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sexta-feira

DERROTAS DAS FALSAS VITÓRIAS

Os Estados Unidos amargam duas derrotas de um mesmo modelo, que se constituiu por décadas em representação prática de um de seus maiores princípios, o american way of life (modo de vida americano). Por um lado a estatização da GM e, por outro, a derrocada do decreto imperialista que expulsou Cuba da falida OEA, em 1962.

A General Moters era símbolo pujante da “vitória” privatista e neoliberal, responsável pela exploração aguda da mão de obra e da classe trabalhadora, principalmente na América Latina. Agora quebrou, faliu e se socorre do Estado para sobreviver, radicalizando a maior contradição do capitalismo, que é a gerência do Estado dos negócios sociais. O governo americano gestionará 60% a empresa, outrora patrocinadora das maiores injustiças econômicas e sociais contra os trabalhadores. Quem não lembra das greves pressionando por melhores salários e qualidade de vida no trabalho? Isto é, dessa crise emerge novo paradigma político e social: ressurge a figura do Estado como mediador econômico e social, em busca de mais eqüidade e ética.

A OEA foi tomada pelos Estados Unidos e usada como mecanismo anti-democrático, a favor das piores ditaduras militares de direita, que varreram a América Latina da década de 60 em diante. Uma de suas medidas foi a de expulsar Cuba da Organização dos Estados Americanos. A expulsão de Cuba, foi conseqüência de pressões vergonhosas dos EUA com distribuição de dinheiro a delegados. “À época da decretação do embargo, a expulsão de Cuba da OEA só tinha sido possível porque o governo de Washington comprara, com suborno, alguns votos de ditadores notórios – como Papa Doc, do Haiti e Somoza, da Nicarágua”, afirma em seu blog, Argemiro Ferreira. Ventos velhos, símbolos da dominação e do desrespeito colonial sopravam sobre a América. Contudo, agora, novos ventos, do tipo daquele falado em São João, que sopra onde quer e vai para onde quer, sopram nossos povos latino americanos. Graças a isso sabe-se de novo discurso, marcado por mais justiça e mais verdade. Ei-lo. “Nós, os latino-americanos que estamos aqui, há pouco, na grande cúpula do Grupo do Rio, realizada na cidade de Salvador, Bahia, no Brasil, assumimos um compromisso. O compromisso, que realizamos por escrito e por unanimidade de toda América Latina, é que nesta assembléia de San Pedro Sula, em Honduras, por maioria de votos ou por consenso, se devia emendar esse velho e gasto erro que se cometeu em 1962 de expulsar o povo cubano desta organização”, afirmou o presidente anfitrião, Manuel Zelaya.

“Não devemos ir embora desta assembléia, queridos dirigentes, sem revogar o decreto da oitava reunião que sancionou um povo inteiro por ter proclamado idéias e princípios socialistas. Não podemos sair desta assembléia sem reparar esse erro e essa infâmia, porque baseados nesta resolução da Organização dos Estados Americanos, que já tem mais de quatro décadas, aplicou-se a este povo irmão de Cuba um bloqueio injusto e inútil, precisamente porque não conseguiu nenhum propósito, mas sim demonstrou que ali, a poucos quilômetros de nosso país, numa ilha pequena, há um povo disposto a resistir e a passar sacrifícios por sua independência e sua soberania”, prosseguiu Zelaya, concluindo sob intensos aplausos que “... não fazê-lo nos faz cúmplices da resolução de 1962 de expulsar a um Estado da Organização de Estados Americanos simplesmente porque tem outras idéias, outros pensamentos, e proclama princípios de uma diferente mas profunda democracia. E nós não vamos ser cúmplices disso”.

Passei décadas ouvindo ofensas de paroquianos, eclesianos e diocesanos que se rebelavam raivosos contra Cuba, embebecidos das mentiras americanóides. Na última paróquia que atendi fui infernizado por pessoas que chamavam os nacionalistas e socialistas de dinossauros. Agora devemos ser modernos, neoliberais e defendermos o mercado, diziam. Onde será que eles andam e onde colocaram seus rostos enganados? Pois é, apesar dessa crise que os poderosos capitalistas impõe sobre nós, nossos povos se rebelam e criam novo paradigma de convivência humana. Cuba é exemplo disso. Amém.



Dom Orvandil: Bispo cabano, farrapo e quilombola.

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