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quinta-feira

Saudade, tristeza e sentido de justiça: bela confusão. Que pensa o ex-“bispo” de Guarulhos?



 

Querido Pastor Rubens

A saudade é interessante, meu queridíssimo amigo Pastor Rubens. É como escreveu o rev. Otto Gustavo Otto: “A saudade é como o lago azul, reflete o rosto do ente amado”
.
Mas, tal como muitas coisas boas da vida, a saudade é muitas vezes dilacerante, torturante. É também como arquivo que guarda intactas e puras as melhores vivências e convivências da vida. 

Pois bem, meu caro, guardo em mim as lembranças de nossas lutas pelo Brasil. Éramos jovens plenos de sonhos de uma sociedade justa, democrática, socialista, com uma Pátria soberana, verdadeira marca do Reino dos céus na terra. Os anos se sucederam, ajudamos a ruir a ditadura, fomos atropelados pelo nefasto neoliberalismo  e ajudamos a iniciar o seu ocaso com a eleição de Lula no Brasil e a ascensão de muitos líderes nacionalistas, democráticos e progressistas na América Latina.

E nós dois, já com nossos cabelos embranquecendo, caindo, nossas barbas com fios de Papai Noel, como me disse um piá aqui em Aparecida de Goiânia. As mulheres mais lindas olham para nós e comentam, envoltas em sua cara de pau discriminatória, “como vocês são lindos em suas sabedorias, cultura e pensamento social etc”, quase mostrando piedade de nós. Se nos apaixonássemos por algumas delas seus amigos e parentes logo as interrogariam: “mas ele não é muito velho para ti?” Fazem de tudo para nos deprimir e nos eliminar, em nome do preconceito e do autoritarismo inconscientes. 

Porém, alegro-me, talvez tenhas percebido, com o fato de que todos/as os/as presidentes e presidentas revolucionários/as, eleitos/as pelos povos aqui na América Latina, com forte marca democrática e nacionalista, têm a nossa idade ou um pouco mais. Eles/elas são exemplos de amor ao povo e à vida. Como disse um amigo meu, deputado no RS, “os revolucionários não envelhecem, acumulam juventude”. O Presidente do Uruguai é um ex-guerrilheiro Tupamaro, como a nossa Presidenta brasileira, lutou pela via armada, o único caminho possível  naquela conjuntura para enfrentar a barbárie implantada pela ditadura imperialista militar; no Paraguai temos como Presidente um bispo formado pela teologia da libertação, comprometido até as raízes dos cabelos com o povo mais espoliado da América Latina; na Nicarágua governa um Presidente forjado na luta do movimento sandinista, que expulsou o lacaio dos Estados Unidos, Anastácio Somoza etc. Todos/as são mais ou menos de nossa idade e de nossa geração. Lembre-se, com justiça, de Lula, cria das lutas do povo e dos trabalhadores nos sindicatos e contra a ditadura. Lembremos do presidente da Bolívia, emergido da teologia da libertação, também, e das lutas indígenas. Todos eles ultrapassam os 60 anos, mas que são frutos de nossos povos latino americanos e filhos dos sonhos de jutiça. São relíquias premiadas pela luta por novo mundo. Orgulho-me deles. Não envelhecerão, jamais, nem morrerão numa cama à espera burguesa da morte. Em seus corações, como nos nossos, aqui no vale dos mortais gos que lutam, arde a chama do amor pelo povo, pelo próximo. Aqui nesse vale dos comuns há milhões de militantes que nunca envelhecerão, homens e mulheres sonhadores e lutadores, que nunca se entregarão à preguiça ou ao miserável e mediócre "ganha pão". Seus leitos de morte são os campos, as cruzes, as ruas, os mares e, principalmente, o coração do povo, onde sempre vivem e viverão. Nossos mártires que o digam!

É claro, Rubens, há gente de nossa geração que envelheceu e apodreceu. Conheço alguns que enchem o peito na defesa do mercado putrefato e gerador de trevas. Sentam em algumas cadeirinhas que representam pequenos poderes e ali instalam seus traseiros preguiçosos e alienados para exercer o ranço do “poder”. Eles não ouvem ninguém, não conversam com ninguém, não se solidarizam com ninguém, mas são bons puxa sacos dos donos das instituições onde se aninham para depositar suas apodrecidas idéias. Gostam de dizer e de fazer o “vou conversar com o chefe para consolidar a confiança dele em mim”. Coitados, não vêm um milímetro além de suas barrigas obesas de alienação. Assim vejo inúmeros jovens encastelados nos executivos de empresas, de instituições, nos órgãos públicos etc, completamente envelhecidos, sem perceber nada além de suas pequenas rixas e disputas pelo “ganha pão”, sem nada a oferecer, imersos na mediocridade. O máximo que vêm são as suas famílias, de modo nuclear, fechado e conservador, sem nenhum conteúdo social e político. Coitados/as velhos/as. Já morreram e não sabem. Suas festas e comemorações natalinas e de fim de ano são velórios de sonhos e de vidas que nunca tiveram. 

É nesse sentido que penso no ex-“bispo” de Guarulhos,  dom Luiz Gonzaga Bergonzini. Infeliz, ele não é velho porque tem mais de 75 anos, mas por sua postura ideológica diante da vida. Nas eleições de 2010 ele embarcou numa canoa furada, como o são todos os projetos reacionários, direitistas e neoliberais. Tentou usar a ilibada e honrada CNBB para fazer propaganda para o rato e salteador José Serra. Sujou-se ao esforçar-se para enlamear o nome, a imagem e a história dessa fantástica mulher que o povo brasileiro elegeu Presidenta da República do Brasil. Claro, tenho críticas a aspectos do governo Dilma, como é o caso de deixar a turma do Ministro Mântega e da direção do Banco Central a vontade na prestação  de serviços sujos aos banqueiros. Mas ela é uma grande e jovem mulher, que procura acertar e ser fiel ao Brasil. E dom Luiz, como se sente hoje ao saber que seu líder e ídolo José Serra é essa representação do atraso e traição perversas ao nosso povo e de nossa Pátria? Será que ele se juntou ao bispo aqui de Anápolis, um fantoche do reacionarismo e títere da direita romana e “vaticanista”? 

É isso, meu querido Pastor Rubens, legítimo evangélico, protestante sério e dos bons, que não se assemelha a essa escumalha de pastores e padres despreparados e desqualificados que são, no máximo, animadores de shows de auditórios, com fins lucrativos e alienantes. Soube que continuas prestando serviços ao povo, sempre compartilhando teu saber com ele, sob o argumento de que dele recebeste tudo e com ele repartes conhecimento, consciência e luta. Parabéns, meu irmão.

Forte abraço. Não te desejo “feliz” natal, mas desejo-te juventude na luta, agora e sempre.

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