com o povo.  Aliás, o processo se dá em cadeia: há os grandes comandantes a gerir os negócios dos poderosos e há os comandados de menor significação, obedientes e cegos, sem crítica à realidade. Esses também saltam fora na hora do perigo, sempre de olho em pequenas maletas.  Esses geralmente são mesquinhos e cruéis. São perigosos porque são puxa sacos. Não se importam com os outros. Nunca defendem os que mais precisam. Suas armas preferidas são os punhais enfiados pelas costas de quem lhes serve e a língua fofoqueira, a espalhar peste.

Bem diferentes são os líderes do povo, os comandantes populares. São ousados, destemidos, despojados e prontos a entregar suas vidas pela maioria. São sábios e sua consciência é marcadamente sensível para com o povo, a quem obedecem libertadoramente. Por isso são chamados de comandantes do povo. O povo manda neles e ao povo se rendem.  Claro, sua consciência é esclarecida no sentido de perceber que o povo por ele amado é muitas vezes prisioneiro das doenças alienantes da elite dominante. Como fiéis à liberdade os comandantes do povo sabem em que momento e em quais situações podem e devem criticar o povo. Recordo do grande Nelson Mandela, que criticou o seu  partido, o Congresso Nacional da África do Sul, quando este equivocadamente se opunha a que o esporte servisse de ferramenta para unir a Nação. Mandela, numa reunião apanhou a cúpula partidária de surpresa ao lhe alertar: “Vocês me elegeram seu presidente. Portanto me deixem ser seu comandante. Vocês estão errados.” E não deu outra: Mandela desviou o navio Sul Africano do desastre da desunião e da vitória do racismo segregacionista e nazista. Os comandantes do povo – os que co-mandam, mandam juntos – nunca fogem nem saltam dos navios, como o caso do modelo exercido pelos outros comandantes, na verdade mandados pelos poderosos fantasmas exploradores.  Chê Guevara foi exemplar como comandante revolucionário. No momento em que se percebeu sitiado pelas forças serviçais do imperialismo taticamente, mandou seus comandados a outra missão, com o objetivo de salvar suas vidas e o futuro da revolução, foi capturado e morto. Entregou seu sangue e vida a favor da liberdade, sem se acovardar e fugir. Sadhan Hussein, depois de se descolar dos Estados Unidos e da Cia, elegeu-se presidente do Iraque e mudou a vida de seu povo para melhor. Quando a Otan criminosamente invadiu aquele país no afã de roubar petróleo não titubeou entregar sua vida, sem abandonar o navio Iraque. No tribunal espúrio e assassino, mesmo sabendo ser condenado à morte por enforcamento, não se calou ao denunciar os crimes do invasor. Por último lembro de Muamar Kadhaffi, presidente do povo líbio. Perseguido pela Otan, a serviço de uma aliança terrorista imperialista e da junta governamental capacho, lutou até o último instante, sem abandonar seu povo. Os mercenários que assaltaram o poder tentaram desonrá-lo e ao povo ao velar seu líder num açougue sujo e sepultá-lo em lugar ignorado no deserto, mas o povo líbio e o mundo inteiro sabem que Kadaffi   era o comandante da nau líbia e sempre será lembrado por seus tripulantes.

Enfim, meu caro vereador Arnaldo, os verdadeiros comandantes do povo são odiados cruelmente pelo primeiro modelo, que chamaria de falsos comandantes e pelos dominadores do mundo. Contudo, a história é grávida deles e suas vidas são como sementes semeadas com sangue e martírio.  Ornamentam a terra, no reforço da esperança de uma humanidade justae do novo homem que nascerá.

Em quaisquer lugares, Arnaldo, seja numa sala de aula, numa câmara de vereadores como é o teu caso, numa família, numa igreja, há que construirmos comandantes inspirados nesse esplendor sem fim de homens e mulheres que souberam a diferença entre co-mandar – mandar com, democraticamente – e os impostores e usurpadores dos direitos dos outros. Há que sabermos seguir os que foram bons exemplos e sermos bons exemplos, também.

Abraços.

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