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quinta-feira

Não entendo a “obediência” covarde policial e dos jornalistas




Amigo Silas

Por onde andas meu amigo? Hoje, num lampejo, senti saudades de ti. Recordo dos nossos tempos de ginásio, do futebol que jogávamos próximo ao internato feminino, lá no Instituto União, em Uruguaiana - RS. Recordo o quanto eras bom em matemática e em tudo o que estudavas. Sempre entravas em férias mais cedo graças as tuas notas altíssimas. Graças a ti aprendi a gostar de literatura e dos melhores autores brasileiros. Saudade de ti, meu irmão. 

Sinto-me muito triste hoje, com forte sentimento de saudade, que me demole e tritura o coração. Quando assim, acesso em minha mente os “desvalores” que desmerecem o ser humano. Hoje atualizo as verdades de uma mulher que não admite mentiras, traições e injustiças. Sei que ela guarda segredos, que são dela, frutos de suas experiências e história de uma vida adulta. Ela tem o direito de confessá-los a quem ela quiser e a quem ela confiar, se quiser.  Quem a ama deve demonstrar seu amor pelo respeito a esse seu direito, sem pressioná-la indevidamente. Ela é admirável pela justeza com que demonstra o que sente e no momento conveniente para acessá-los.

Envolto nessa minha tristeza e nesse tsunami de saudade, onde minha alma nada, querendo defender-se das catadupas que insistem em afogá-la, interconecto-me com o senso de verdade dessa grande e incomparável mulher. A partir daí olho para fora de mim mesmo em direção a essa avalanche que atinge ministros no governo da república, na USP, na Wall Street em Nova Yorque e em vários lugares do mundo e me pergunto: por quê jornalistas obedecem seus patrões, que a partir de interesses sujos, mesquinhos e safados, os mandam fabricar matérias e notícias de jornais, revistas, TVs, rádios, internet etc para caluniar, mentir e enlamear nomes de pessoas? Por quê policiais obedecem seus comandantes que os ordenam a bater em estudantes, trabalhadores, mulheres, crianças, pobres e tal? 

Desgraçadamente, passado o tempo e mudada a conjuntura, muitos desses subservientes, que vendem a alma ao diabo, confessam-se arrependidos sob o argumento de que cumpriam ordens superiores ou que sabiam das mentiras e jogo sujo de seus chefes, mas escreviam lamas (para não dizer outra coisa) em jornais e revistas porque precisavam trabalhar para sustentar a família. Mas que família é a deles, que é incapaz de conhecer e verdade e a justiça e solidariza-se com eles? Durante a ditadura me deparei com muitos desses. Anos depois alguns me procuraram para se desculpar. Uma vez, em Santa Maria, presenciei uma sena exemplar, testemunha da dignidade humana. A polícia a serviço da ditadura, composta por bonecos manipulados e subservientes da opressão  desumanizadora, contava num pelotão com um verdadeiro homem, que tinha um coração que batia em seu peito e um cérebro que raciocinava. Este homem levantou as armas com baionetas para nos atirar e nos fulminar quando viu ao nosso lado seu irmão mais novo. Entre a ordem fascista do comando neurótico e psicopata e o amor ao irmão ele se decidiu pelo irmão e pelo povo que reivindicava justiça e democracia. Largou as armas e passou para nosso lado, abraçado ao irmão. Isso impediu uma chacina e derramamento de sangue de muitos de nós, principalmente de estudantes universitários. 

Leio e releio a carta de Orlando Silva, reproduzida aqui abaixo e sinto a dor dele. Foi caluniado, sob o desejo de destruição, por pessoas que se movem nas sombras. Os que “denunciam” mentiras e caluniam são jornalistas, que se omitem ante a fome de sangue de seus patrões reacionários.  São profissionais cegos que, como porcos, se arrastam nos excrementos e urinas dos chiqueiros dos donos dos jornalões e revistas. Quando vejo 400 policiais a apontar armas para 73 estudantes na USP, me enojo ao não constatar nenhum homem naquelas fileiras, mas bonecos e bonecas sem alma, sem coração e sem juízo a obedecer reitor, governador e comandantes de índoles fascistas. A alienação é a pior praga que a elite dominante criou e usa contra as pessoas. Ela decepa o que há de mais digno no ser humano, a percepção da verdade e da justiça. 

É evidente que em todas as instituições deve haver hierarquia. Mas a hierarquia deve existir para a realização do bem e não do mal. Quem obedece hierarquia injusta é igualmente injusto, mentiroso e louco. 

Por isso admiro a grande mulher do início de nossa conversa, Silas. Sei que ela servirá a hierarquia do bem e da justiça que habita seu ser. Ela é enormemente gentil e generosa. Ela é maravilhosa e não se amesquinhará em face da vida. Ela é qualitativa e moralmente diferente desses soldados e jornalistas, muito corajosos quando escondidos no anonimato de suas instituições iníquas ou atrás das armas. 

Abraços, meu amigo.

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