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Obama visita a Rússia, onde as minorias convivem com o medo


Por James Kilner


MOSCOU (Reuters) - Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitar a Rússia na segunda-feira para conversações com o Kremlin, estará conhecendo um país onde o sentimento antimigrantes leva negros e membros de outras minorias a viverem discretamente para evitar correr perigo.

O conselho dado a estudantes africanos recém-chegados a Moscou é simples.

"Não ande no metrô à noite, evite andar de metrô durante partidas de futebol, e só vá a boates em grupo", disse Barry Abdoulaye, ex-diretor da principal associação de estudantes africanos na capital russa.

As ruas de Moscou são repletas de rostos brancos, com algumas poucas pessoas de pele mais escura oriundas dos países ex-soviéticos da Ásia Central e do Cáucaso, que em sua maioria trabalham como cozinheiros, faxineiros e operários da construção.

Os negros são poucos e se destacam em meio à população.

Muitos membros da população negra da capital russa são estudantes da Universidade da Amizade dos Povos, situada num subúrbio do sudoeste de Moscou. Ali eles podem estudar por um custo muito inferior ao de uma universidade da Europa ocidental.

O senegalês Ka Ndiaga, estudante de engenharia da computação, estava assistindo a uma partida de futebol jogada por um grupo de africanos. Ele disse que tem medo de aventurar-se longe do campus da universidade.

"Vivo aqui há quatro anos, mas conheço apenas a periferia da cidade. Não conheço outras ruas", disse ele.

Os cafés e ruas em volta do campus estavam repletos de estudantes da África, Oriente Médio e Ásia oriental relaxando e se divertindo num ambiente de relativa segurança.

Alexander Verkhosvky, do Centro SOVA, organização não-governamental que mede ataques racistas na Rússia, disse que o país tem um problema sério.

"Existe aqui um nível de violência racista mais alta que em outras partes da Europa", disse ele. "O risco de prisão é muito menor."

Dados preliminares do Centro SOVA mostram que 102 pessoas morreram em ataques racistas na Rússia no ano passado, enquanto 441 ficaram feridas. Desse total, dois negros morreram e 22 ficaram feridos.

A maioria dos ataques é voltada contra os milhares de pessoas da Ásia Central e do Cáucaso que trabalham na Rússia, porque elas estão presentes em número muito maior.

"Mas os negros compõem um grupo de risco muito alto. Eles geralmente evitam andar de metrô", disse Verkhovsky.

Abdoulaye, 29 anos, ex-líder estudantil oriundo da Guiné, na África ocidental, vive em Moscou há oito anos, é casado com uma russa e tem uma filha de 1 ano. Ele disse que a situação vem melhorando, mas que a vida dos africanos em Moscou ainda é de risco.

A ignorância é um problema tão grande quanto o racismo, disse ele, porque a nova geração de russos tem exposição muito menor à África do que era de praxe na União Soviética, quando a solidariedade internacional comunista trazia grande número de estudantes e visitantes ao país.

Mas ele disse que as coisas estão melhorando. Não houve um ataque grave desde o fim do ano passado, quando dois estudantes africanos ficaram gravemente feridos num supermercado perto da universidade.

Mesmo assim, quando obtêm seus diplomas, a maioria dos estudantes africanos retorna a seus países.

"É difícil um africano conseguir um emprego. Os russos não estão preparados para isso", disse Abdoulaye.

Uma exceção é o nigeriano Simon Ede. Ele permaneceu depois de se diplomar e hoje é DJ e rapper na rádio moscovita NRJ.

Mas, depois de 14 anos vivendo em Moscou, Ede ainda tem medo de ser atacado.

"Basicamente, sinto medo em concertos e quando ando de metrô", disse ele.

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